Blog de Romério rômulo -- julho 2010 Arquivo (3)

"o vermelho de van gogh"

teu amarelo, van gogh, é o espelho

do que corrói o peito em ânsia pura.

teu amarelo, van gogh, é meu vermelho

purpura o sangue e ainda me purpura.



teu amarelo, na noite, está esguelho

solto de corvos estrelados, noite.

teu amarelo, van gogh, é meu vermelho

purpura o sangue e a minha carne. foi-te



da agonia o antro. com um tiro

de amarelo e trigo em tua carcaça

por meu vermelho me resvalo e miro

o… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 25 julho 2010 às 17:00 — 3 Comentários

"o ato continua"

no primeiro dia

sangrei.

umas telhas me atravessaram,

arrancaram meus olhos

e me trouxeram solidão.

quantas casas habitam meus ossos?

quantas candeias armadas vão levantar minha essência?

quantas estradas vazias pousam sobre minhas estradas?



mesmo os cães me trucidaram.



o olho no céu me rompia em chuva.

deitei com umas verdades sombrias na pele.



no segundo dia,

desarmado,

vi as rupturas da intempérie,

uns… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 17 julho 2010 às 21:54 — 2 Comentários

(me caber em cada)

o poema, moça bela, é um entulho
que peço me caber em cada canto
do corpo, essa estrada, meu espanto,
meu quebranto de escuros, meu engulho.

o poema, moça bela, é um reboco,
uma tela que cobre a tarde nua.
cada poema que piso é uma rua,
imensidão de mãos, como num soco.

Adicionado por romério rômulo em 6 julho 2010 às 10:05 — 4 Comentários

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