Blog de Romério rômulo -- maio 2011 Arquivo (6)

absint, 9

quando o tempo me pisa e me arremata
me destronco em ossos na poesia
atracado nalguma apostasia
despedida do todo que maltrata

vejo tanques de guerra pela estrada
e garrafas de vinho dos açores
me retrato perdido de amores
à distância de um cheiro indistinto

o que sobra por tudo e por nada
é uma vida de ópio e absinto.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 29 maio 2011 às 8:30 — Sem comentários

soneto torto para Maradona

a sede que invade meu espanto

meu fel e meu extrato de agonia

se encontra toda no tropel do manto

que me socorre em plena luz do dia



soubesse dessas luzes no encanto

dos ancestrais da minha agonia

o meu estado de noite em que levanto

seria só o espanto pelo dia



sou mais devasso ao me perder portanto

nessas estradas de cavalaria

que outro homem feito de quebranto?



que homem se repete só no espanto?

só Maradona em… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 22 maio 2011 às 8:00 — Sem comentários

ezra

um grosso espalhafatoso
um tímido underground
um olhar puro escabroso
o mundo sujo ezra pound.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 21 maio 2011 às 19:00 — 1 Comentário

absint, 5



meus ossos se esfarelam de dormença
as carnes se desfazem por instinto
sobre a pele torrada de absinto
na cidade da dor e da descrença.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 14 maio 2011 às 6:07 — Sem comentários

absint, 3

meus olhos remanescentes
perdidos nas aguardentes

as minhas carnes impuras
cavadas por leveduras

os meus risos escarninhos
desamparados nos vinhos

os meus olfatos extintos
roídos por absintos

as minhas veias, gorgonas
comidas por beladonas.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 10 maio 2011 às 7:00 — Sem comentários

todos os cavalos

os gados todos que andei em pelo

na carne dura, vou interrogá-los.

meu antro desastrado, meu novelo

selvagens putos, todos os cavalos.



cavalos são estrondos, são estradas.

cavalos são leões. suas voragens

repisam os estouros das manadas.

cavalos são estrelas e homenagens.



me vi na contramão destes cavalos.

eu, puro sangue, em desalinhos.

eles, impuros, bebem nos gargalos.

todo cavalo é um monte de espinhos.



romério… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 8 maio 2011 às 1:00 — Sem comentários

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