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Errei, erraram, erramos!

            Acordei pensando nos reveses de 2016, impeachment, retrocesso nas eleições. Ainda em choque, mesmo sabendo, antecipadamente, que os ventos não eram favoráveis, não quis acreditar nas mudanças que esses ventos traziam.

            Reflito e me entristeço, não pelo partido A ou B, nem pelos candidatos nos quais empenhei meu voto, ou pelos que torcia para que vencessem para manutenção ou inovação do desenvolvimento social e em todos os âmbitos. Mas sim pelo povo, pelas minorias ou maiorias marginalizadas, ou seja, os excluídos de alguma maneira.

            Sinto, neste instante, além da tristeza, a insegurança, pois a tempestade é iminente, trovões e relâmpagos avisam, MPs fazem barulho, PECs ofuscam, PLs estrondam e ofuscam. Enfim, os achaques à Democracia, os retrocessos em direitos sociais e trabalhistas e o estado de exceção, em que nos encontramos, preludiam a grande tormenta. Não que a calmaria fosse constante com os governos a esquerda, pois cometeram erros, caminharam para centro-esquerda, foram personalistas, deixaram inúmeras vezes de ouvir os movimentos sociais, no entanto caminhavam, mesmo que a passo lentos, solidificando avanços sociais.

            Continuo tomado por esta insegurança e tristeza, mas um sentimento de culpa cresce. Pondero, que como professor deveria ter despertado mais o pensamento crítico; como cidadão juntos aos outros devíamos ter cobrado mais dos governos, que aí estavam, para que aprofundassem mais nos avanços. Tudo isso talvez acontecesse se não tivesse acreditado que teria tempo e não me acomodasse na falsa sensação de equilíbrio de um governo mais voltado para o social.

            Agora, a tristeza se vai e a culpa se apodera de minhas reflexões e vejo a culpa da cegueira e surdez seletiva que nos impusemos para acreditar que tudo caminhava bem. O grito dos excluídos ecoava e ecoa, a repressão às minorias aparecia nos meios de comunicação e aparece, porém, não víamos nem ouvíamos. Indígenas, MTST, MTS, as vozes da periferia, os jovens, as mulheres, os jovens negros assassinados, todas gritavam para continuarmos a luta.

            Errei, erraram, erramos! Isto me faz citar Brecht:

 

        “ Mas nós cometemos erros, não há como negar.
          Nosso número se reduz.
          Nossas palavras de ordem estão em desordem.
          O inimigo distorceu muitas de nossas palavras, até ficarem irreconhecíveis.

          Daquilo que dissemos, o que agora é falso: tudo ou alguma coisa?
          Com quem contamos ainda?
          Somos o que restou,
          Lançados fora da corrente viva?
          Ficaremos para trás,
          por ninguém compreendidos e a ninguém compreendendo?

          Precisamos ter sorte?

         Isto você pergunta.
         Não espere nenhuma resposta senão a sua. ”

 

Enfim tomado pelo desejo de mudança que me impulsionou nos anos de minha juventude, digo, devemos ouvir não só os gritos, mas também os sussurros, devemos enxergar os sofrimentos, nossos erros e juntos encontrarmos soluções.

Maurício José Rodrigues

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Comentário de Nena Noschese em 13 novembro 2016 às 23:52

E como dizia o poeta " E agora José? A luz acabou o povo sumiu...

O DONALD TRUMP NO PODER COM SEU DISCURSO FÉTIDO E PRECONCEITUOSO, PARECE QUE NÃO É SÓ NOSSO O PROBLEMA DO AVANÇO DAS FORÇAS NEGRAS SOBRE O MUNDO.

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