O PODER POLÍTICO MUDOU DE LADO NA AMÉRICA LATINA
Não é necessário ser cientista social para entender que o poder político nos principais países da América Latina saiu das mãos dos grupos mais vinculados às elites tradicionais da região, defensoras dos interesses das minorias ricas e da submissão irrestrita no plano externo à hegemonia dos Estados Unidos, deslocando-se para a Esquerda em favor das forças mais afinadas com os interesses do povo e, em conseqüência, de maior autonomia na defesa dos interesses nacionais.
A pressão sistemática que a grande mídia de nossos países e dos Estados Unidos fazem contra os líderes que estão à frente desse processo é fato insofismável, não menos evidente é que o fazem ardilosamente em nome dos valores democráticos para os quais nunca tiveram tanto respeito e admiração no passado, quando apoiaram abertamente golpes de estado e invasões pelos marines, para impedirem a ascensão de governos populares. Nunca faltou às ditaduras anteriormente instaladas em muitos de nossos países, com o apoio aberto ou disfarçado dos Estados Unidos, a cobertura da grande mídia, paradoxalmente, também em nome dos valores democráticos “ameaçados pelo comunismo internacional”.
Em nome da Lógica, caberia indagar que valores democráticos são esses que se prestam, tanto para condenar os movimentos políticos que contrariam os interesses das elites tradicionais, quanto para apoiar invasões e golpes de estado que derrubam os governos eleitos constitucionalmente que se afastam da defesa dos interesses dessas mesmas elites.
No melhor dos casos, há algo de equivocado na definição desses valores democráticos, de modo a que sirvam para justificar posições tão contraditórias. Chego à conclusão de que valores democráticos em abstrato não significam muita coisa. O importante mesmo é saber em favor de que interesses concretos os valores democráticos são utilizados. Nos principais países da América do Sul, atualmente, esses valores democráticos estão permitindo a eleição de governantes mais voltados para os interesses das classes populares e menos submissos aos Estados Unidos. São os casos da Venezuela, do Equador, da Bolívia, do Paraguay, da Nicarágua, de Honduras e certamente do Brasil e da Argentina.
É razoável, portanto, que se adote uma atitude crítica em relação ao uso, em termos abstratos, do conceito de democracia. Continua sendo fundamental defender o princípio democrático da alternância do poder, mas não nos termos em que as elites tradicionais da região e seus representantes na grande mídia adotam, porquanto o que têm vista é retomarem o poder político dos representantes do povo e reinstalarem seus representantes nos governos. Mais importante do que a alternância do poder é que o poder seja proveniente do povo e exercido em seu nome. O resto é conversa fiada que pode agradar aos ouvidos de juristas formais, mas que não respondem aos interesses concretos do povo.
O que é de admirar, atualmente, é que pessoas cultas, auto-intituladas intelectuais, aceitem acriticamente o discurso da grande mídia e incorporem suas vozes ao coro desafinado que a grande mídia vem orquestrando contra os governos dos países acima mencionados. Esses “intelectuais” ou têm interesses muito concretos vinculados as elites tradicionais, caso em que cabe discordar deles, mas respeitar suas opções políticas, ou são simplesmente pessoas bem intencionadas, mas que lhes faltam capacidade de reflexão para entender o mundo contraditório em que vivemos e que se submetem facilmente aos ditames da “indústria cultural” de que falava Adorno. É realmente, lamentável, tomar conhecimento do que atualmente pensam essas pessoas, críticas acerbas de nossos atuais governos, porém com argumentos que deixam muito a desejar, pois são cópias mal digeridas do que diz a grande mídia. Pobres senhores, lhes falta o discernimento para entender o que está ocorrendo na América Latina e se dedicam à atividade “niilista” de combater o que existe de bom nos atuais governos e de fomentar a volta ao poder das elites tradicionais.
Brasília, 18 de outubro de 2009
Flavio Lyra
Blog de Flavio Tavares de Lyra
A experiência passada na concessão do prêmio Nobel, particularmente no campo da Economia, em várias oportunidades tem mostrado que os escolhidos para a polpuda homenagem não têm contribuído de forma relevante para o real entendimento da realidade econômica do mundo, aparecendo mais como porta-vozes da ideologia dominante nos países capitalistas avançados. No campo das contribuições para a Paz também tem ocorrido semelhantes desvios. O prêmio concedido a Shimon Perez e a Arafat é um desses exempl…
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Postado em 12 dezembro 2009 às 2:04 ‚Äî
UMA BURCA PARA GEISEY
Miguezim de Princesa
I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.
II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"
III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,…
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Postado em 17 novembro 2009 às 14:44 ‚Äî 2 Comentários
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Agradeço a confiança, de há muito depositada neste seu companheiro de estudos e bons propósitos. Sua expectativa é muito grande. Espero poder atendê-la, no que de socialmente importante ela tem, usando os instrumentos das letras e tintas que a inovação dos Blogs nos permite, sem exageros.
Um abraço,
Otamar
Parece piada pronta: a rua em que Ruy viveu chama-se Holland. O lugar é Park e Garden, ao mesmo tempo. É muito interessante e, desculpe-me, engraçado. Vc tb deve rir desta casualidade.
Eu vou conferir, talvez no ano que vem. Eu passo uns meses por ano na Holanda e dali visito outros países. A Grã-Bretanha é muito próxima, não é mesmo? Posso ir de barco, de trem, de carro, e Londres está a, no máximo, quatro horas de Roterdã. Avião demora mais um pouco...
Apareça sempre, quero sua amizade, te convido para o grupo "La Pátria Grande", que tem wonderful material about Latin America.
Obrigado por incluir-me no grupo. Tenho andado meio afastado das notícias e sinto falta de um bate-papo como nos bons tempos. Será uma boa oportunidade para atualizar-me e trocar idéias. Um grande abraço, Luigi