Portal Luis Nassif

Jairo Severiano

* 20/1/1927 - Fortaleza (CE)

Pesquisador / Escritor / Historiador / Produtor / Funcionário Público

 

 

Uma das minhas preocupações quanto a “pendurar as chuteiras” (aposentadoria) era como preencher meu tempo na esfera cognitiva, já que na parte física sempre me exercitei.

 

 

Apreciadora de uma boa música (para ouvir e dançar) decidir enveredar no universo fantástico da Música Brasileira. E o primeiro passo foi a montagem de uma biblioteca na área.

 

 

Minhas primeiras aquisições foram o Dicionário Houaiss Ilustrado - Música Popular Brasileira (Ricardo Cravo Albin/2007) e os livros “A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vl 1: 1901-1957 e Vl 2: 1958-1985”, dos escritores Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. No ano seguinte, em 2008, Jairo lança “Uma história da música popular brasileira: Da origem à modernidade”, que considero uma espécie de “bíblia” da nossa MPB.

 

 

 

Os livros acima são minhas eternas fontes de pesquisas

 

 

 

Foi em 2008, precisamente no dia 6 de julho, que inicie minha nova atividade de blogueira no Portal Luis Nassif. No ano seguinte tive ideia de publicar a série “A Canção no Tempo” baseada no livro do Jairo Severiano em parceria com o Zuza. Um ano depois o Instituto Moreira Salles (IMS), também, teve a mesma ideia.

 

 

O objetivo deste pequeno relato é ressaltar a importância da obra do grande pesquisador/escritor Jairo Severiano na minha atual vida de blogueira na esfera musical. Tê-lo entre meus amigos do Facebook é uma grande honra e um aprendizado constante.

 

 

 

 

Hoje é dia de batermos palmas aos 88 anos de Jairo Severiano e contar um pouco da sua trajetória pessoal e profissional. Peço desculpas pela singela homenagem diante da grandeza do homenageado.

 

 

Foi nas cidades de Fortaleza e Recife que Jairo passou a infância e adolescência, mudando-se para a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, onde iniciou carreira no Banco do Brasil, em 1950.

 

 

 

 

A foto acima é dos anos de 1950 onde vemos nosso homenageado tocando violão na Rádio Alegrete (interior gaúcho) onde trabalhou no Banco do Brasil. [Esta foto “marretei” do seu Facebook]. Ele afirma que abandonou a prática violonística quando conheceu uma turma que tocava de verdade. Era o Conjunto Época de Ouro.

 

 

 

Sempre demonstrou motivação pela música popular. Um dos seus primeiros estudos foi o levantamento da discografia brasileira em 78 rotações, em 1968. Na década de 1970 integrou-se aos pesquisadores Alcino Santos, Grácio Barbalho e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez), que também que tinham o mesmo núcleo de interesse.

 

 

 

 

 

 

 

 

Patrocinada pelo então Ministério da Educação a pesquisa foi concluída em 1979, sendo editada pela Funarte em 1982 com o título "Discografia Brasileira - 78 RPM - 1901/1964". Uma grande contribuição à música brasileira.

 

 

 

 

 

Escreveu a monografia "Getúlio Vargas e a música popular", publicada em 1983, por solicitação da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

 

 

Outros Trabalhos de Jairo Severiano

 

 

 

 

Biografia do compositor João de Barro, publicada pela Funarte em 1987, com o título "Yes, nós temos Braguinha".

 

 

 

 

 

O LP “Yes, nós temos Braguinha” foi concebido visando homenagear os 80 anos de Braguinha. Jairo Severiano e Nestor de Hollanda Cavalcanti foram os produtores do disco que foi lançado pela Funarte/Atração Fonográfica e Instituto Itaú Cultural, em 1987. Uma década depois foi, também, lançado em CD nas comemorações dos 90 anos de Braguinha.

 

 

 

 

Jairo Severiano e Braguinha com a Orquestra de Vozes - Garganta Profunda nos ensaios/gravação do disco “Yes, nós temos Braguinha.

 

 

 

 

A década de 1980 foi fecunda com muitas produções. Confiram algumas.

 

 

 

 

Álbuns fonográficos de cunho cultural, entre os quais se destacam a série "Revolução de 30", "Revolução de 32" e "O ciclo Vargas", em parceria com Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez) para a Fundação Roberto Marinho.

 

 

 

 

 

Produção de álbuns fonográficos para a FUNARTE (Fundação Nacional de Arte) a exemplo dos álbuns da foto acima - “Aracy Cortes” e “Nosso Sinhô do Samba”.

 

 

 

 

 

Produção dos LPs duplos "Dorival Caymmi" (1985) e "Antônio Carlos Jobim" (1987), reeditados em CD com os títulos de "Caymmi inédito" com produção de Jairo Severiano/Dorival Caymmi/Aluisio Didier e "Tom Jobim inédito" produzido por Jairo Severiano/Jaques Morelenbaum/Paulo Jobim.

 

 

 

 

 

 

Dentro das comemorações do centenário de Villa-Lobos, em 1987, o Museu que leva seu nome relançou, em edição limitada, as dezesseis gravações do LP “Native Brazilian Music”, produzido por Jairo Severiano, Suetônio Valença e Marcelo Rodolfo, com texto do musicólogo Ary Vasconcelos. Vale ressaltar que o citado relançamento foi feito com base em discos 78 rpm cedidos pelo colecionador Flávio Silva.

 

 

 

 

 

 

Jairo coordenou os projetos "Mozart de Araújo" (1991), para o Centro Cultural Banco do Brasil, e "Memória musical carioca", para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, este juntamente com o pesquisador Paulo Tapajós (foto acima com Jairo).

Ministrou ainda palestras em universidades do Rio de Janeiro e outros estados, e cursos em entidades como a Fundação Casa de Rui Barbosa.

 

 

 

 

 

 

 

Alguns discos com participações de Jairo Severiano pelo Selo FENAB (Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil).

 

 

 

 

Álbum Duplo “Chorando Callado”, na função de assistente de produção. Gravado no Estúdio Eldorado (São Paulo), em novembro de 1981.

 

 

 

 

 

Álbum Duplo “Banda de Música de Ontem e Sempre”, na função de assistente de produção. Gravado no Estúdio Eldorado (São Paulo), em julho de 1983.

 

 

 

 

 

Álbum Triplo “Velhos Sambas... Velhos Bambas”, na função de assistente de produção. Gravado no Estúdio Transamérica (Rio de Janeiro), em julho e agosto de 1985.

 

 

 

 

 

Álbum Duplo “Os Pianeiros”, nas funções de assistente de produção e seleção de repertório. Gravado no Estúdio Transamérica (Rio de Janeiro), em maio de 1986.

 

 

 

 

 

Álbum Triplo “90 Anos Ary Barroso”, nas funções de direção de estúdio e mixagem. Gravado no Estúdio Transamérica (Rio de Janeiro), nos meses de junho, julho e agosto de 1992.

 

 

 

 

Amigo Jairo resolvi eleger a pianista Carolina Cardoso de Menezes para tocar em seu aniversário de 88 anos. Tomara que seja do seu agrado.

 

 

 

 

Luar de Paquetá” (Freire Júnior) # Carolina Cardoso de Menezes. Disco Sinter (90-A), 1951.

 

 

Observação: Ouça "Luar de Paquetá" nos "comentários", no final do Post.

 

 

 

 

 

Brejeiro” (Ernesto Nazareth) # Carolina Cardoso de Menezes, Disco Sinter (219-A), 1953.

 

 

 

 

 

 

Mulher” (Oswaldo Cardoso de Menezes) # Carolina Cardoso de Menezes, 1986.

 

 

 

 

 

 

 

 

Pedacinhos do céu” (Waldir Azevedo) # Carolina Cardoso de Menezes (piano) e Fafá Lemos (violino), 1989.

 

 

 

 

 

 

 

 

Despertar da montanha” (Eduardo Souto) # Carolina Cardoso de Menezes. Álbum Preludiano, 1997.

 

 

 

 

 

 

 

 

O compositor Sinhô e a pianista Carolina Cardoso de Menezes

 

No site “CliqueMusic” (verbete da Carolina Cardoso de Menezes) Jairo Severiano lembra que em 1986, ano da produção do Álbum “Os Pianeiros” (citado em parágrafos anteriores) ele propôs a pianista Carolina que gravasse um samba pouco conhecido do compositor Sinhô - “Sete Coroas” (nome de um bandido da época).

 

Ela não se fez de rogada. De primeira “colocou a partitura sobre o piano e tocou direto, perfeitamente, mesmo sem conhecer a música", conta Jairo. Ainda sobre a amiga ele ressalta que ela “não era do tipo que gostava de falar muito de si, ou expansiva a ponto de colecionar amigos, mas quando gostava de uma pessoa, era para valer, sendo extremamente atenciosa.

 

 

 

Sete Coroas” (Sinhô) # Carolina Cardoso de Menezes. Álbum Os Pianeiros, Selo FENAB, 1986.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É uma dádiva trabalharmos naquilo que gostamos, independentemente do retorno financeiro, pela satisfação que nos causa.

Pelo pouco tempo que interagimos no Facebook arisco a dizer que você tem muito prazer no que faz na área musical. Guardadas as devidas proporções, eu também.

Advogo que o bem estar psicológico interfere na nossa saúde física nos tornando seres mais produtivos e de bem com a vida. A prova cabal é a sua prodigiosa memória que o torna uma das maiores fontes de pesquisa para quem o procura.

 

Amigo Jairo com esta singela homenagem integro sua legião de fãs para desejar um FELIZ ANIVERSÁRIO!

 

 

 

 

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Fontes:

 

- Blog Nota de Rodapé (Aqui).

- Dicionário Cravo Albin da MPB (Verbete Jairo Severiano).

- Fotomontagens (Laura Macedo).

- Jornal Folha de São Paulo/Ilustrada - Texto de Luiz Fernando Viana/3 de maio/2008/Aqui).

- Perfil de Jairo Severiano no Facebook.

- Site Clique Music (Aqui).

- Site YouTube (Canais: “SenhorDaVoz” / “feuip” / “luciano hortencio”).

 

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Exibições: 551

Comentário de lucianohortencio em 20 janeiro 2015 às 11:28

Comentário de lucianohortencio em 20 janeiro 2015 às 11:29

Orlando Silveira e Orquestra - BRASIL MORENO - Ary Barroso e Luis Peixoto - arranjo de Orlando Silveira.
Álbum: Ary Barroso - 90 anos - FENAB.
Ano de 1992.
http://www.jornalggn.com.br/blog/luci...


Principal responsável pelo processo de sofisticação do samba, cristalizado em 1939 com a consagração de "Aquarela do Brasil" no espetáculo "Joujoux e Balangandãs", Ary Barroso compôs (com Luís Peixoto) "Brasil Moreno" para o "Joujoux e Balangandãs n°2", em 1941. Nesse gênero de composição ele utilizou requintes como crescendos, dimimuendos, variações de andamentos e sobretudo a conjunção de percussão forte, sacudida, com melodias brilhantes, refinadas. Demonstrando perfeito entendimento das intenções do compositor, o maestro Orlando ;Silveira criou o maravilhoso arranjo aqui mostrado, faixa do álbum "Ary Barroso, 90 Anos", produzido por José Silas Xavier para a FENAB em 1992. Dessa gravação participaram 36 músicos (Mestre Dino, Giancarlo Pareschi, Leandro Braga, Edmundo Maciel, Wilson das Neves, Jorginho do Pandeiro, Biju, Formiga...). Como o naipe de cordas (14 violinos, 2 violas, 2 violoncelos) "dobrou" a gravação esse total subiu para 54. (e muito grato, amigo Luciano Hortencio, pela postagem dessa obra-prima).
Jairo Severiano

Comentário de lucianohortencio em 20 janeiro 2015 às 11:31

Parabéns ao conterrâneo e amigo JAIRO SEVERIANO pelo seu aniversário e também para a amiga LAURA MACEDO, pela excelente homenagem prestada a quem muito merece.

Comentário de Gregório Macedo em 20 janeiro 2015 às 14:40

Nossas felicitações ao mestre Jairo, esteio de pesquisadores e amantes da MPB.

(Justa e belíssima homenagem, querida Laurinha. Beijos).

Comentário de Laura Macedo em 20 janeiro 2015 às 23:45

Amigo Luciano,

Grata pelo gentil comentário. Deixo para o amigo a foto abaixo que pode muito bem ilustrar futuros posts seus.

Abraços

Comentário de Laura Macedo em 20 janeiro 2015 às 23:54

Gregório,

O Jairo Severiano é uma sumidade em se tratando da nossa MPB ao tempo que é de uma simplicidade e generosidade fanáticas.

O escritor Ruy Castro afirma que não dá dois passos sem consultar o Jairo. "Ele é garantia de exatidão, não dá palpite. Se não sabe, pede dez minutos ou uma hora e meia, pesquisa e te dá a resposta certa".

Beijos

Comentário de Laura Macedo em 20 janeiro 2015 às 23:57

Comentário de Jairo Severiano no Facebook:

"Muitíssimo grato pela belíssima homenagem (já imediata e devidamente preservada em meus guardados), querida amiga e colega de pesquisa, Laura Macedo. Grande abraço!".

Comentário de Laura Macedo em 17 janeiro 2018 às 20:05

Luar de Paquetá” (Freire Júnior) # Carolina Cardoso de Menezes. Disco Sinter (90-A), 1951.

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