Blog de Romério rômulo (165)

quando todos partirem

quando todos partirem

1.

quando todos partirem

eu vou ficar sem muros

e o silêncio dos cachorros

vai desabar sobre mim

penso nas ladainhas a rezar

nos bancos que serão meus assentos

e na ausência das aves

as pedras do meu olho

vão cair nos rios

e a minha mão

vai moer as cordas do tempo

pela noite

minhas facas saberão das noites a cortar

dos bichos a saber

e do meu corpo desfraldado

as carnes não…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 8 julho 2012 às 13:30 — 1 Comentário

dig it, Seamus Heaney!

dig it, Seamus Heaney!

na poesia

debruçar sobre as vogais

os cerrados

e revolver as mulas da infância

quanto tempo gastei meu corpo bêbado

sobre os montes de terra

com as ferragens cozidas

pelos modos das gentes do meu povo

quantas guerras fiz

no meu braço de arame

que comia hóstias, corpos de santos

e moças fora do tempo

quantas sílabas contive nos dentes

com todos a me cobrar

a dívida da história.

são…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 21 junho 2012 às 16:44 — Sem comentários

a orelha dura de van gogh

a minha carne é extrato em ferro
de uns demônios que destroem, loucos
os pavimentos do mundo e me cancelam

umas linguagens mortas, destratadas
pelo desejo de uma mão dobrada
que lhes entregue o morto a cada noite

quando romper o escuro é permanência
quando subir tapumes é maldade
ao me sobrar o canto iluminado

pela boca febril de caravaggio
pela orelha dura de van gogh
neste fantasma de casa que me cerca.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 19 junho 2012 às 7:12 — 1 Comentário

vila, 1

vila, 1

esta vila é uma verdade

plena de matos e pedras

rica de ouros e águas

espraiados pelos corpos

que ontem se viram escravos

nos atos mais comezinhos

onde cada ponte leva

onde cada água afunda

a memória dos algozes

do ouro por sucumbir

em lanhos, facas, machados

nos próprios ossos das gentes?

quanta carne se abriu

nos cantos desta cidade

que a fizeram roer ossos

e quebrar-se pelas pedras…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 18 junho 2012 às 3:30 — Sem comentários

montar a musa, 5

montar a musa é mais do que fatal
que além de tudo a engrenagem entoa
(que importa a mim se a bicharia roa?)
e eu enfio os pés no lodaçal.

juntadas as regiões nobres e as paletas
lavradas em oficinas, todas elas retas
montá-la é desmontá-la pelo avesso:

onde faltar questão, eu ponho gesso.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 12 junho 2012 às 15:03 — Sem comentários

quando um bordel me ocupa

minha casa é um agasalho

ocupado por scliar

onde afro-sambas e baden

vinicius, guignard, clarice

caminhavam seus direitos.

nos seus domínios inteiros

um minotauro vigia

as portas inanimadas

onde tantos que passaram

não passam mais por inteiro.

fugiram pelas paredes

levaram os seus cordéis

suas artes, suas frestas

seus corpos de pura sede.

umas terras me contornam

uns gados me alumiam.

alices, joaquinas,…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 6 junho 2012 às 14:31 — Sem comentários

quanto de mim vale um anjo

quanto de mim vale um anjo

se cada vazio oculto

se traduz por um diabo

na alma cheia de dentes

meus cavalos e pedreiras

minhas glândulas atávicas

os umbrais da minha sede

prontamente se revelam

uns bois de olhos sagrados

me contemplam com seu dorso

de pura dureza vista

nos antanhos já bebidos

são anjos, demônios, roncos

de uma pele atrevida

já pisada de histórias

e pratas não semeadas

quantos deuses me…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 2 junho 2012 às 21:18 — Sem comentários

maradona entrou na dividida

jesus cristo jogou para a platéia
maradona entrou na dividida
como entra no mundo a fé parida
a conter qualquer deus da galiléia

destoado nas vigas do sertão
por saber que a ventura desta vida
é a cabrocha, o luar e o violão.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 23 maio 2012 às 23:22 — Sem comentários

eu sempre amei demóstenes, 1, fragmento

meu desacerto com as águas
é pedra e ranço.
mandei as cachoeiras ao rebate dos bichos
ao estranho das coisas
à entranha do cerrado
ao último cerrado
à última instância do cerrado
em cada mão que me contém já morto.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 15 maio 2012 às 8:44 — Sem comentários

carcará e maradona se bicaram

carcará e maradona se bicaram
pelos céus João do Vale do brasil
maradona movido a pé na bola
carcará decantado à dor de abril

carcará e maradona, à mesma hora
desataram o mundo que os pariu.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 10 maio 2012 às 15:12 — 1 Comentário

maradona é o caminho

maradona é o caminho

apertei a lua cheia

no olhar da macambira

na fuga certa da teia

no extrato do horizonte

pura pedra, rala e monte

no calor da minha veia

o que na vida me atrasa

não posso fazer sozinho

já pisei em cova rasa

nasci na pele do minho

caldeirão é a minha brasa

estes lençóis são de linho

um surdo doido me arrasa.

sinfonia é só a nona

virgulino é meu caminho

ah! se eu fosse…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 6 maio 2012 às 8:08 — Sem comentários

maradona carcará

maradona carcará

maradona rasgou um pé de vento
já pregado no bicho carcará

bem olhado num verso lá de cima
maradona el pibe tá e num tá

perguntado se a vida é pura rima
maradona responde: é o que há

se a rainha brigar com maradona
ele pega no umbigo inté matá.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 22 abril 2012 às 8:43 — Sem comentários

pelos 2 o sertão já virou mar

pelos 2 o sertão já virou mar

(maradona e conselheiro)

o sertão, meu amigo, é um inferno

onde um anjo harpeja seu delírio

quando a terra lavada é o martírio

a grunhir a desgraça ao padre eterno

maradona rasgou a travessia

com uns gados de múltiplos talentos

suas pernas rugiram como os ventos

que ressaltam os sons da romaria

viva joão e josé, salve maria

num bagaço de vida e de tormentos

seus chamados ao cristo criador

às…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 15 abril 2012 às 21:30 — Sem comentários

millôr & picasso

de millôr a picasso
o mundo é um puta
fracasso.

de picasso a millôr
o mundo é um estado
de horror.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 29 março 2012 às 8:40 — Sem comentários

entrega

fui agora pedido em casamento
entre pragas, estragos e atropelos.
uma noiva por dia eu invento!

faço o quê pra cuidar dos meus cabelos?

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 26 março 2012 às 7:52 — Sem comentários

se eu fosse maradona, 37

mesmo tomado de horror
devo beber cortisona
pra curar males de amor.

ah! se eu fosse maradona!

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 21 março 2012 às 5:30 — Sem comentários

maradona, lampião e padim ciço

lampião era pitoco

arretado no facão

padim ciço do pau oco

maradona confusão

remataram uma tormenta

botando fogo na venta

atrás da revolução.

lampião chegou primeiro

arregaçou o sertão

padim ciço, canhoteiro

botou água no feijão

maradona viu a bola

marcou um gol de canhão.

no olhar de maradona

visto quem chegou primeiro

che guevara com fidel

atrás do seu cancioneiro

pra fazer revolução

padim cícero…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 17 março 2012 às 13:44 — Sem comentários

os mestres, os vandálicos, os loucos

1.
os mestres, os vandálicos, os loucos
não são os todos, e nem são muito poucos.
seus edredons são peles de camelos
suas carnes se respaldam em novelos
seus ovos são férteis nutrientes
a desmanchar e recozer os dentes.
quantas manhãs os vi a trovejar
os seus bafejos chegados d' além mar.
2.
seus atos dominados por bobinas
se atropelam em todas as esquinas.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 12 março 2012 às 21:39 — Sem comentários

cavalos, maradona

os meus cavalos, estados do concreto
ao desmontar as dúvidas nos campos
desdobram luzes, quebram pirilampos.
cada cavalo é linha. todo cavalo é reto.

endoidecidos, as vidas pelos tampos
cavalo é um tormento. cavalo é um projeto.

no campo sempre, com o nervo pelo talo
há um maradona em estado de cavalo.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 8 março 2012 às 12:36 — Sem comentários

medusa amarrada, 1 (maradona)

como sei disso tudo amigo meu?
são os astros de atenas revelados
na estátua cravada em ferro gusa

sobretudo nos olhos congelados
maradona se toma de perseu
e amarra os olhos da medusa.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 5 março 2012 às 9:03 — Sem comentários

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço