Denise Ribeiro
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Crônica de Denise Ribeiro

Vento na cara

Na encruzilhada das escolhas, é preciso medir, pesar, ousar antes que seja tarde demais.

 

“Meus pêssegos na fruteira não têm nada de morto, são pura expressão de vida, exibindo sem pudor sua luxúria amarelo-avermelhada”


Ai, ai...sol, verão, coisa boa, chuva de fim de tarde, pancada forte que leva os detritos da rua e lava a minha alma. Cheiro de chuva. Caminhar por aí e de repente ser surpreendida por torrentes de água, despejadas do céu sem a menor cerimônia e sem a menor chance para o guarda-chuva chinês, desses de 5 reais, que serve ao menos para cobrir minha cabeça. Serve nada, um vento forte vira ele do avesso, as varetas parecendo geléias de metal prontas a escorrer do nylon que as sufoca.


Chuva pedida, esperada. Eu gosto, me dá um frisson...O mormaço toma conta dos dias, das tardes, a gente se arrasta pelas horas sem outra vontade que não a de escapulir da prisão-escritório. Quem merece relatórios, cálculos vetoriais, acordos venais? Quem se conforma com sorrisos medidos, figurino insosso, conference calls com Nova York?
Não eu, nem eu, menos eu e mais meia dúzia de loucos varridos, afeitos ao pulsar dos relacionamentos, dependentes químicos da adrenalina-liberdade. Ir e vir, sem pressa nem hora, embaçar na cama, se nutrir, no café da manhã, com um livro novo, a doçura do pêssego e o olhar pidão do seu cachorro.


É tempo de pêssego, sabia? Variados, coloridos. Prefiro os suculentos, casca aveludada de arrepiar a garganta, delicados quando maduros, macios, quase escandalosos em sua beleza plástica. Modelos de natureza morta. Morta? Nunca concordei com esse termo; meus pêssegos na fruteira não têm nada de morto, são pura expressão de vida, exibindo sem pudor sua luxúria amarelo-avermelhada. Uma dentada e o prazer, que explode, alaga minha boca de carne e mel.


Natureza morta é o atropelo dos dias, o congestionamento angustiante, o sexo mecânico, a falta de alegria. Tédio, tédio, tédio. Tédio que te obriga a se afundar no trabalho para não ter de encarar sua covardia existencial. Que te afaga o ego com brinquedinhos caros e inúteis, cenouras amarradas à sua frente te obrigando a trabalhar mais e mais e mais. Recompensas, recompensas, você especial, você exclusivo, você premium. Você, menino-menina, perdido na floresta das conquistas, louco pra encontrar o caminho de casa.


Vem, menino, que eu te mostro a estrada e sigo com você. Vem que eu te afago bem de leve, te preparo um piquenique com meus pêssegos e te sirvo um beijo com a doçura deles. Vem que eu te ensino o prazer do vento na cara, do andar a pé, da agenda vazia, da tarde repleta de amor. Vem que eu jogo fora seu notebook, sua pressa insana, seu blackberry, sua fome de afeto. Jogo fora também meu guarda-chuva. Porque afinal é verão e não tem nada melhor para revigorar a alma do que se encharcar de sonhos e incertezas.

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Postado em 5 janeiro 2010 às 1:30

Caixa de Recados (12 comentários)

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Em 1:00pm on maio 19, 2011, Raissa Diniz deu para Denise Ribeiro um presente...
Presente
Coisas da vida, não é mesmo? Tem períodos em q o Tempo fica de mal de nós, então, ele nos imprensa de1maneira q nos obriga a surgimos ausentes até de nossos+indistanciáveis amigos.Ê vida!AbraçU2!
Em 11:18pm on março 08, 2011, Raissa Diniz deu para Denise Ribeiro um presente...
Presente
Parabéns a nós todas por termos nascido mulheres! Amadas, lindas e vermelhas! :D \o/
Às 0:47 em 28 janeiro 2011, Antonio C., J disse...

Ola,   tudo bem ?

   abraços.

Em 2:06pm on dezembro 25, 2010, Raissa Diniz deu para Denise Ribeiro um presente...
Presente
"Que Deus nos dê saúde pra encarar todos os contratempos e vicissitudes que a vida nos coloca à frente e nos dê fé para nunca fraquejar diante de um obstáculo. No restante, a gente se vira." Abraço!
Às 21:54 em 16 dezembro 2010, Antonio C., J disse...

Ok.

.

bjos.

Em 8:49pm on dezembro 15, 2010, Antonio C., J deu para Denise Ribeiro um presente...
Presente
Ola Um grande abraço. .
Em 2:34pm on dezembro 08, 2010, Raissa Diniz deu para Denise Ribeiro um presente...
Presente
Ah se eu pudesse presentear diariamente a todos os meus amigos! Faço o que posso como posso.Tenha uma ótimasemana (vá lá que já é quarta-feira..Rá!) AbraçU2! Saúde e sorte!
Às 11:54 em 8 dezembro 2010, jose luiz ribeiro da silva disse...
será um prazer, sempre. bjs. zé
Às 21:32 em 7 dezembro 2010, jose luiz ribeiro da silva disse...
Gostei da crônica. As intensões do camioneiro como do camionteiro são as mesmas, o que não a impede de fazer um "pacto social" e ver a qual do dois mundos ela pertence, pois parece que ambos são idealizados pela personagem, numa mescla de culpa e reparação nas relações amorosas.
 
 
 

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