Blog de Romério rômulo -- fevereiro 2011 Arquivo (9)

a fala do Freud

eu namoro uma donzela

que só me fala do Freud

pra chegar mais perto dela

eu tomo muito alcalóide



digo que sou poesia

camarada do Adelzon

e um certo Carlos Scliar

fez meu retrato em crepom



meu parceiro Rufo Herrera

o pai do bandoneon

tocou tango em frigideira

só pra provar que eu sou bom



se alguém me dá um fora

e eu fico fora de mim

o Nassif vem na hora

armado com o bandolim



se a vida me… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 27 fevereiro 2011 às 18:25 — Sem comentários

sujo, feio, maldito

o meu verso é um estrago
na linha do meu pescoço
o meu dente, só um bago
o meu corpo, puro osso

minha boca de ariranha
minha mão atropelada
minha ferida medonha
a minha pele rasgada

renasço. a cara lamenta
pelo buraco em que vim
e a minha vida nojenta
explode dentro de mim.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 24 fevereiro 2011 às 16:45 — Sem comentários

30 colunas

quando as tripas da noite me envolvem
e sou um homem retinto de pavores
30 colunas perdidas me comovem

quando as tripas da noite me arrematam
e sou o peso morto das palavras
30 colunas tortas me chibatam

quando as tripas da noite me arrebentam
e 30 corvos me roem a carcaça
são as tripas da noite que me inventam.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 19 fevereiro 2011 às 17:36 — 1 Comentário

Desmantelo Azul

decidi. vou me mudar

pra terras do João Cabral

levo comigo meu mar

o meu bem e o meu mal



a vida desarrochada

o facão com mais de um dente

Capibaribe é a estrada

do meu corpo penitente



deixo aqui o meu apego

a casa monumental

levo meu desassossego

e um braço federal



vou plantar naquela terra

todo dia o amanhecer

meus inimigos de guerra

nunca mais irão me ver



vai pra mim aparecer

a moça… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 13 fevereiro 2011 às 6:30 — 1 Comentário

entrega 1

entenda, meu irmão, sou indecente

na tua mão me deixo e me revelo

o corpo que é vão e nem é belo

não passa de uma carne reticente.



a musa que busquei é seca e ardente

com uns canais no corpo de vesúvio

e por bem pouco já mandou um eflúvio

de aspereza e rouquidão latente



e uns cabedais de couro intermitente

com vozes de estradas e resvalos

beberam em minha mão loucos cavalos

sobraram a terra e o lodo… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 10 fevereiro 2011 às 6:14 — Sem comentários

tríptico do meu irmão

1.
trago comigo a má fama
de ser amigo de deus
que a minha estrada de lama
foi construída por zeus.
(tango)

2.
a carne que me embasa
é o oco que habito
não sou belo, sou a rasa
exatidão do infinito.
(cáctus)

3.
há quem corte o poema com espada
há quem corte a espada num estalo
há quem corte a garganta a palo seco
manuelzão corta a vida num cavalo.
(manuelzão 1)

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 8 fevereiro 2011 às 6:06 — Sem comentários

poema do meu irmão calado

a sua dor enterrada
a sua pele vazia
sua carne retalhada
esmagada à revelia

o seu osso desaguado
o seu baço corroído
seu lábio silenciado
o seu cancro já dormido

sua mão estrangulada
seu dente ferruginoso
sua arma desarmada
seu olhar mais rancoroso

o seu berro, a voz cortada
o infinito do fim
todos descem pela estrada
que morre dentro de mim.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 4 fevereiro 2011 às 7:12 — Sem comentários

quando a vida, quando

quando a vida se esvai
do corpo do meu irmão
me revolto, paro o mundo
me atropelo de paixão.
não preciso de mais nada
quero a sua mão gelada
bem quente na minha mão.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 2 fevereiro 2011 às 6:03 — 1 Comentário

se eu fosse maradona 12, fragmento em elipse

se eu fosse maradona
ia ser muito esquisito
o meu cabelo dourado
não seria tão bonito
com a bola na minha zona
teria logo um conflito.

eu sempre fui lobisome
manchado de lua cheia
a bola que me resvala
é uma bola de meia
dou um chute, faço gol
minha alma, rubber soul
é uma aranha sem teia.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 1 fevereiro 2011 às 7:52 — Sem comentários

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