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Blog de Romério rômulo (165)

ítaca e áfrica

ítaca e áfrica

de ítaca roubei helenas tantas
em áfrica montei os sete mares
casei-me com mulheres todas santas

cobri meu corpo gasto de alamares.

as vidas são mais tantas e mais quantas
em muros e desejos sacripantas
castrados e vertidos pelos ares?

poetas são delírios bem vulgares.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 3 setembro 2013 às 13:50 — Sem comentários

o dedo de caravaggio, 1

o dedo de caravaggio, 1

eu vou morrer dos licores
avermelhados, chumaços
entalhados em pedaços
dos mares dos teus amores

no podre destes espaços
molhado pelo de cujo
encontrei o santo sujo
das tardes e dos mormaços
por onde extravio as dores

vou montar estardalhaços
com meus estritos pavores
no corte dos teus embaços.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 4 agosto 2013 às 8:08 — Sem comentários

prumo

não vou tratar de inimigos
não vou trazer rancor na minha pálpebra
não vou deixar a pressão fora do prumo

me ame quem quiser
meu olho é sujo

toda noite há um cão no meu espaço.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 14 julho 2013 às 12:18 — Sem comentários

fragmento das bigornas


se pensas que me adornas
no corpo dentro de mim
vou martelar as bigornas
nos pelos do teu jardim

o resto são carnes mornas
já vindas de onde eu vim
eu quero ver se me entornas
nos pelos do teu jardim

vou martelar as bigornas
no corpo dentro de mim

bigornas contra bigornas
mas vindas de onde eu vim.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 30 junho 2013 às 17:50 — 1 Comentário

a língua de camões





1.

mais amaríeis meu cortado canto

se mais soubésseis como sois amada

e navegásseis pelo meu espanto.

2.

se me amásseis tamanho eu vos diria

da dura solidão dos precipícios

da falsa imensidão dos sodalícios

da cortada razão dos meus ofícios



se me amásseis por certo eu vos diria



e a minha voz em voz por todo canto

decerto iria quebrar-vos em espanto.

3.

senhora, eu vos amei por tanto, em tudo

que de camões busquei o…

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Adicionado por romério rômulo em 9 junho 2013 às 10:39 — Sem comentários

ser carolina é fatal

ser carolina é fatal
(para chico buarque)

vou encontrar carolina
no branco do meio dia
no branco daquela pele
pétala de roseiral
num verso que me fogueia

ser carolina é fatal.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 3 junho 2013 às 0:39 — Sem comentários

maradona é o teorema


1.
esganei régua e compasso
pra montar o meu esquema
abracei todos e abraço
meu sentido de dilema
se embaço ou não embaço
minha carne de morfema
pelo corpo de embaraço
eu nasci e ainda nasço
abrasado no poema:
o poema é meu espaço.

eu trago como problema
maradona no pedaço:

maradona é o teorema.

2.
maradona e lampião, à revelia
são o pecado perfeito da poesia.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 26 maio 2013 às 8:14 — Sem comentários

uns idiotas me pararam


uns idiotas me pararam
e me disseram umas poucas e boas:
que eu não caminho direito
e nem bato continência como devo
que a minha contra-mão é perdida
e só eles dominam os arcos do mundo.

só eles sabem
e eu nem sou a revelação de um segredo.

contra eles eu só carrego a nudez do dia
e um desejo à esquerda da terra.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 5 maio 2013 às 8:00 — Sem comentários

as deusas de Kandinsky, 1

as deusas brancas:
chumaços de algodão
pelas barrancas

as deusas negras:
extratos de carvão
das trancas

as deusas, luzes
fumaça, contração
de obuses.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 14 abril 2013 às 6:57 — Sem comentários

rivotril, 44


rivotril, o levedo permanente
versa tudo do couro menestrel
sua boca, retorta, puro dente
morde mais do que bala parabel

como carne travada, incandescente
numa terra montada a leite e fel
todo dia põe guizo na serpente.

rivotril é o diabo. foi pro céu.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 7 abril 2013 às 10:55 — Sem comentários

terras, 2

a musa que me escorraça
é pura agonia lenta
cozida em samba e cachaça
madeira, fogo e fumaça

por terras que não se inventa.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 17 março 2013 às 8:00 — Sem comentários

licores, 5


de tudo, meu bem, me lembro:
não chegaram, por ainda
os licores de dezembro.

do teu amor me padeço.
me faltam agora, viu?
na minha paixão infinda
os teus licores de abril.

de nada, meu bem, me esqueço.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 10 fevereiro 2013 às 18:15 — Sem comentários

vou me casar com clarice

1.

se eu me casar com clarice

-scliar que me responda-

terei de usar terneta?

terei de virar asceta?

o que faço? desde onde?

crio alma de poeta?

2.

depois das paixões mais loucas

depressões, esquisitices

scliar a vai pintar

e eu me caso com clarice

se surgir algum desvio

destes de último ato

pela costela de um rio!

me caso com seu retrato.

3.

quando a moça caminha pelos pastos

seus cabelos de…

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Adicionado por romério rômulo em 28 janeiro 2013 às 6:50 — Sem comentários

a musa te arquiva entre os devassos



(remontar a musa, 1)



remonto a musa pelo seu joelho

junto bedéis, verrumas, um artelho

um gato vil, cruel como abril

feitiço nu bordado no espelho



nonada. a musa é a dura madrugada

que te consome a carne numa espada

que te corrompe o corpo feito nada

que te arranca o olho na mirada



comidas as missões, puros espaços

montadas solidões dos meus abraços

rimadas as monções e os seus traços

soçobram os navios nos…

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Adicionado por romério rômulo em 12 janeiro 2013 às 5:40 — Sem comentários

sobre dezembros vamos dizer amanhã





abri minhas pastas e livros

e só encontrei dezembros.

sempre o final dos tempos

que me persegue e me atrai.

vi as noites, os taludes, os cachorros e seus antros

todos a lamberem dezembros.

meu olho indevido e a minha carne suja

pisaram os dezembros do corpo.

somos o implícito do tempo, a pele seca das garças

o antemão de tudo.

vestido em viagem

pus meu olho a serviço das pragas

revelei todas as tentações

e despejei meus desejos…

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Adicionado por romério rômulo em 29 dezembro 2012 às 6:21 — Sem comentários

nau francesa, 1



seu rosto de framboesa
sua carne de marfim
uma carne eterna acesa
do lábio por onde eu vim
seu gesto de nau francesa
tudo princípio do fim

quero saber da torpeza
que bate dentro de mim.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 23 dezembro 2012 às 8:14 — Sem comentários

ordem do dia



chamei os amigos à ordem do dia
e decidi revelar-lhes o estanho da cara:

quanto de mim é um anjo
e quanto assombração e pedra.

ficaram as vergonhas, todos os silêncios
e as vidas dos silêncios.

desmontei das sombras
e me afundei nas aguadas.

os cavalos, sobrados em pelo,
caminharam sobre a terra do cão.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 21 novembro 2012 às 14:00 — Sem comentários

meu anjo do sertão, 1

sobre mim há um olhar de só paixão
e um olhar bem maior que me odeia

manuelzão traz cavalos numa peia
com as éguas, estrelas do desvão
sua mão me defende e me rodeia

fui benzido nas águas do sertão.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 22 setembro 2012 às 14:16 — Sem comentários

maradona e joão cabral

joão cabral quebrou a porta

cortou um pé de jurema

maradona driblou reto

e descreveu o poema

cabral respondeu: de certo

maradona é um teorema

e o teorema mais perto

teceram pelas manhãs

com o gado na invernada

usaram só um dobrado

dos seus benditos punhais

cabral com a rima seca

mais seca pelos sobrados

maradonas infernais

maradona foi refeito

na linha de pernambuco

topou com o rio ganges

onde comprou…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 1 agosto 2012 às 6:32 — Sem comentários

fragmento por joão cabral

fragmento por joão cabral

o amor comeu minha mentira, meu riso, minha dor.
o amor comeu o meu escasso e o meu amplo
o meu terno e a minha companhia.
os meus dedos se perderam nas suas procissões
nas suas leituras e cadências.

quando o amor chegava eu via o desespero da morte.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 12 julho 2012 às 7:58 — Sem comentários

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