O
Teatro de Revista sempre foi considerado pela crítica do chamado "teatro sério" um gênero menor, cuja única função era entreter o público mais humilde e "inculto". Para esses críticos as Burletas, Comédias Musicais e Revistas eram compostas apenas por "vulgaridades", "palavreado chulo" e piadas de duplo sentido, além de músicas, ritmos e danças de "mau gosto". O público não deu muita atenção a essas advertências e a partir do início do século passado começou a lotar os teatros que se concentravam na Praça Tiradentes e adjacências, no Rio de Janeiro. Logo a Revista conquistaria todo o Brasil.
Para um gênero teatral, o Teatro de Revista teve uma vida bastante curta no Brasil. Desde "
As surpresas do Sr. José da Piedade", de Justino de Figueiredo Novais, em 1859, a "
Tem Banana na Banda", de Paulo Pontes, em 1970 - uma tentativa de recuperar a Revista - foram exatos 111 anos. Mas foi precisamente nesse período que o Brasil construiu sua identidade cultural. Hoje sabemos que a Revista foi decisiva para isso. A música e os ritmos populares que não entravam nas salas das famílias e eram proibidos nos salões das elites arrogantes explodiram nos palcos da Praça Tiradentes. Os tipos e a linguagem das ruas, do povo "inculto", serviam de inspiração para os escritores e letristas e orientavam a interpretação dos cômicos. Pela primeira vez, desde Cabral, o povo era o grande astro dos espetáculos. Era teatro popular genuinamente brasileiro, ainda que sua estrutura fosse baseada no teatro de variedades francês.
A denominação "Teatro de Revista" fixou-se com Artur Azevedo no final do século 19. Artur, sempre em parceria ou com a contribuição de seu irmão Aloísio, escrevia o que se chamou "
Revistas de Ano". Isto é, no início de um ano montava-se uma peça que passava em revista os fatos mais importantes do ano anterior. Sempre com uma abordagem crítica e satírica da política, da vida social e dos costumes. Foi assim, por exemplo, com "O Bilontra", de 1886, que fazia a retrospectiva de 1885.
O grande sucesso aumentou a produção desses espetáculos atraindo novos autores e compositores para o gênero. Em pouco tempo, o que antes era anual logo passou a ser semestral, mensal, semanal. O dia-a-dia do país e das cidades era o tema dos revisteiros. A Revista se transformou num espetáculo dinâmico, ágil e multicultural - texto, música, canto, dança, teatro de variedades - com atualizações às vezes diárias que exigiam muito de escritores, compositores, atores e cantores. Assim foi sobretudo a partir de 1911, com o extraordinário sucesso de "
Forrobodó", texto de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt com música de Chiquinha Gonzaga.
Nas décadas seguintes - anos 20 e 30 - o Teatro de Revista se fixaria como o maior meio de difusão cultural do país. Formava atores e atrizes, revelava escritores, compositores e cantores. Qualquer clássico da nossa música popular anterior a 1940 tem relação com o Teatro de Revista. Isso quando não foi música composta especialmente para o palco. É assim com as obras de Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Ary Barroso, Lamartine Babo, Donga, Sinhô e tantos outros. Ou com atores-cantores como Aracy Côrtes, Carmem Miranda, Francisco Alves, Mesquitinha, Procópio Ferreira, Grande Otelo e Oscarito.
Foi a música que ensejou a criação da Página Teatro de Revista! Cafu postou um vídeo de
Linda Flor (de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto) interpretada por Elis Regina e Sivuca. A Revista estava lá. Poderiam ter sido muitas outras canções. Na troca de mensagens, em pouco tempo reunimos uma quantidade de material que já não cabia mais no curto espaço dos comentários - fotos, vídeos, peças, áudios. Por sugestão da
Helô, cumplicidade de
Cafu,
Laura e
Henrique, e com o apoio do
Nassif, essa página foi criada no Portal.
Passar em "revista" o Teatro de Revista é lançar um pouco mais de luz sobre uma poderosa fonte geradora da nossa cultura. Um gênero que produziu milhares de peças, centenas de canções e revelou muitas dezenas de escritores, compositores, cômicos, atores e atrizes. Os teatros onde brilharam foram quase todos demolidos. Mas ainda existem palcos para eles. Este é um.
por Henrique Marques Porto
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PERIÓDICOS.doc
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Acho que fiz alguma confusão, queria postar algo aqui e saiu no blog..rsrs
Olá, eu sou a neta de um comediante que foi muito famoso, na época dos cassinos e do teatro de revista, conhecido como Príncipe Maluco, cujo nome real era João Petrillo. Ele morreu quando eu ainda era uma criança e tento resgatar sua memória artística, pois um dia, lendo um texto do Nassif de 2004, ele mencionava meu avô como um dos artistas que se perderam no tempo.
Infelizmente o material artístico dele foi extraviado, mas monto um blog e conto com as informações do portal, se puderem me ajudar. Mas quero aqui disponibilizar alguns dados que já coletei.
O Príncipe Maluco foi comediante, compositor, cantor, era um artista completo. Trabalhou na Grande Companhia de Revistas Brejeiras Paradise, junto com Dercy Gonçalves, Celeste Aída, Cole, Hernani Filho, Adelardo de Matos. Também trabalhou com Oscarito, além de inúmeros músicos e compositores. Participou de filmes como "Cousas Nossas" e "Berlim na Batucada". E aqui segue a foto dele:

Príncipe Maluco(João Petrillo)
Estou providenciando outras fotos, assim que tiver, eu disponibilizo aqui! Abraços!
Pessoal....
Estou aqui recentemente... encontrei esse espaço procurando notícias sobre o Teatro de Revista... Adorei conhecer e aprender.
Sou professora de história e estou realizando uma pesquisa sobre uma artista da década de 20 , portuguesa chamada Maria de Lurdes da Costa Cabral. Agradeço.. abraço
Marisa
Anúncio da peça "É de Xurupito!" (1957) - Teatro de Revista de Walter Pinto
O Teatro Oficina e Elaine Cezar
Não tem tamanho o absurdo da decisão de um Juiz da Infância de São Paulo de sequestrar, em nome de sei lá que argumentos, os equipamentos onde estão arquivados cerca de cinquenta anos de história do Teatro
Oficina!
O Teatro Oficina e José Celso Martinez Correia merecem a nossa solidariedade. E estão precisando dela!
Ao fundo da cena, rola o drama que desencadeou tudo: a disputa pela guarda de um menino de três anos, filho de Elaine Cezar, diretora de cena que trabalha no Teatro Oficina. O pai, um ex-ator do grupo, alega que o filho teria sido exposto a cenas de nudes, por ele consideradas "pornográficas". A alegação foi aceita pelo juiz.
O Teatro Oficina não abusa nem seria conivente com abusos contra crianças! O Teatro Oficina só abusa da criatividade. Ainda bem.
Elaine Cezar estaria muito doente, padecendo de leucemia. Está internada numa UTI. Precisa, mais até do que o Oficina, do nosso apoio.
Informações sobre o trabalho de Elaine em http://elainecesar.com/index.html
Seu e-mail é elainecesar@uol.com.br
abraços e um bom Natal a todos.
Henrique Marques Porto
Caros amigos
Importante observar que quando a indústria de gravações de músicas se instala no Brasil, grande parte do repertório gravado teve origem no Teatro de Revista, assim temos gravações da dupla OS GERALDOS, como "A Tacadinha" (música de duplo sentido sobre a sinuca); BAHIANO (o pioneiro em gravações) lançou "O Fresco", a primeira música gay da história da MPB; "O Dueto Alegre do Cozinheiro e a Patroa" com Os Geraldos; e mais tarde o famoso AI IÔ IÔ, entre tantas outras, Vale a pesquisa.
ABRAÇOS, NELSON TANGERINI, ESCRITOR.
Parabéns e muito obrigado
Abraços
Marcos Novaes
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