Ricardo Augusto Custodio Souza
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Geólogo com especialização em música

A procura da harmonia perfeita

(artigo publicado no jornal - O Cometa Itabirano - dez/2004)

Um passeio pela sonoridade das cordas mineiras de músicos talentosos, que garimpam acordes e melodias nos meandros musicais que brotam nas montanhas, valorizando a composição e enriquecendo a música das Gerais com uma proposta diferenciada.

A modernização do Brasil na segunda metade do século XX abriu novos horizontes na cultura popular, trazendo para a música, em particular, contribuições do exterior, principalmente da canção americana e o som das big bands e outras formas de expressão do jazz. As harmonias deste gênero foram incorporadas ao já bem estabelecido samba, na batida sincopada de João Gilberto e outros músicos. A explosão da música pop, com o surgimento dos Beatles, abriu novas perspectivas para a música no mundo inteiro e, no Brasil, possibilitou o surgimento do som do antológico “Clube da Esquina”. Este grupo de músicos mineiros, com destaque para Milton Nascimento (que ilumina a música mineira com sua voz única e suas belas composições), soube absorver estas influências da música do mundo em composições ricas de brasilidade, quase sem enveredar pelo “batuque expansivo” de compositores de outros lugares (como os praianos baianos e cariocas).

O som dos mineiros tem se destacado no cenário musical brasileiro, através da edificação de uma escola informal, na qual diversos instrumentistas de gerações subseqüentes, dos anos 60 em diante, tem construído um jeito mineiro de compor e tocar violão e guitarra. Uma mistura de ritmos brasileiros, como o samba (comumente na sua versão bossa nova), o baião e a toada (de origem rural interiorana) com ingredientes jazzísticos e pitadas beatlemaníacas. A valorização das harmonias sofisticadas contrapõe com a levada tranqüila da música composta nas encostas das serras que emolduram a paisagem interiorana.

O pioneiro desta vertente musical deve ter sido Chiquito Braga, que transitou pelos bailes da vida nos anos 50, migrando para o cenário embrionário das Orquestras de TV e estúdios de gravação no Rio de Janeiro na década de ouro da Bossa Nova. Esta bagagem possibilitou um amplo campo de atuação para este músico multi-instrumentista virtuoso, um verdadeiro mestre das cordas (violão, guitarra, cavaquinho, bandolim e viola). Seu talento tem estado a serviço de grandes artistas há décadas, influenciando decisivamente a geração seguinte dos violonistas mineiros, cujo maior expoente é Toninho Horta.

Sobre Toninho Horta muito já se comentou, sendo a maior referência do “som mineiro”, e a cada nova apresentação ou gravação pode-se perceber novos traços de sua genialidade. Escultor dos acordes sofisticados, cuja autoria é identificável na primeira audição, repletos de dissonâncias e notas de tensão, interessa-se mais pelo conjunto musical, direcionando sua criatividade para os arranjos e evitando o lugar comum nos instrumentos que domina – violão e guitarra – tudo realizado dentro de uma concepção jazzística de harmonização, rica em chord melodies e molho rítmico brasileiro. Músico com inúmeros fãs no Brasil e no mundo, foi reconhecido por diversas vezes como um dos maiores estilistas na guitarra. Outro mérito de TH é ter organizado o “I Seminário brasileiro de música instrumental” em Ouro Preto (1986), reunindo os grandes instrumentistas brasileiros e estudantes num evento histórico para a música nacional. Numa nova “empreitada” de peso, Toninho tem se dedicado a reunir um acervo histórico da música popular no chamado Livrão da Música Brasileira – um projeto antigo com o melhor da MPB em partituras cuidadosamente revisadas por ele e equipe (quando será publicado???).

Os irmãos Juarez e Celso Moreira trilham pelo mesmo caminho de Toninho Horta, realizando um trabalho de concepção brasileira-jazzística, com um pouco mais de destaque para o Juarez, mais afeito a registros autorais ou interpretativos em diversos álbuns primorosos. Um grande compositor das melodias simples e cantadas e harmonias elaboradas, JM tem também gravado obras de grandes compositores brasileiros. Os arranjos para violão-solo registrados no seu último CD são antológicos. O mano Celso tem participado intensamente da cena musical de BH há muitos anos, porém sem ter nos brindado com um álbum próprio (vai uma sugestão de fã...). Sua guitarra jazzy sempre foi ótima companhia de grandes artistas mineiros, além das memoráveis apresentações em trios (mais baixo acústico e bateria) nas casas noturnas de BH.

O baixista Yuri Popoff, mineiro de Montes Claros tem destaque como instrumentista e, principalmente, como compositor de temas emotivos e harmonicamente ricos. Depois de anos a fio na banda de Toninho Horta – a “Orquestra Fantasma” – ele tem atualmente desenvolvido uma pesquisa interessantíssima de timbres nos contrabaixos fretless (sem trastes) de 4, 5 e 8 cordas. Estes timbres estão registrados em seus álbuns-solo (“Catopé” e “Era Só Começo”).

Outra dupla de irmãos que tem se destacado é a de Pitangui – os manos Beto e Wilson Lopes. Estes músicos absorveram as influências jazzísticas dos músicos da geração anterior e acrescentaram outros ingredientes, regionais (sons de viola caipira e temas regionais “caipiras-folclóricos”) e universais (acento rock-fusion nas escalas e timbres de guitarra), claramente expostos nos álbuns solo e no excelente registro-tributo instrumental a Bituca. Os irmãos Lopes se destacam pela versatilidade, acompanhando um grande número de artistas mineiros, consagrados ou iniciantes.

A técnica violonística é notável em Gilvan de Oliveira, músico obstinado pela execução cuidadosa do instrumento. Seus longos anos de dedicação ao violão proporcionaram grandes momentos em interpretações de temas de Baden Powel, Jobim, Villa-Lobos, ou em suas composições mais inspiradas, baseadas em ritmos brasileiros como o samba (Noturno de BH) e o xote (o delicioso Xote das Crioulas). O Gilvan se destaca também nas atividades de professor e diretor de escola de música, em projetos de teatro e trilhas sonoras.

O mineiro de Guanhães, Weber Lopes, tem trilhado um caminho semelhante ao de Gilvan, como instrumentista refinado de formação erudita, bom gosto brasileiro e influências jazzísticas. Um músico de linguagem universal, bastante requisitado como sideman de cantoras mineiras. Seu álbum solo é uma obra-prima de climas musicais mineiros e universais (Beatles com Seresta mineira...).

Muito mais poderia se escrever sobre estes músicos e sobre a leva mais recente de instrumentistas das Gerais. A continuidade deste passeio fica para uma próxima ocasião, não sem mencionar alguns nomes de mineiros que amadureceram o som fora das montanhas mineiras, como o “monstro da guitarra” Nelson Faria (um músico plural que se expressa bem em diversas linguagens musicais), e valores como os dos violonistas Geraldo Vianna, Caxi Rajão e Kristoff Silva, os guitarristas Magno Alexandre, Giuliano Fernandes, Affonsinho e Rogério Delayon (estes dois últimos cada vez mais “possuídos” pela MPB), os baixistas Ezequiel Lima, Ivan Correia, Kiko Mitre e Enéias Xavier, os violeiros Renato Andrade, Chico Lobo, Pereira da Viola, Ivan Vilela e Tavinho Moura, e demais não mencionados que também seguem nesta incessante busca pela harmonia dos sons...


ALGUNS MOMENTOS INESQUECÍVEIS DAS CORDAS MINEIRAS:

1 – A guitarra de Toninho no temas Trem Azul (do Lô – álbum Clube da Esquina), Era Só Começo o Nosso Fim (do Yuri – 2o. álbum do Toninho Horta), Vento (dele próprio – mesmo álbum) e Brejo da Cruz (do Chico – álbum Toninho Horta e Carlos Fernando);

2 – A harmonia angulosa de Beijo Partido, Aqui Ó e Pedra da Lua (esta última no registro do duo de violões de TH e Pat Metheny – álbum Moonstone);

3 – O baixo do Yuri na introdução de Diamantina (de JM na gravação de TH – álbum Diamond Land) e no groove-ostinato de Viver de Amor (de TH – 1o. álbum de TH);

4 – Juarez Moreira ao violão-solo interpretando Passarim e Sabiá (de Jobim – álbuns Nuvens Douradas e Violão Solo - respectivamente) e Choro de Mãe (do Wagner Tiso – álbum Violão-Solo);

5 – O achado de Baião Barroco, do Juarez, com banda (1o. álbum) ou no trio de violões dele com TH e CB (álbum Quadros Modernos - pura inspiração de um legítimo herdeiro de Villa-Lobos);

6 – A melodia de Choro para Piazolla (álbum Samblues) e Chora Jazz (1o álbum), ambas de JM;

7 – Os improvisos modais-jazzísticos de CB no disco do trio TH, JM E CB (álbum Quadros Modernos) e no segundo álbum do Guinga (Delírio Carioca);

8 – Os arranjos de violão de Gilvan de Oliveira para Berimbau e Para Lennon e McCartney, e o seu ótimo Xote da Crioula, um tema nordestino repleto de escalas de blues;

9 – A cumplicidade dos irmãos Beto e Wilson Lopes nos arranjos criativos do álbum-tributo a Milton Nascimento (álbum Nossas Mãos);

10 – O tema Sarau Mineiro e o violão malandro no arranjo de Incompatibilidade de Gênios (de João Bosco), por Weber Lopes (no seu álbum Flor do Tempo).

Até a próxima.
Ricardo Souza (*)

(*) – músico amador e garimpeiro profissional (racsouza@gmail.com)

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Às 10:14 em 19 janeiro 2010, Antonio Barbosa Filho disse...
Olá Ricardo! Convido-o a participar do grupo "La Pátria Grande", nesta comunidade. Um abraço.
 
 
 

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