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Luiz Eduardo Brandão
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UNS VERSOS QUAISQUER

Henti Matisse, A janela aberta

Vive o momento com saudade dele
Já ao vivê-lo . . .
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos . . .

Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago
Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
E que a nossa consciência de nós seja
Uma cousa que nada já deseja . . .

Assim idênticos à hora toda
Em seu pleno sabor,
Nossa vida será nossa anteboda:
Não nós, mas uma cor,
Um perfume, um meneio de arvoredo,
E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .

Porque o que importa é que já nada importe . . .
Nada nos vale
Que se debruce sobre nós a Sorte,
Ou, tênue e longe, cale
Seus gestos . . . Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . . .
Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . .

(Fernando Pessoa, 11.10.1914, in Cancioneiro)

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Blog de Luiz Eduardo Brandão

Luiz Eduardo Brandão

QUEM ESTÁ CONTRA LULA

Do blog do Marcelo Migliaccio no JB online:

Os dois tipos que não gostam do Lula

04/10/2009 - 00:10 | Enviado por: Migliaccio

Quando vejo pessoas falando do mal do presidente Lula, tenho, sinceramente, pena delas.

Pena porque falam mal dele por duas razões. Ou são céticas ou preconceituosas.

Das céticas tenho pena porque a mais incrível das capacidades humanas é sonhar. E o cético não sonha. Provalmente, se decpcionou tanto na vida que se recusa a acreditar que possa acontecer alguma… Continuar

Postado em 4 outubro 2009 às 21:38 ‚Äî 1 Comentário

Luiz Eduardo Brandão

OS BISCOITOS GLOBO

Do blog Rio Acima, do Marcelo Migliaccio.
http://www.jblog.com.br/rioacima.php?itemid=15402


A praia do carioca começa na Lapa

07/09/2009 - 15:36 | Enviado por: Migliaccio



São 4h50 da madrugada na escura Rua do Senado, na Lapa. Até os mais renitentes boêmios já entregaram os pontos. Não se vê viva alma, a não ser em frente ao sobrado número 273, onde cerca de 50 pessoas aguardam a abertura da… Continuar

Postado em 29 setembro 2009 às 20:53 ‚Äî 3 Comentários

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Às 14:34 em 22 novembro 2009, Simone-rj disse...
Conheci Fiama lendo "Barcas Novas", especialmente o poema do mesmo nome, em que a autora recria magistralmente uma cantiga de amigo de João Zorro, contextualizando-o nos anos 60. Não sei o que dizer dela, pra mim é o máximo da literatura de Portugal, tanto como poeta como ensaísta (para quem quiser ler sobre Camões: "O labirinto camoniano e outros labirintos", da autora).

O Nome Lírico

Esta manhã
hoje
é um nome.
Nem mesmo amanheceu
nem o sol
a evoca.
Uma palavra
palavra só
a ergue.
Como um nome
amanhece
clareia.
Não do sol
mas de quem
a nomeia.

A porta branca

Por detrás desta porta,
uma de todas as portas que para mim se abrem e se fecham,
estou eu ou o universo que eu penso.
Deste meu lado, dois olhos que vigiam
os fenómenos naturais, incluindo a celeste mecânica
e as sociedades humanas, sedentárias e transumantes.

Mas podem os olhos fazer a sua enumeração,
e pode o pensado universo infindamente ir-se,
que para mim o que hoje importa
é aquela olhada vaga porta.

Que ela seja só como a vejo, a porta branca,
com duas almofadas em recorte,
lançada devagar sobre o vão do jardim,
onde o gato, por uma fenda aberta
pela sua pata, tenta ver-me,
tão alheio a versos e a universos.

Cada voz tem o seu contraponto

Cada voz tem o seu contraponto
num ruído natural. Cada silêncio,
no silente espaço que rodeia, por vezes,
cada coisa. À beira do berço as bocas
percutem sobre a criança. Depois, no sono,
abrem-se como qualquer flor. Sobre
os cílios da adolescente tecem frases.
À beira do berço as bocas
percutem sobre a criança. Depois no sono
adensam-se como qualquer árvore. Sobre
os cílios da adolescente tecem frases.
Cada silêncio corporiza-se no espaço.
As coisas têm eixos e rodam
com ruídos diferentes do seu nome.
E o Sol tramonta entre vestígios,
além dos montes e vales e o mar.
E o Sol tramonta sobre as nossas casas
e os montes e vales e o nosso mar.
Quando um verso marca o lugar das coisas.

Da Sophia do Mello Breyner:

No poema

Transferir o quadro o muro a brisa
A flor o copo o brilho da madeira
E a fria e virgem limpidez da água
Para o mundo do poema limpo e rigoroso
Preservar de decadência morte e ruína
O instante real de aparição e de surpresa
Guardar num mundo claro
O gesto claro da mão tocando a mesa.


Arte Poética

A dicção não implica estar alegre ou triste
Mas dar minha voz à veemência das coisas
E fazer do mundo exterior substância da minha mente
Como quem devora o coração do leão
Olha fita escuta
Atenta para a caçada no quarto penumbroso

Esta gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre


Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo.
Às 22:09 em 13 novembro 2009, Luiz Eduardo Brandão disse...
Vi hoje o seu video-foto, ficou muito legal. Gozado estava aqui matutando num título para botar num desses livrinhos infantis, achei um que não sei se me levou a outro grupo mais ou menos dessa época, ou vice-versa: o nome do grupo me levou à palavra. O mais provável é que tenham sido as duas coisas ao mesmo tempo. Vim aqui para procurar no You Tube alguma coisa das frenéticas e descobri sua mensagem com o vídeo. Não conhecia. Muito legal. Obrigado e um beijão.
Às 21:17 em 13 novembro 2009, Helô disse...
Oi, Dudu
Tudo bem por aí? Desde ontem, ouço o casal Tuck & Patti que descobri lá nos anos 80. Deixo uma bela música e desejo-lhe um bom fim de semana.
Beijos.
Às 20:06 em 13 novembro 2009, Paulo Sergio Pereira da Silva disse...
Luiz, eu também perdi minha própria discussão. Muita prova para corrigir. Mas voce pode requentar a dita, não é?
Às 0:32 em 27 outubro 2009, Helô disse...
Dudu, logo após o último comentário no post, há uma caixa em branco pra você responder. Acima dela está escrito: Adicione um comentário.
 
 

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