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"Soledad no Recife", recriação dos anos de terror em Avenida Paulista, Livraria Cultura
29 julho 2009 de 18:30 a 19:30
Quarta-feira, 29 de julho às 18h30 Livro: SOLEDAD NO RECIFE Autor: Urariano Mota Editora: Boitempo Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - Loja 151 - Artes - São Paulo/SP Sobre o título: Nesta quarta-feira, a Livraria Cul…
julho 26

Informações do Perfil

Profissão
Escritor/jornalista
O TEMPO DE PAULINHO DA VIOLA

Urariano Mota


A estréia nos cinemas de “Paulinho da Viola – meu tempo é hoje” é excelente mote para que falemos do compositor. Há muito ele merecia algumas palavras. Mas por que há tanto ele merecia e até aqui essas palavras não foram ditas?

Sabem aquele irmão a quem muito prezamos e em silêncio guardamos? Sabem aquele afeto que não se expressa em verbo porque no que carregamos ele já é uma expressão? Sabem aquela comunhão antiga que nem precisa falar? Então sabem por que essas palavras até aqui não foram ditas. Mas compreender não é o mesmo que ficar contente. Pois como existe este tempo de barbárie, de soberano desprezo à manifestação da alma, de ódio e destruição até ao existir, então é chegada a hora de falar de Paulinho da Viola. Para que a ausência da fala do sentimento não se confunda com a ausência do próprio sentimento. Para que o equívoco não tome o lugar da pessoa. Falemos, mas com cuidado. Com cuidado para não cair em um pior silêncio, o vazio da expressão gasta. Tentemos então, para perder e ganhar.

A gente nem precisa dizer que Paulinho, em uma música popular tão rica, tão larga e múltipla como a brasileira, a gente nem precisa dizer que Paulinho é um dos seus melhores compositores. Isso poderia ser dito em relação a Noel Rosa, a Cartola, a Pixinguinha, ou a Chico, ou a Caymmi, ou a Tom. Dizê-lo um dos melhores ainda não é o seu específico. Avizinhando-nos da luz, pressentimento, a gente nem precisa dizer que ele faz a ligação entre a tradição e a vanguarda. Não precisa porque isso pode ser dito de todo compositor brasileiro digno do nome. Isso ainda não é o seu específico. O que precisa ser dito, argumento, é que Paulinho da Viola não é Um compositor. Precisa ser dito que Paulinho da Viola é muitos e vários compositores, é uma soma de gerações de compositores da Velha Guarda do samba. Mas isto, se é específico, ainda não é exato, preciso. Porque a soma não é a unidade, ela é um amontoado, visto de longe. Vista assim do alto, para melhor vê-lo, a presença de Paulinho seria uma reencarnação de sambistas que se foram, se por reencarnação compreendemos as folhas secas que ressurgem no verde, queremos dizer, folhas secas que se fizessem azuis, vermelhas,brancas, negras, queremos dizer, por fim, se por reencarnação compreendemos as gerações que voltam reiventadas, algo como um 1920 mudado em 2020, como um 12 mudado para um certo 21, ou: como se Nelson Cavaquinho, Cartola, Wilson Batista, Nelson Sargento, Candeia, sem deixarem de ser eles mesmos fossem um outro, que vem a ser um compositor nascido hoje. A alma dessa gente renascida.

Mas como é mesmo que Paulinho faz esse feitiço? A gente nem precisa consultar a discografia, basta anotar o que nos vem à memória. Minha vez de sorrir chegou agora, quem perde é quem chora, Nelson Sargento. Duas horas da manhã, contrariado espero pelo meu amor...parece até que o coração me diz, sem ela eu não serei feliz, Nelson Cavaquinho. Cego é quem vê só aonde a vista alcança, Candeia. Pra quê, pra quê mentir, se tu ainda não tens esse dom de saber iludir? pra quê mentir tanto assim, se tu sabes que eu já sei, que tu não gostas de mim, apesar de ser traído pelo teu ódio sincero, ou por teu amor fingido?, Noel. Quem me conhece, passa por mim, jogando piada, sorrindo, Geraldo Pereira. Fim da tempestade, o sol nascerá, Cartola, Elton Medeiros. E tantos nos vêm e deixamos escapar que a omissão de um nome é crime, Carlos Cachaça, Zé Kéti, Casquinha, Aniceto, Manacéa, Monarco, Zé da Zilda, Mijinha... que as reticências nos defendam.

Poderia ser dito, regravar velhos sambas é simples: basta pôr a voz e gravar. A resposta a isto, sentimos a esta altura, quase nos cala. Falar de um compositor de música somente com palavras não é fala precisa, seta na mosca. Porque teríamos que fazer ouvir a quem nos lê: - “Ouça Duas horas da manhã, é Nelson Cavaquinho e é ao mesmo tempo Paulinho, o mesmo Paulinho de Sol e Pedra, e de Coração leviano. Ouça”. Porque dizer que ele faz de composições da Velha Guarda composições suas, ou dizer que ele busca na Velha Guarda a própria voz cantada antes, não seria claro e preciso para quem simplesmente nos lê sem a experiência e a felicidade da música de Paulinho. Façamos então um pacto com o mais simples: falemos do tempo de Paulinho da Viola refletido em instantes de 2 linhas de nossa vida mesma.

Quando “Foi um rio que passou em minha vida” foi lançado, éramos estudantes numa sexta-feira à noite, numa serenata em Maria Farinha. Achávamos então que a revolução socialista seria a coisa mais natural do mundo. E por ser assim tão natural, nada demais também que ouvíssemos, não se espantem, 41 vezes, seguidas, contínua e incansavelmente foi um rio, foi um rio, foi um rio... . Naquele ano, e por que não ainda? , todos nós éramos Paulinho, nessa estranha empatia, mistura de identidades que a verdadeira arte produz. Todos nós repetíamos, e repetimos, e repetimos... que “meu coração tem mania de amor, e amor não é fácil de achar”. À maneira de cantar, gritávamos esses versos então.

Depois, morando na Pensão Princesa Isabel, no centro do Recife, Paulinho era Simplesmente Maria. “Na cidade, é a vida cheia de surpresa, é a ida e a vinda, simplesmente, Maria, Maria, teu filho está sorrindo, faz dele a tua ida, teu consolo e teu destino, Maria...”. Nesse tempo, sempre compreendíamos o “faz dele a tua ida” como um “faz dele a tua ira”. Enquanto subíamos a escada para um quartinho isolado no alto, da televisão da sala vinha a música, tema de uma novela. Ela nos lembrava sempre que estávamos sozinhos e sem mãe, cujo nome também era Maria. À hora dessa música sempre esperávamos algum golpe traiçoeiro da polícia que queria nos matar. Sem Maria que nos velasse.

Então houve Para um amor no Recife. Diziam então que Paulinho fizera essa música para a secretária de Dom Hélder Câmara. As boas, e as más línguas principalmente, acrescentavam que a dedicada senhora vinha a ser a namorada secreta do arcebispo. Entre o sussurro e a maledicência, entre a repressão da ditadura Médici e a resistência serena erguia-se um poema belo, quase autônomo da melodia: “A razão porque mando um sorriso e não corro, é que andei levando a vida quase morto. Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue, e sepultar bem longe o que restou da camisa colorida que cobria minha dor. Meu amor, eu não esqueço, não se esqueça, por favor, que voltarei depressa, tão logo acabe a noite, tão logo este tempo passe, para beijar você ”. Esta é uma canção que só fez melhorar ao longo de todos esses anos. A ditadura não existe mais, o seu motivo imediato não mais existe, mas a composição só vem crescendo, apesar da degradação do Recife, que entra quase incidentalmente no título.

Nos 61 anos que se aproximam, o compositor entra no seu maior e melhor tempo. Que sorte imensa a nossa em ter sobrevivido aos piores temporais para viver essa maturidade! Nessa estranha identificação, nós, os Paulinhos de todas cores, raças e credos, saudamos as gerações de sambistas nesse Paulinho do documentário. O que ele anunciava num Samba Curto, “só me resta seguir rumo ao futuro, certo do meu coração mais puro”, agora vem chegando, agora atinge o seu tempo. Menos puro que o esperado, como é bom esse coração amadurecido pelo crisol, pela lembrança de quando o tínhamos somente dor. Que podemos fazer quando as águias piscam à civilização desse moleque bamba? Tentar, tentar comprendê-lo em uma crônica curta, que pudesse ao fim ser dedicada a Roberto Mota, a Paulo César Fradique, a Hugo Cortez, a Zanoni Carvalho, a Mário Sapo, a Marco Albertim, aos amigos que vêm chegando. Como não o conseguimos, só nos resta gritar, como em Maria Farinha em 1970: Viva Paulinho! Viva Paulinho! Desta vez, como uma premonição e um desejo, 101 vezes.

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Folha de São Paulo: a ditadura e o ombudsman

Qualquer pesquisa na internet informará que ombudsman é uma palavra sueca que significa representante do cidadão. E que a Folha de São Paulo foi o primeiro jornal brasileiro a ter algo semelhante, o seu próprio ombudsman, que deveria ser um profissional dedicado a receber, investigar e encaminhar as queixas dos leitores; realizar a crítica interna do jornal e, uma vez por semana, aos domingos, etc. etc. Vamos ao ponto e ao fato, agora.

Em 29 de julho de 2009, lancei o livro “Soledad no Recife”… Continuar

Postado em 25 outubro 2009 às 11:30 ‚Äî

Urariano Mota

Gracias a Mercedes


Gracias a Mercedes
Urariano Mota

No domingo, ao saber da notícia do falecimento de Mercedes Sosa, a minha filha disse à mesa: “e eu perdi... eu sabia que nunca mais ia ter outra oportunidade ”. Ela se referia a uma apresentação da artista no Recife este ano, a que ela não pôde ir. Esse “eu perdi” ficou. Mas era domingo, dia de trégua, e joguei ou perdi a má notícia a um canto, p… Continuar

Postado em 9 outubro 2009 às 0:24 ‚Äî 3 Comentários

Urariano Mota

SOBRE DAMAS E CAMELÔS



(Publicado na Carta Capital desta semana)


Urariano Mota


Liêdo Maranhão e o Mercado de São José constituem uma só pessoa. Ambos nascidos no Recife, Liêdo é quem fala pelo Mercado, assim como um boneco e seu ventríloquo. Liêdo, o mais jovem, tem apenas 84 anos, enquanto o Mercado anda pelos 134.

Autor de 12 livros, não fosse Liêdo Maranhão, boa parte da vida popular do Nordeste que veio ao Mercado d… Continuar

Postado em 25 agosto 2009 às 10:13 ‚Äî 2 Comentários

Urariano Mota

SOLEDAD NO RECIFE - recriação dos anos do terror da ditadura



Livro: SOLEDAD NO RECIFE



Autor: Urariano Mota


Editora: Boitempo



Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - Loja 151 - Artes - São Paulo/SP


Sobre o título:



Nesta quarta-feira, a Livraria Cultura receberá Urariano Mota para uma sessão de autógraf… Continuar

Postado em 26 julho 2009 às 11:54 ‚Äî 3 Comentários

Urariano Mota

A hora de Soledad Barret Viedma



Amigos, aquilo que há muitos e muitos anos eu sentia por todos os poros e sentidos, aquilo que meu faro pressentia, que a hora de Soledad Barret Viedma se acercava, agora chegou. Em julho, a Boitempo Editorial publica o meu, o nosso livro, “Soledad no Recife”.



Para quem não sabe, Soledad Barret Viedma foi torturada e morta no Recife em 1973, grávida e traída, depois de entregu… Continuar

Postado em 4 junho 2009 às 18:19 ‚Äî 5 Comentários

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Às 15:26 em 23 novembro 2009, Sérgio Pecci disse...
Caro Urariano,

Obrigado... Fiquei extremamente honrado pela simpática lembrança!
Com admiração,
Um abraço,
sérgio
Às 23:25 em 21 novembro 2009, Rubens de Araujo Rossi disse...
Lí no site Viomundo o seu "A modelo da Capa". Matou a pau. Graças ao Portal LN pude tomar conhecimento do Urariano, escritor/jornalista de primeira grandeza.
Às 11:18 em 24 outubro 2009, Rubens de Araujo Rossi disse...
Prezado amigo,
Lí no site Carta Maior o seu artigo "A Ditadura do Ombudsman". Dez. A figura do ombudsman da Folha é pura fantasia. É de se admirar que jornalistas se prestem a tal palhaçada.
Em 2002 eu era assinante da Folha. Corria solta uma campanha vergonhosa contra o Lula. O ombudsman de então, coitado, atraveu-se a chamar a atenção do jornal e alertou para a perda de credibilidade. Foi ignorado.
Às 23:06 em 19 outubro 2009, Luiz Eduardo Brandão disse...
Estava aqui às voltas com meu trabalho, fazendo uma coisa meio mecânica (verificação ortográfica do Word) e me perguntando por que não compareci ao seu lançamento, aqui em SP, como normalmente teria feito. Pensei que fosse algum encargo avoengo (7 netos, 5 aqui em SP). Resolvi vir conferir. Nada disso. Estava no Rio, como sempre a essa época. Fiquei lá do dia 11 até o começo de agosto. Peguei chuva e um frio inacreditável para aquelas plagas. E ainda adoeci!
Às 22:23 em 19 outubro 2009, Luiz Eduardo Brandão disse...
Quase não ando de carro: trabalho em casa, e tudo o que for possível, isto é, que esteja num raio de 1 hora, 1 hora e pouco (ida e volta) faço a pé. Adoro andar, mesmo nesta cidade sem calçadas generosas e quase sem sinais de pedestre. Quando vou ao Rio, minha cidade natal, para onde volto daqui a 2 anos, se tudo correr bem, pego algumas vezes o metrô, e já havia notado isso que v. diz. Além de uma grande quantidade de pessoas lendo. Aliás, é lá que mais leio: na praia! A claridade é tamanha que, acredite, consigo ler de óculos escuros, sem lente de aumento.
Já andei olhando seus textos sobre a Soledad, vou olhar se tem alguma novidade. Foi lendo-os que me interessei em ler o romance. Não acompanhei bem a história dela e do Lamarca, porque na época vivia em Paris: saí pela porta dos fundos em 1970.
Falando nos anos de chumbo, tem lido os depoimentos do Humberto, Histórias da ditadura, no blog do Nassif? Muito bom.
Às 19:02 em 19 outubro 2009, Luiz Eduardo Brandão disse...
Seu livro estava em meus planos recifenses. Pretendia comprá-lo e lê-lo aí. Agora, vou comprá-lo aqui e ler por aqui mesmo. Difícil é conseguir tempo, porque labuto das 10 da matina às 11 e meia da noite, e quase todos os fins de semana. Só consigo ler alguma coisa nas férias. Isto é, salvo as leituras de encomenda para as editoras. Mas o tema do seu livro me interessou demais.
Quanto ao Balzac, tem todíssima razão.
Às 18:24 em 19 outubro 2009, Luiz Eduardo Brandão disse...
Traduzo do francês e do espanhol. Do francês, mais filosofia, ciências sociais (tenho traduzido os cursos do Foucault no Collège de France), que a literatura anda bem fracota. Do espanhol, literatura. Termino até o fim do ano um romance fleuve (mais de 1000 pg.) que virou cult mundo afora, 2666, do cidadão do mundo nascido no Chile, Roberto Bolaño. Já traduzi vários livros dele, que viveu um bom tempo no México, depois foi para a Espanha, onde faleceu na fila para um transplante de fígado. Está-se vendo que essas coisas não acontecem apenas aqui. Aliás, o livro de contos dele, Putas assassinas, acaba de ganhar o prêmio Cunhambebe deste ano. É um novo prêmio voltado para a literatura estrangeira publicada no Brasil. Conhece o Bolaño? Às vezes é de árdua leitura mas gosto bastante. Parece que o Coppola vai filmar outro romance dele, Os detetives selvagens. Como 2666, é um emaranhado de histórias que vão se encontrando e desencontrando, às vezes o fio acaba meio solto. Pena que eu não seja o autor da tradução americana: se fosse, embolsaria os 2% de bilheteria a que o tradutor tem direito lá na gringolândia. Aqui, a gente não ganha nem entrada para assistir a pré-estréia.
Em tempo: bem-vindo ao Firefox. V. vai ver que dá de goleada no IE.
Um abração,
L.E.
P.S. Estive a ponto de recorrer a você para um assunto pessoal: ia mês que vem passar uns dias em Recife, que é a terra do meu pai e de toda a sua ascendência paterna e materna, e ia te perguntar qual o melhor lugar para ficar. A viagem desandou. Mas espero ir ano que vem. Minha mulher, que vergonha, ainda não conhece sua adorável cidade. E a última vez que estive aí já faz mais de 30 anos, acho.
Às 11:36 em 19 outubro 2009, Luiz Eduardo Brandão disse...
Urariano, não tive problemas de acesso estes dias.
Às 10:46 em 19 outubro 2009, Marise disse...
Urariano, o blog está normal. Acabei de ler.
Beijos
Às 1:33 em 22 setembro 2009, Laura Macedo disse...
Urariano,
Quem esteve conosco, aqui em Teresina, foi o pernambucano Henrique Annes, participando do projeto "Sonora Brasil - Formação de Ouvintes Musicais - Violão Brasileiro".
Foi muito bom conhecê-lo pessoalmente e, o que é melhor, conversarmos.
Se você ainda não viu meu post sobre esse evento, confira aqui.
Tomei a liberdade de publicar um comentário que você fez, na minha Página, no ano passado.
Beijos.
 
 

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