Blog de Romério rômulo (165)

se eu fosse maradona, 32

procuro palavra a frio

pra rimar com maradona

encontro um bago de rio

uma mulher, uma zona

um encanto de madona

o estrilo das pipetas

nos camburões. as buretas

que aquecem todo gol.

a perna que arremata

um pão chamado baguete

uma bola feita alma

treta, preta, bola sete

que tritura a minha calma

de desditar a rainha:

uma beth não bendita

arrematada na tripa

de um gago feito rei.

maradona passa a bola

a…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 3 março 2012 às 17:00 — Sem comentários

carpintaria, 1

1.
pelo grosso
as musas só me roem a pele e o osso.
2.
no geral
as musas só me fritam em água e sal.
3.
num cambão
as musas me derretem em solidão.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 28 fevereiro 2012 às 16:30 — Sem comentários

travessia, 1

se ela quiser eu vou
faço logo a travessia.
manuelzão já me chamou.

inda que seja na cheia
atravesso o vau de rio
com um cavalo na veia.

o sertão é gado limpo
música semi colcheia.

com que roupa eu chego lá?
que pente que me penteia?

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 26 fevereiro 2012 às 8:00 — Sem comentários

rivotril, 16

a moça sugeriu a camomila
pra segurar meus cálidos pavores.
mas o diabo é sempre a minha vila:

aqui só servem rivotril. sem flores.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 17 fevereiro 2012 às 15:27 — Sem comentários

aço, 1

eu construí a musa de improviso
com uma carne feita de maçã
e uma terra certa: o paraíso.

mas eu padeço de febre terçã
e o seu olhar de aço foi o aviso:
a minha musa é toda em rolimã.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 12 fevereiro 2012 às 8:47 — Sem comentários

o braço de manuelzão, 1

minas é um rio comprido
como um cachorro latido
no braço de manuelzão

eu olho minas de perto
como tecido coberto
pelo balaço do mar

manuelzão e mar são coisas
de fazer minas chorar.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 4 fevereiro 2012 às 16:00 — Sem comentários

sal, 1

sal, 1

morrer é um traço musical
desmanche da carne,toque de instrumento
navio aportado, soco duro.

a vida assombrada é um fragmento
emergido da terra, uma fogueira
onde a terra sem vida é uma beira
emoção do que é doce e virulento.

navio aportado, soco duro
o corpo me carrega em sal impuro.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 2 fevereiro 2012 às 8:14 — Sem comentários

minha poesia está solta na vila

sou o poeta canônico
das estrofes adversas, dos terrenos baldios
dos dezembros de osso e pedra.
elevo a inflexão nos sonetos
como um antônio das mortes.
os loucos e os bichos me ouvem.

já fiz orações a vieira, a antônio de pádua
aos apóstolos pedro e paulo
a vinicius e baden.
rezei com os tincoãs na freguesia
e os muros lavaram os meus horrores.

minha poesia está solta na vila.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 28 janeiro 2012 às 8:00 — Sem comentários

eu sempre fui ao coração das coisas

eu sempre fui ao coração das coisas
revelei minhas tripas aos insensatos
e velejei pelos mares mais torpes
em busca da ciranda.
parti todas as lanças que me mandaram
e, no último instante, arremessei meus ossos
no lodo.

quando virem um ser penado
uma vaga incandescente nas valas
contem certo:
sou eu atravessado nos pastos.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 24 janeiro 2012 às 7:52 — 1 Comentário

a sua pele branca de algodão, 1

não fujo de uma rosa dolorida
nem quero a solidão tumultuada.

para morrer eu só carrego a vida.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 20 janeiro 2012 às 8:15 — Sem comentários

montar a musa, 1

montar a musa é um estado lindo
por só cair em exercício findo.
os pedestais, coivaras e delírios
são pontes soltas pelos meus martírios.

 

quanta poesia rebelde e insensata
já me queimou na esfera correlata!

 

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 16 janeiro 2012 às 8:30 — Sem comentários

anjo ruivo

um anjo ruivo
que decide a noite
escava gavetas
faz o translado dos dentes
cuida das pontes
arranca os medos e os berros

um anjo ruivo
que varre e acerta bandolins
aperta poetas vadios
diz o nome dos bois
arranca os aços da vida

um anjo ruivo
que lava
a poesia ressecada.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 9 janeiro 2012 às 15:03 — Sem comentários

fragmento, 1

quando eu morrer amanhã, não interrogue
da só devassidão dos meus ofícios
eu deixo um girassol, como van gogh
e um afro-samba travado de vinicius.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 2 janeiro 2012 às 15:05 — Sem comentários

lampião e maradona, fragmento

lampião e maradona, fragmento

sou um cabra danado de vazio
cada furo que faço é um arrepio.
cada poça de água, ceará
bem-me-quer, mal-me-quer
mas não me dá.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 26 dezembro 2011 às 10:28 — Sem comentários

mote para dezembro, 1

eu deixo a casa vazia
meus cavalos d'além mar
um caravaggio nos ossos
um maradona no olhar
um goya feito do avesso
meu corpo sem endereço

se dezembro me matar.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 18 dezembro 2011 às 8:16 — Sem comentários

não consigo me livrar desse poema

tenho medo.

o medo de viver sob essa pele,

o medo das mulheres que me absolvem do pecado,

o medo do câncer que termina em morte.

medo das estradas sem caminho,

do envolver o espanto do meu olho

e derivar os poemas da noite.

medo dos cachorros é o que tenho.

tenho medo dos cavalos,

da beleza que destilam

quando eu não consigo a coragem de vê-los.

tenho medo do olhar,

de todos os olhares:

a vida lhes pulsa o meu medo

e só me…

Continuar

Adicionado por romério rômulo em 12 dezembro 2011 às 17:03 — 1 Comentário

dados, lance 1

dados, lance 1

se bem me esqueço
nascer é tropeço

se bem me lembro
morrer é dezembro

tudo é um jogo
de terra e fogo

a embebedar
a água e o ar.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 6 dezembro 2011 às 14:00 — Sem comentários

o dezembro de Kafka, 1

a neta de Kafka
foi colhida nas máquinas de um senhor de 12 anos.

retrato brusco,
desde então há um risco no meu olho
meus cavalos mostram impotência
as vestais se amputam na pele
o absinto desova suas águas.

censurada
essa mulher é a pedra do meu rim.

devem ser razões do próximo dezembro.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 28 novembro 2011 às 7:25 — Sem comentários

dezembro 1, 2

1.
neste dezembro eu vou pisar o estio
com toda a truculência do vazio.
2.
me declaro cavalo e pecador
temporais de um corpo inexistente.

em dezembro me caso por amor.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 21 novembro 2011 às 20:27 — Sem comentários

o corte da terra

a vida, solidão, toda impotência
caminha numa pele de novelo
onde ela rasga a carne em desmantelo
a demonstrar ao mundo abstinência.

pudera ser mais torpe e mais estrada
nos meus cavalos, encantos, aguaceiros.

a vida se acabou em quase nada.

romério rômulo

Adicionado por romério rômulo em 14 novembro 2011 às 5:28 — 1 Comentário

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço