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Josué de Castro

Started 6 Set, 2008

O "cansei" vai às urnas
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Iniciou esta discussão. Última resposta de Joildo Santos 31 Jul, 2008.

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Eduardo Galeano, as palavras e a alma da América Latina

Colar de histórias

Nossa região é o reino dos paradoxos.
Tomemos o caso do Brasil, por exemplo:

paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;

paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e a poliomielite, nascido para a desgraça, foi o jogador que mais alegria ofereceu em toda a história do futebol;

e, paradoxalmente, Oscar Niemeyer, que já completou cem anos de idade, é o mais novo dos arquitetos e o mais jovem dos brasileiros.

***
Ou, por exemplo, a Bolívia: em 1978, cinco mulheres derrubaram uma ditadura militar. Paradoxalmente, toda a Bolívia zombou delas quando iniciaram sua greve de fome. Paradoxalmente, toda a Bolívia terminou jejuando com elas, até que a ditadura caiu.

Eu conheci uma dessas cinco obstinadas, Domitila Barrios, no povoado mineiro de Llallagua. Em uma assembléia de operários das minas, todos homens, ela levantou e fez todos calarem a boca.

— Quero dizer só uma coisinha —disse—. Nosso inimigo principal não é o imperialismo, nem a burguesia, nem a burocracia. Nosso inimigo principal é o medo, e nós carregamos ele dentro.

E, anos depois, reencontrei Domitila em Estocolmo. Havia sido expulsa da Bolívia e ela tinha marchado para o exílio, com seus sete filhos. Domitila estava muito agradecida pela solidariedade dos suecos, e admirava a liberdade deles; mas tinha pena deles, tão sozinhos que estavam, bebendo sozinhos, comendo sozinhos, falando sozinhos. E dava-lhes conselhos:

— Não sejam bobos –dizia-. Fiquem juntos. Nós, lá na Bolívia, ficamos juntos. Mesmo que seja para brigar, ficamos juntos.

***
E como tinha razão.

Porque, digo eu: existem os dentes, se não ficarem juntos na boca? Existem os dedos, se não ficarem juntos na mão?
Estarmos juntos: e não só para defender o preço dos nossos produtos, mas também, e sobretudo, para defender o valor dos nossos direitos. Bem juntos estão, mesmo que de vez em quando simulem brigas e disputas, os poucos países ricos que exercem a arrogância sobre todos os outros. Sua riqueza come pobreza, e sua arrogância come medo. Bem pouquinho tempo atrás, por exemplo, a Europa aprovou a lei que transforma os imigrantes em criminosos. Paradoxo de paradoxos: a Europa, que durante séculos invadiu o mundo, fecha a porta no nariz dos invadidos, quando eles querem retribuir a visita. E essa lei foi promulgada com uma assombrosa impunidade, que seria inexplicável se não estivéssemos acostumados a sermos comidos e a viver com medo.

Medo de viver, medo de dizer, medo de ser. Esta nossa região faz parte de uma América Latina organizada para o divórcio de suas partes, para o ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas somente estando juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos amestrou para o medo e a resignação e a solidão e que cada dia nos ensina a não gostar de nós mesmos, a cuspir no espelho, a copiar em vez de criar.

***
Ao longo da primeira metade do século dezenove, um venezuelano chamado Simón Rodríguez caminhou pelos caminhos da nossa América, no lombo de uma mula, desafiando os novos donos do poder:

— Vocês —clamava o sr. Simón-, vocês que tanto imitam os europeus, por que não imitam o mais importante, que é a originalidade?

Paradoxalmente, não era ouvido por ninguém este homem que tanto merecia ser ouvido. Paradoxalmente, chamavam-no louco, porque cometia a sensatez de acreditar que devemos pensar com nossa própria cabeça, porque cometia a sensatez de propor uma educação para todos e uma América de todos, e dizia que a quem não sabe, qualquer um engana e a quem não tem, qualquer um compra, e porque cometia a sensatez de duvidar da independência dos nossos países recém-nascidos:

— Não somos donos de nós mesmos —dizia. Somos independentes, mas não somos livres.

***
Quinze anos depois da morte do louco Rodríguez, o Paraguai foi exterminado. O único país hispano-americano verdadeiramente livre foi, paradoxalmente, assassinado em nome da liberdade. O Paraguai não estava preso na jaula da dívida externa, porque não devia nem um centavo para ninguém, e não praticava a mentirosa liberdade de comércio, que nos impunha e nos impõe uma economia de importação e uma cultura de impostação.

Paradoxalmente, depois de cinco anos de guerra feroz, entre tanta morte sobreviveu a origem. Segundo a mais antiga de suas tradições, os paraguaios nasceram da língua que os nomeou, e entre as ruínas fumegantes sobreviveu essa língua sagrada, a língua primeira, a língua guarani. E em guarani falam ainda hoje os paraguaios na hora da verdade, que é a hora do amor e do humor.

Em guarani, ñe´é significa palavra e também significa alma. Quem mente a palavra, trai a alma.

Se dou minha palavra, estou me dando.

***
Um século depois da guerra do Paraguai, um presidente do Chile deu sua palavra, e deu-se.

Os aviões cuspiam bombas sobre o palácio de governo, também metralhado pelas tropas de terra. Ele havia dito:

— Daqui eu não saio vivo.

Na história latino-americana, é uma frase freqüente. Foi pronunciada por vários presidentes que depois saíram vivos, para continuar pronunciando-a. Mas essa bala não mentiu. A bala de Salvador Allende não mentiu.

Paradoxalmente, uma das principais avenidas de Santiago do Chile chama-se, ainda, Onze de Setembro. E não se chama assim pelas vítimas das Torres Gêmeas de Nova York. Não. Chama-se assim em homenagem aos verdugos da democracia no Chile. Com todo o respeito por esse país que amo, atrevo-me a perguntar, por simples senso comum: não seria hora de mudar-lhe o nome? Não seria hora de chamá-la Avenida Salvador Allende, em homenagem à dignidade da democracia e à dignidade da palavra?

***
E atravessando a cordilheira, pergunto-me: por que será que o Che Guevara, o argentino mais famoso de todos os tempos, o mais universal dos latino-americanos, tem o costume de continuar nascendo?

Paradoxalmente, quanto mais é manipulado, quanto mais é traído, mais nasce. Ele é o mais nascedor de todos.

E pergunto-me: Não será porque ele dizia o que pensava e fazia o que dizia? Não será por isso que ele continua sendo tão extraordinário, neste mundo onde as palavras e os fatos muito rara vez se encontram, e quando se encontram não se cumprimentam, porque não se reconhecem?

***
Os mapas da alma não têm fronteiras e eu sou patriota de várias pátrias. Mas quero culminar este viagenzinha pelas terras da região evocando um homem nascido, como eu, aqui pertinho.

Paradoxalmente, ele morreu há um século e meio mas continua sendo meu compatriota mais perigoso. É tão perigoso que a ditadura militar do Uruguai não conseguiu encontrar nem uma única frase sua que não fosse subversiva e teve que decorar com datas e nomes de batalhas o mausoléu que erigiu para ofender sua memória.

A ele, que se recusou a aceitar que nossa pátria grande se quebrasse em pedaços; a ele, que se recusou a aceitar que a independência da América fosse uma emboscada contra seus filhos mais pobres, a ele, que foi o verdadeiro primeiro cidadão ilustre da região, dedico este título, que recebo em seu nome.

E termino com palavras que escrevi para ele algum tempo atrás:

1820, Paso del Boquerón. Sem virar a cabeça, você afunda no exílio. Estou vendo, estou vendo você: desliza o Paraná com preguiça de lagarto e ao longe se afasta flamejando seu poncho esfarrapado, ao trote do cavalo, e se perde na mata. Você não diz adeus à sua terra. Ela não iria acreditar. Ou talvez você não sabe, ainda, que está indo para sempre.

Acinzenta-se a paisagem. Você está indo, vencido, e sua terra fica sem alento. Irão devolver-lhe a respiração os filhos que nasçam dela, os amantes que a ela chegarem? Aqueles que dessa terra brotem, aqueles que nela entrem, far-se-ão dignos de tristeza tão funda?

Sua terra. Nossa terra do sul. Você será muito necessário para esta terra, Dom José. Cada vez que os cobiçosos a firam e humilhem, cada vez que os tolos acreditem que está muda ou estéril, você fará falta. Porque você, Dom José Artigas, general dos simples, é a melhor palavra que ela já disse.

Eduardo Galeano

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Às 6:38 em 20 março 2017, Augustin Aziankou disse...

Dia bom,

Eu peguei o interesse em você depois de passar por seu perfil curto e exigir que seja necessário escrevê-lo imediatamente. Eu tenho algo muito importante para revelar a você, mas eu achei difícil de me expressar aqui, uma vez que é um site público. Você poderia por favor voltar para mim em (augustinaziankou@vp.pl) para os detalhes completos.

Tenha um bom dia.
Sr. Augustin.

Às 9:39 em 4 fevereiro 2009, Antonio Barbosa Filho disse...
Oi Wilson. O programa não foi ao ar porque, conforme nos alegaram os produtores uma hora antes, o apresentador Rodrigo Vianna sofreu um mal estar e foi levado de ambulância para um hospital. Pediram mil desculpas e prometeram nos convidar novamente, provavelmente na próxima segunda-feira. Vamos aguardar, torcendo para que o Vianna esteja recuperado.
Obrigado e um abraço.
Às 21:12 em 19 janeiro 2009, Antonio Barbosa Filho disse...
Hoje, meu amigo, tive o prazer de conversar com o Eduardo, por telefone. Eu queria apenas estimulá-lo a respeito da distância que ele está sentindo de sua filha, que está na Austrália.
Ele mencionou uma belíssima mensagem colocada no blog, que compara os pais a um arco e os filhos à flexa. E eu lhe disse, como pai e avô que sou, que nós preferimos a imagem do bumerange. A gente lança os filhos distantes, o mais possível. Mas sempre esperando que retornem.
O Edú gostou da imagem, creio. E falamos sobre a merda de mídia, sobre Lula, etc. Gostei muito de ter batido um curto papo com uma pessoa honesta e sensível.
Não me agradeça por falar a verdade, ok amigo?
Se quiser me ligar a cobrar de Goiás (é onde vc está, pois não?): (12) 3686-2917.
Um grande abraço.
Às 3:15 em 12 janeiro 2009, Delcio Marinho disse...
Descubra o RIO

Aumente o SOM
RIO DE JANEIRO

SAMBA DO AVIÃO
Às 8:13 em 30 dezembro 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Oi Wilson, parabéns a vc e sua esposa pela filhinha! Que ela comece muito bem a trajetória, tendo um 2009 pleno de felicidade para toda sua família.
O que sabemos é que a Bolívia tornou-se o terceiro país latino-americano a erradicar o analfabetismo, depois de Cuba (ainda em 1960-61) e Venezuela. Voluntários venezuelanos ajudaram a aplicar o mesmo método que aprenderam com os cubanos. E agora o processo deve ser implementado na Nicarágua e no Paraguai. Não é fácil, porque a Bolívia tem 36 línguas, e o Paraguai também tem mais do que o Guarani. Mas em um ano o pessoal consegue alfabetizar pelo método que, curiosamente, chama-se "Sim, eu posso" - o Obama plagiou para seu slogan...rsrsrs
Às 6:19 em 10 dezembro 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Wilson, foi vc quem sumiu ou fui eu? Estou na Holanda, mas procuro entrar todos os dias no "La Pátria Grande" e sinto sua ausência. Apareça, amigo, vc contribui muito para nosso conhecimento e amizade.
Um abraço.
Às 21:24 em 22 setembro 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Wilson, assiti ao vídeo Zeitgeist, no You Tube, mas não sei onde encontrá-lo em DVD. Aliás, é muito bom, e extremamente atual. Ali se vê que o Fed foi criado pelos banqueiros e para os banqueiros: o contribuinte entra só com a grana...e muita!
Às 18:10 em 20 setembro 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Caro Wilson, agradeço sua visita ao grupo "La Pátria Grande", nesta hora dramática, como fica claro no vídeo postado pelo grande companheiro Justo.
Tenho feito muito pouco pelos irmãos bolivianos, irmãos da Pátria Grande sonhada. Precisamos nos mobilizar mais, para espantar o fascismo que nos ronda, em cada um de nossos países. Este massacre de El Porvenir, ordenado pelo prefecto de Pando, é a gota d`água, ou melhor, de sangue, que faltava para transbordar nossa ira santa!
Um crime contra a Humanidade, imprescritível, e punível em qualquer parte do mundo. Só aquele doente da veja protesta contra o governo brasileiro por negar asilo político aos facínoras de El Porvenir (que nome simbólico!). Asilo político para genocida não existe em parte alguma do mundo!.
Cancelei uma viagem que planejava fazer à Bolívia nesses dias, mas manterei contato com amigos de lá, com advogados bolivianos e brasileiros, pois como cidadão da Terra fui gravemente atingido por esses terroristas. Em novembro estarei na Holanda, exatamente em Haia, e me coloco à disposição dos irmãos bolivianos para, pelo menos, acompanhar de perto (fico lá dois meses, desta vez) qualquer denúncia que venha a ser feita perante o Tribunal Penal Internacional ou a Corte Internacional de Justiça, que lá têm suas sedes. Há grupos de solidariedade que conheço, como em Roterdã, onde fica também o Consulado de Bolívia. Vamor agir, embora sabendo que nossas forças parecem ridículas perante o império e seus agentes.
Aos 52 anos, eu quero que se dane minha vida: morrerei sonhando e lutando. E sei que não estou só, ao contrário, sou uma gotícula nesta maré Humana que avança sobre o atraso escravista, racista, predador, que um dia dominou o planeta. Vou nú ao jardim das Cortes em Haia, se precisar chamar a atenção!
Desculpe minha exaltação, desconte 10% pelo ódio que estou sentindo dessa canalha. Fico por aqui, para não te aborrecer mais com este lamento-brado, que me invade neste momento.
Pode apagar, por favor.
Às 18:18 em 23 julho 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Olá Wilson! Acompanhei pelo blog do Edu o seu trabalho aí na mobilização do ato. Infelizmente eue stava esperando minha namorada que chegava no sábado da Holanda e não pude comparecer a São Paulo, mas escrevi a respeito para um jornal regional no qual mantenho uma coluna semanal, e tenho escrito a amigos sobre o tema. Estamos indignados, e não podemos baixar a guarda, porque o PIG e o esquemão Dantas ameaça o Brasil com muito poder.
Tenho o texto do Galeano na página do grupo "La Pátria Grande", mas em espanhol. É muito bom. Quando quiser, use e abuse daquele espaço, precisamos incrementá-lo. Um abraço.
Às 4:30 em 18 julho 2008, Antonio Barbosa Filho disse...
Oi Wilson, acho que as algemas ou não algemas nos paralizaram um pouco nesta semana...
Mas vamos em frente. Gostei de ver o texto do Galeano na sua página. Vamos incrementar o grupo também. Sou meio leigo no uso das ferramentas, mas precisamos colocar lá som, vídeos, etc. E textos, opiniões, novos amigos. Enfim, me ajude aí a dinamizar o espaço que a Comunidade nos oferece e que é tão seu quanto meu. Use e abuse.
Saludos fraternales de sú amigo,
Antonio
 
 
 

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