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Luiz Eduardo Brandão
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Iniciou esta discussão. Última resposta de Luiz Eduardo Brandão 1 Nov.

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UNS VERSOS QUAISQUER

Henti Matisse, A janela aberta

Vive o momento com saudade dele
Já ao vivê-lo . . .
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos . . .

Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago
Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
E que a nossa consciência de nós seja
Uma cousa que nada já deseja . . .

Assim idênticos à hora toda
Em seu pleno sabor,
Nossa vida será nossa anteboda:
Não nós, mas uma cor,
Um perfume, um meneio de arvoredo,
E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .

Porque o que importa é que já nada importe . . .
Nada nos vale
Que se debruce sobre nós a Sorte,
Ou, tênue e longe, cale
Seus gestos . . . Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . . .
Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . .

(Fernando Pessoa, 11.10.1914, in Cancioneiro)

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Luiz Eduardo Brandão

BOAS FESTAS


Georges de La Tour, A adoração dos pastores, Museu do Louvre

BOAS FESTAS E UM ESPLÊNDIDO 2010 PARA TODOS

Postado em 18 dezembro 2009 às 20:13 ‚Äî 1 Comentário

Luiz Eduardo Brandão

As imagens podem enganar

Afinal, as imagens falam ou não falam por si?


Postado em 2 dezembro 2009 às 11:09 ‚Äî 3 Comentários

Caixa de Recados (64 comentários)

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Às 14:34 em 22 novembro 2009, Simone-rj disse...
Conheci Fiama lendo "Barcas Novas", especialmente o poema do mesmo nome, em que a autora recria magistralmente uma cantiga de amigo de João Zorro, contextualizando-o nos anos 60. Não sei o que dizer dela, pra mim é o máximo da literatura de Portugal, tanto como poeta como ensaísta (para quem quiser ler sobre Camões: "O labirinto camoniano e outros labirintos", da autora).

O Nome Lírico

Esta manhã
hoje
é um nome.
Nem mesmo amanheceu
nem o sol
a evoca.
Uma palavra
palavra só
a ergue.
Como um nome
amanhece
clareia.
Não do sol
mas de quem
a nomeia.

A porta branca

Por detrás desta porta,
uma de todas as portas que para mim se abrem e se fecham,
estou eu ou o universo que eu penso.
Deste meu lado, dois olhos que vigiam
os fenómenos naturais, incluindo a celeste mecânica
e as sociedades humanas, sedentárias e transumantes.

Mas podem os olhos fazer a sua enumeração,
e pode o pensado universo infindamente ir-se,
que para mim o que hoje importa
é aquela olhada vaga porta.

Que ela seja só como a vejo, a porta branca,
com duas almofadas em recorte,
lançada devagar sobre o vão do jardim,
onde o gato, por uma fenda aberta
pela sua pata, tenta ver-me,
tão alheio a versos e a universos.

Cada voz tem o seu contraponto

Cada voz tem o seu contraponto
num ruído natural. Cada silêncio,
no silente espaço que rodeia, por vezes,
cada coisa. À beira do berço as bocas
percutem sobre a criança. Depois, no sono,
abrem-se como qualquer flor. Sobre
os cílios da adolescente tecem frases.
À beira do berço as bocas
percutem sobre a criança. Depois no sono
adensam-se como qualquer árvore. Sobre
os cílios da adolescente tecem frases.
Cada silêncio corporiza-se no espaço.
As coisas têm eixos e rodam
com ruídos diferentes do seu nome.
E o Sol tramonta entre vestígios,
além dos montes e vales e o mar.
E o Sol tramonta sobre as nossas casas
e os montes e vales e o nosso mar.
Quando um verso marca o lugar das coisas.

Da Sophia do Mello Breyner:

No poema

Transferir o quadro o muro a brisa
A flor o copo o brilho da madeira
E a fria e virgem limpidez da água
Para o mundo do poema limpo e rigoroso
Preservar de decadência morte e ruína
O instante real de aparição e de surpresa
Guardar num mundo claro
O gesto claro da mão tocando a mesa.


Arte Poética

A dicção não implica estar alegre ou triste
Mas dar minha voz à veemência das coisas
E fazer do mundo exterior substância da minha mente
Como quem devora o coração do leão
Olha fita escuta
Atenta para a caçada no quarto penumbroso

Esta gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre


Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo.
Às 22:09 em 13 novembro 2009, Luiz Eduardo Brandão disse...
Vi hoje o seu video-foto, ficou muito legal. Gozado estava aqui matutando num título para botar num desses livrinhos infantis, achei um que não sei se me levou a outro grupo mais ou menos dessa época, ou vice-versa: o nome do grupo me levou à palavra. O mais provável é que tenham sido as duas coisas ao mesmo tempo. Vim aqui para procurar no You Tube alguma coisa das frenéticas e descobri sua mensagem com o vídeo. Não conhecia. Muito legal. Obrigado e um beijão.
Às 21:17 em 13 novembro 2009, Helô disse...
Oi, Dudu
Tudo bem por aí? Desde ontem, ouço o casal Tuck & Patti que descobri lá nos anos 80. Deixo uma bela música e desejo-lhe um bom fim de semana.
Beijos.
Às 20:06 em 13 novembro 2009, Paulo Sergio Pereira da Silva disse...
Luiz, eu também perdi minha própria discussão. Muita prova para corrigir. Mas voce pode requentar a dita, não é?
Às 0:32 em 27 outubro 2009, Helô disse...
Dudu, logo após o último comentário no post, há uma caixa em branco pra você responder. Acima dela está escrito: Adicione um comentário.
 
 

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