Blog de Romério rômulo -- dezembro 2010 Arquivo (10)

"se eu fosse maradona, 1"

se eu fosse maradona
eu me acabava na vida
e montava uma intentona
só de bola dividida.

em cada inglês derrubado
eu veria uma solução
na terra do fogo e água
do deus que trago na mão

tão tragada que viceja
no meu corpo de madona
a bola que me veleja
se eu fosse maradona.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 31 dezembro 2010 às 17:03 — Sem comentários

quando o dia me chega destravado

quando o dia me chega destravado

conto os dados da noite, sou vinícius

carregado da musa, alagado

num tonel de artes e ofícios.



pulo um samba com baden, afro/samba

ouço a voz ruminar nos sodalícios

minha voz, toda ela, se descamba

a jogar minha voz nos precipícios.



minhas asas tão verdes, sem um prumo

fazem parte do corpo como grito

seu caudal de desejos é o rumo

de ser só e sozinho um esquisito.



tenho casa, marília,… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 29 dezembro 2010 às 19:22 — 1 Comentário

babel

trago comigo
uma batalha solta
uma revolta puta
uma babel envolta.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 26 dezembro 2010 às 19:48 — Sem comentários

falta

eu não tenho uma casa
nem um cabelo bonito
a minha falta de asa
é que me faz esquisito.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 22 dezembro 2010 às 16:30 — Sem comentários

a casa da minha infância (para luis nassif)

1.

a casa da minha infância

nunca foi casa qualquer

tem mocinho, tem bandido

uns cantos cheio de medo

uns estados de martírio

medos de deus que se mostram

umas velas choradeiras

da vida que se ilumina

nos seus olhares já mortos

da minha casa vazia.

o pai e a mãe são momentos

de estender as mãos e ver

que certas artes das coisas

se fizeram por inteiro.

quanto de mim vejo agora?

quanto de cada manhã

eu vivi,… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 17 dezembro 2010 às 9:18 — 4 Comentários

matisse, fera

serei um fauve, fera, ancestral
matisse quilombola feito em pau
de cores duras, brabas, abrangentes
(caibam nelas as cores e as gentes)
peles sabidas, nervos em ataques
pescoços de expressão em badulaques
de arcos presos, amarrados, dentes.
um fauve sabe ser tão eloquente
ao vender em dúzias o metal
que nem se saberá mais indecente
no teto do seu corpo cardeal.

eu, fera, vou pisar por todo o mal!

romério

Adicionado por romério rômulo em 14 dezembro 2010 às 22:30 — Sem comentários

"romper-me mutilado dos cangaços"

os meus tonéis de paixão, marília bela

revêm o teu rastro e adjacências.

não cabem em meu corpo complacências

que adivinhem o quanto me procelas.



vou te dizer aqui, marília bela

o quanto sou feroz na tua mão:

a tua doce voz é uma cadela

na minha temperança de ilusão.



eu vejo em tua mão, marília bela

a paz enfurecida dos espaços.

tua ordem titubeia, puro cão

e me atribula o corpo aos pedaços.



candidamente me esvais,… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 13 dezembro 2010 às 21:19 — 1 Comentário

3 de janeiro de 1898

3 de janeiro de 1898



1.

pois saibam, meninos, hoje

luis carlos vai nascer.



2.

nascido, prestes conta as dores

dos desiguais na vida, dos sedentos,

dos famintos de esperança e trato.

sua luz do olho vê, em cada passo

o refazer das manhãs de um país.



tumultos são contidos nestas mãos

que só revelam sua face justa

quando umas forças violentas pulsam

no lá fora da vida desmontada.



quantos dentes nos faltam… Continuar

Adicionado por romério rômulo em 12 dezembro 2010 às 18:00 — Sem comentários

"o mundo vai morrer de água e sangue"

( a t.s. eliot )



o mundo vai morrer de água e sangue

e sobre um corpo, então, tremularemos.

cativos, ébrios, doutos, o que vemos

é a carne se ocupar de todo o mangue.



as podridões adotam sobre a terra

um frêmito de vozes condenantes.

por sobre tudo há um deus que erra

a nos falar dos corpos dos amantes.



na imensidão da treva que nos berra

por sob as sucursais destes infernos

atados pelos vermes dos invernos

quanto…

Adicionado por romério rômulo em 5 dezembro 2010 às 20:43 — Sem comentários

" ópera mundana "


vou arguir meu lábio de montanha
por tua pele em luz, por tua mão tamanha.

vou recontar um verso de vinicius
por todo o meu espanto em todos os suplícios.

vou contundir a noite, estatelar o dia
por revidar a vida e corroer os vícios.

por toda a culpa carregada e pia
vou me afagar em todos os silícios.

(romério rômulo)

Adicionado por romério rômulo em 3 dezembro 2010 às 21:00 — Sem comentários

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço