Antonio Carlos Teles da Silva
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Discussões de Antonio Carlos Teles da Silva

A Amazônia é nossa?
7 respostas 

Iniciou esta discussão. Última resposta de Celso Orrico 3 Nov, 2008.

 

Cultura Amazônica.

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Profissão
Professor universitário. Marceneiro
A AMAZÔNIA É NOSSA ?
Quero começar com essa provocação. É um jargão que coloco sob suspeição e interrogação. Por um lado por representar a fraseologia usada pelo nacionalismo militar ufanista - e sabemos que não foram os melhores cuidadores da região, e por outro, porque tem se prestado a discursos de palanque da esquerda normalmente sem nenhuma ligação com a questão mais importante relativa ao conhecimento, à pesquisa e à educação. É daí que, de início já faço uma conclusão: A única possibilidade de salvação da Amazônia é pela via do conhecimento, da cultura, da educação, do ensino e da tecnologia.
Ao mesmo tempo trata-se de um jargão sob interrogação: a reivindicação de posse ou direitos sobre um patrimônio como a Amazônia não pode ser estabelecida sobre a ignorância e o desconhecimento sobre a região. E me parece que essa é a grande questão, ou o ponto crucial de toda a discussão: O enorme desconhecimento, ou a profunda ignorância nacional sobre o que é a Amazônia e sobre quem são os amazônidas. O que está destruindo a Amazônia não é primeiramente a moto-serra, a pata do boi ou o agro-negócio. Estas são conseqüências, a ponta de iceberg. Nossa tragédia diária é provocada principalmente pela ignorância e pela indiferença da sociedade nacional sobre o que é de fato a Amazônia, e principalmente, sobre quem são as pessoas que habitam a região.
Lembro uma cena do filme “Aguirre, a cólera dos deuses” de Werner Herzog: Logo após a conquista do Perú, uma grande expedição tenta descer o Amazonas a partir do Andes em busca do Eldorado guardado pelas lendárias Amazonas. Ao verem-se perdidos decidem retornar, exceto um grupo de 40 pessoas, chefiados por Pedro de Ursua que tenta seguir adiante. Lopes Aguirre (Klaus Kinsky) promove um motim e desce o rio barbarizando índios e tudo que encontra pelo caminho. Quando chega à altura de onde hoje é Manaus, encontra uma aldeia habitada por centenas de índios, que quando vêem os espanhóis passam a correr e a gritar “desesperadamente” pela beira do rio. Na sua prepotência, Aguirre imagina que estão tomados de pavor e pede ao intérprete que lhe diga o significado dos gritos. Um tanto hesitante o índio tradutor lhe responde: “carne fresca passando”. Apesar de Aguirre não ter sido devorado, esse encontro exemplifica de forma perfeita como, desde a conquista, inaugurou-se um modo de se imaginar e construir o que é a Amazônia, que quase nunca bate com a realidade. Como conseqüência dessa ignorância, a predação e o desprezo pelos amazônidas tem sido uma regra seguida, com conseqüências sempre trágicas para os conquistados.
Se esse desconhecimento é verdade para a parcela maior da população, que se encanta com a pasteurização da história nas versões de Glória Perez, da mesma forma a classe acadêmica, pretensos construtores do conhecimento insiste em pensar a Amazônia apenas como um tema subalterno da questão indígena ou ecológica (basta olhar os livros didáticos); mais tragicamente ainda a classe política continua tomando as “grandes decisões” sobre a região, a maioria sem nunca ter posto os pés na várzea ou levado uma picada de carapanã. Porém, talvez, a forma mais danosa de se tratar a Amazônia e os amazônidas, é ignorância construída, muitas vezes de forma intencional por aqueles que fazem a opinião pública, a comunicação de massa, a grande mídia mercantilizada e atrelada ao grande capital; ignorância construída conscientemente e instrumentalizada como, por exemplo, a cobertura do assassinato de Dorothy Stang, a lógica do espetáculo (que vende) e omissão sobre dia a dia de violência.

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Às 18:17 em 25 maio 2009, Anarquista Lúcida disse...
Bom, que pena por um lado (você nao ser quem está organizando o movimento contra a mídia) que bom por outro (um simpatizante do anarquismo...).

Abs
AnaLú
Às 16:56 em 25 maio 2009, Anarquista Lúcida disse...
Oi, Antônio
Tenho alguns emails de pessoas que participaram no Rio das primeiras manifestações contra Gilmar; acho que pelo menos uma parte delas gostaria de participar de uma manifestação contra a mídia. E eu seguramente gostaria. De modo que, por favor, se você conseguir organizar uma, me avise.
Abs
AnaLú
Às 23:07 em 24 maio 2009, Anarquista Lúcida disse...
Antônio, você é o Antônio Carlos Silva que postou hoje no Fora de Pauta do Nassif, falando na necessidade de um movimento na frente da ABI protestando contra a mídia? Se for, por favor, me dê um toque na minha página, precisamos conversar.
Abs
AnaLú, a Anarquista Lúcida
Às 22:34 em 31 outubro 2008, Celso Orrico disse...
Antonio,seja benvindo à minha "casa virtual" fique a vontade..
Abraços
Namastê!!
Às 22:32 em 31 outubro 2008, Celso Orrico disse...
somos totalmente ignorantes sobre a Amazõnia e seu povo, entendo até que os estrangeiros sabem mais que nós pois já se estabeleceram lá de forma bem escamoteada..concordo totalmente com vc sobre ser o conhecimento o maior instrumento para torná-la mais desenvolvida e integrada ao resto do país..
Abraços
Às 22:22 em 31 outubro 2008, Celso Orrico disse...
oi Antonio, passei aqui rapiinho, depois comento seu post..
Abraços
Namastê!!
Às 23:18 em 27 outubro 2008, Van Luchiari disse...
Lindas palavras, Antonio.
Obrigada por elas.
São lindas.

Beijucas
Às 23:37 em 25 outubro 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Amigo Antonio Carlos. Concordo plenamente sobre nossa (dos brasileiros em geral) falta de conhecimento sobre a Amazônia. São tantas as lendas, as informações apenas exóticas, que para nós do Sudeste-Sul a região aparece como um quebra-cabeça onde faltam peças.
Sinceramente, eu tenho dificuldade em pensar o Brasil como conjunto, tão grande é a diferença entre minha realidade regional, minha, digamos, "cultura originária", e a da Amazônia. E, como dedico-me a outros aspectos do tema brasileiro, resta-me ler sobre a Amazônia, já que visitá-la fica muito difícil, com a freqüência e duração que eu gostaria. Tenho muitos livros europeus sobre a região, alguns verdadeiramente fantasiosos, outros mais científicos, mas confesso, envergonhado, que não li a maioria.
Como lhe disse, fui amigo do Cláudio e do Orlando Villas Boas, e o Orlando contava uma historieta emblemática: um menino, numa escola em Brasília, nos anos 70, perguntou à professora como era um índio brasileiro. E foi repreendido rispidamente: "Que é isso, menino? No Brasil não existem índios!"
Um ex-reitor da USP disse que o índio era um obstáculo ao desenvolvimento nacional! E o coronel Clodomiro Blois, da FAB, então delegado da Funai em Campo Grande (hoje MS) me interrompeu quando comecei a perguntar-lhe sobre os índios daquela região: "Olha, sou um oficial mecânico da FAB, e estou aqui porque sou amigo do ministro do Interior, que foi meu comandante. Pefunte-me sobre qualquer assunto, menos sobre índio, porque disso não entendo nada."
Desculpe-me os exemplos que fogem ao seu tema específico. Mas demonstram o quanto um tema conexo, como o índio, era desprezado há apenas uns trinta anos. Acho que vc concorda que para se entender a Amazônia seja fundamental conhecermos melhor seus habitantes mais antigos, donos de um saber imemorial. Saber este que desaparece com eles, geralmente sem registro.
Enfim, caro amigo, como leigo só posso ajudá-lo a defender a bandeira: estudemos a Amazônia e seus povos! É uma exortação, mas também uma cobrança que faço a mim mesmo.
Prossigamos na troca de idéias, para mim muito proveitosa.
Um abraço.
Às 23:49 em 4 outubro 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Muito importante a sua área de estudos e desejo-lhe todo sucesso. Pouco sei sobre a Amazônia, mas fui muito amigo de Orlando e Cláudio Villas Boas que, como vc sabe, passaram a maior parte de suas vidas no Xingu, e conheceram bem aquela região de transição do serrado para a floresta propriamente dita. Devo a eles meu profundo respeito pela Amazônia e seus povos, índios ou mesclados.
Como vc está próximo (na Amazônia nada é "próximo, eu sei...rsrs) das fronteiras Sul e Norte do Brasil, sempre poderá contribuir para nosso grupo "La Pátria Grande". Aliás, a Amazônia estende-se por vários países vizinhos, não é?
Felicidades no seu trabalho, que desejo conhecer melhor, e sinta-se à vontade para colocar textos e imagens lá no grupo, se achar pertinente. Um abraço.
Às 16:01 em 4 outubro 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Olá Antonio Carlos! Sou jornalista, e criei o grupo "La Pátria Grande", nesta comunidade, para trocarmos idéias sobre Cultura em geral, política, viagens e tudo que se refira aos países da nossa América Latina. Caso compartilhe desses interesses, convido-o a participar. Um abraço.
 
 
 

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