Carlos Alberto Passos da Silva Pinto
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Discussões de Carlos Alberto Passos da Silva Pinto

Carnaval de Salvador

Started 29 Mar, 2011

AS CORDAS
1 resposta 

Iniciou esta discussão. Última resposta de Carlos Alberto Passos da Silva Pinto 19 Fev, 2009.

ESTOURO DA BOIADA
2 respostas 

Iniciou esta discussão. Última resposta de Carlos Alberto Passos da Silva Pinto 4 Fev, 2009.

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Informações do Perfil

Profissão
Produtor cultural, ator, diretor de shows, jornalista
Nassif: desde àquela época já existiam os puxa-sacos. E O Roberto Roberto Martins já sabia. Veja a letra toda: “lá vem o cordão dos puxa-sacos/dando vivas aos seus maiorais/quem está na frente é passado para trás/e o cordão dos puxa-sacos/cada vez aumenta mais/Vossa Excelência/Vossa Eminência/quanta referência/nos cordões eleitorais/mas se o doutor cai do galho e vai pro chão/a turma logo evolui de opinião/e o cordão dos puxa-sacos/cada vez aumenta mais”. Atualissimo. A frase “a turma logo evolui de opinião” pode referendar políticos que mudam de ideais, de partidos, ao sabor das conveniências. Basta o doutor cair do galho (por exemplo, perder uma eleição), que esse tipo de político cai bajular outras excelências. Um abraço.





Um pesadelo de Carnaval (Eugênio Bucci)

Políticos e celebridades disputam seus lugares nos camarotes de luxo. Tudo outra vez como das outras vezes. Vestirão camisetas estampadas com logotipos de cerveja e beberão cerveja com modelos-manequins que não usam nada por baixo da camiseta. Atores da Globo, diplomatas, bicheiros, autoridades, garçons, guitarristas, estelionatários, cantoras vindas diretamente da Europa, traficantes, parlamentares, banqueiros, duplas sertanejas e escroques internacionais vão beber, beber até cair. É a confraternização – palavra que foi inventada para ser pronunciada pela voz empapada dos demagogos grogues -, é a “gonvradernizazão”, como eles dizem, do “bovo braslero”. Nos camarotes se festeja a promiscuidade pátria, pois os camarotes são o prolongamento da Casa Grande.

A avenida é o terreiro. O caminho que vai da senzala, a terra batida que os escravos palmilham com gratidão, o caminho que lhes foi concedido pelo sinhô em servidão de passagem. Esse rito encenado anualmente em tantas cidades e exibido com tamanho gáudio pelas redes de televisão é apenas mais uma das muitas faces da opressão em negativo. Ali não se mostra o talento do povo, mas a submissão dos que foram condenados a andar nos trilhos. O gelo seco, as lantejoulas de um verde amazônico, a passista de sandália dourada, o carnavalesco espalhafatoso dizendo frases que ele mesmo não entende, a indústria do turismo e suas montanhas de dinheiro que vão para o camarote do sinhô, e que de lá não saem, as dezenas de milhares de figurantes que atuam sem ganhar um prato de comida, os integrantes da bateria que deixam os dedos em carne viva em troca do aplauso das madames, em troca de um close na televisão: o Carnaval assim é a continuação do trabalho escravo.
Eu vejo os desfiles na televisão e tenho vontade de chorar.

Eu olho a TV e enxergo os cenários. Sambódromos. São Paulo, que era o túmulo do samba até ser superado nessa condição pelas betoneiras desse gênero sintético dos “sambas-enredos”, estes sim, a urna mortuária gingado, e o Rio de Janeiro, que viu a cultura popular do carnaval ser degradada em indústria cultural escravocrata, as duas metrópoles têm seus sambódromos. São monumentos ao cinismo. Sambódromos são avenidas falsas, palcos de um faz-de-conta. Um carnaval de rua no sambódromo é algo tão sem sentido quanto uma passeata num “passeatódromo” ou uma greve no feriado. Os sambódromos são a materialização do vazio social reservado a esse tipo de festa encenada: eles são o lugar concreto, físico, que abriga aquilo que não pode mais ter lugar na cidade. Os sambódromos existem para que a “cultura popular” (expressão já sem cabimento) agora industrializada, não atrapalhe o tráfego. Sambódromos são cidades cenográficas, só existem para passar na televisão. Ao fundo, o símbolo do Mc Donald’s involuntariamente recriada pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Eu olho os corpos das pessoas. Os corpos são corpos mas não são pessoas. Os corpos são lugares para a falsificação da alegria. São “alegriódromos”. Os corpos só tremulam quando ungidos pelos holofotes, o sopro que lhes dá vida. O mestre-sala rodopia sorridente para saudar o prefeito. Os corpos ligam e desligam. Resta aos tamborins o domínio da cena. Os tamborins não são mais objetos inanimados. Parecem mover-se por iniciativa própria, como num desenho de Disney; sobrepujam com sua alma metálica os humanos inexpressivos ou, mais exatamente os “alegriódromos” ambulantes. E eternos. Os “alegriódromos” não envelhecem, artificiais que são. A mulata globeleza, de curvas cibernéticas fosforescentes, sorri desde sempre feito um holograma frígido e luzidio, uma boneca intangível, precursora das heroínas de videogame. Ela quer beijar-me para me transformar num chip. Se é que já não sou um chip.
Meu comentário: a Bahia caminha (se é que já não caminhou) a passos largos na mesma direção. O sorriso amorfo e sintético de Bel do Chiclete (como se estivesse gozando com a nossa cara) prova isso. A música deixou de existir. Os cantores (as) berram, pedem para levantar as mãozinhas, sair do chão (levitar?), e autoritariamente insistem para que o público cante e decore as letras. Claro, alienar e vender mais cds. Haja dinheiro para sustentar tanto lixo cultural. A invasão e depredação do espaço público, sem nenhuma contrapartida. O resto é cacete no populacho, que sem dinheiro, ousa brincar o carnaval. Tem mais é que catar latinha. Só que com a crise o preço da latinha despencou. E todos estão voltando à miséria total. Mas temos que ter cuidado com o ESTOURO DA BOIADA.

Se há algo que marca profundamente ( e envegonha o carnaval baiano) são as cordas e seus 'cordeiros' que as sustentam, delimitando o espaço daqueles que podem pagar para desfilar nos trios-elétricos e a maioria da população - chamados ironicamentes de 'pipocas' - esprimidos em pequenos espaços, sofrendo todo tipo de agressão. O carnaval tornou-se uma verdadeira mina de ouro para alguns empresários e artistas, que usam e abusam de valores que o Estado tem por obrigação oferecer à população: vias públicas obstruidas por um mês (montagem e desmontagem dos camarotes é o tempo que leva), desconforto dos moradores onde reina a folia, iluminação pública, trânsito caótico, mobilização de todo o aparato policial e de saúde, limpeza pública, os hospitais etc..Quer dizer: quem mais investe é o governo e o retorno é quase nulo. E a festa só acaba quarta-feira de cinzas à tarde.
O mais triste são os 'cordeiros': invizíveis, esfolam as mãos, se alimentam de sanduiches vagabundos, batem a apanham para manter o apartheid social. E na quinta-feira somamos o número de mortos e feridos.

Olhem o que o Presidente da SALTUR (órgão responsável pelo carnaval), Sr. Tinoco, disse numa entrevista ao jornal A Tarde: “A expectativa é de um investimento em torno de R$ 30 milhões na infraestrutura da festa. Arrecadamos R$ 5.5 milhões de três patrocinadores – Banco Itaú, Nova Schin e Nextel. E esperamos fechar outros contratos menores...”

Entrevista dada no último dia 15 de fevereiro. Ora bolas, contratos menores já foram feitos com as três empresas acima citadas. O grande contrato já foi feito com o nosso dinheiro: 24 MILHÕES E QUINHENTOS MIL REAIS. Para deleite e lucro (e ponha lucro nisso!) dos ‘donos’ do carnaval baiano.


Blog de Carlos Alberto Passos da Silva Pinto

Girias

Marcia: muito bom sua pesquisa sobre gírias. Não sabia que você era baiana não. Ficaram faltando duas que os baianos conhecem muito bem: RETADO e XIBUNGO (ou chibungo). Essa tem uma sonoridade assustadora. Um abraço, Carlos Alberto

Postado em 28 fevereiro 2009 às 15:33 — 1 Comentário

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Às 0:03 em 21 junho 2009, Helô disse...
Oi, Carlos Alberto
Obrigada pelo comentário no post do Chico. Gostei das opiniões diversas e sinceras.
Abraços.
 
 
 

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