Blog de Romério rômulo -- agosto 2011 Arquivo (9)

poesia, 5

há poetas que cozinham
noite e dia
na suave oficina da poesia

eu cozinho a poesia
chifre e rabo
na dura oficina do diabo.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 29 agosto 2011 às 13:30 — Sem comentários

musa e vestal, 1

1.
a musa e a vestal são meus abismos.
se abro uma, contém mirabolâncias
se abro outra, descubro silogismos.

vou revelá-las em todas as instâncias
cobertas de razão, mas sem juízo.

2.
a musa e a vestal são as amantes
do meu corpo imperfeito de narciso
e cegamente refletem meus juízos
num estado de ferro e de diamante.

vou amansar uns ópios indecisos.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 26 agosto 2011 às 18:56 — Sem comentários

desmontar a musa, 1

1.
eu pego da amada os parafusos
e reconheço cada, nos seus usos.
jumelos, lambrequins e outras gentes
monto e desmonto os olhos e os dentes.

daí carrego a musa em meus arreios
pra assegurar os tanques e os freios.

a vida já virou uma caçada
quem sabe dos chassis da minha amada?

2.
vou remontá-la toda, em madrugada
numa poesia de dança e gargalhada.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 23 agosto 2011 às 18:29 — Sem comentários

maradona, virgulino e limeira, 1

maradona, virgulino e limeira, 1

1.
eu chamei maradona e virgulino
pra um serviço no couro do sertão
minha alma de santo e de menino
escondida num verso fescenino
se perdeu no primeiro palavrão.
2.
maradona sacou seu dom divino
virgulino vestiu de lampião
zé limeira ferveu no desatino
qualquer deles não tem comparação.

ninguém viu um encontro tão moderno
o sertão é o beco do inferno.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 18 agosto 2011 às 12:19 — Sem comentários

maradona torceu o parafuso

1.

maradona torceu o parafuso

e bebeu o gol de muitas gentes

com o cântico dos cânticos cafuso

fez tremer as terras e os dentes

dos corpos a sobrar, todos confusos

por sua bala no teto dos desplantes

sob a injeção de deuses e descrentes

num pisar de anões e de gigantes

a encantar caretas e dementes.

2.

maradona torceu o parafuso

encontrou o pavão misterioso

com um gol, o mais belo e amoroso

fez cair toda regra em… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 13 agosto 2011 às 15:33 — Sem comentários

se eu fosse maradona, 25

olhando por cima d' água
eu sou bicho mamulengo
no anzol e na anágua
plantei muito capim bengo
plantei pólvora, novelo
espinho, pele e cabelo
comprei cavalo, novilho
pelo fim toquei sanfona
de tudo comprei, meu filho

ah! se eu fosse maradona!

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 11 agosto 2011 às 18:25 — Sem comentários

posses, 1

no meu olhar de alçapão
na minha pele de escova
na minha mão de bigorna
no meu dedo só impulso

no meu enfado bandido
no meu riso de atropelo
no meu antro de desdém
na minha quadra de luzes

na minha vila 18
no meu cabelo de estopa
a minha casa dos contos
o meu quinto dos infernos.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 7 agosto 2011 às 7:03 — Sem comentários

os meus cavalos são mesmo poetas

1.

bandeira chega em observação

pelos cavalos sábios, eles todos.

carrega as suas patas como rodos

a abater o mundo em poesia.



bandeira só faz versos na agonia.



2.

há um cavalo nos pastos, de sonetos

imbuídos das estradas mais sutis

seus olhos arrombados foram pretos

suas pisadas todas são febris



e trazem tudo sobre os atropelos

na sua fonte, noite de novelos

das águas, dos azuis, dos… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 3 agosto 2011 às 17:00 — Sem comentários

lodo, 1

eu caibo na manhã
eu caibo todo
com a minha febre terçã
e o meu lodo.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 1 agosto 2011 às 19:35 — Sem comentários

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