05 Nov Dia Nacional da Cultura NELSON RODRIGUES Homenagem ao Pioneiro da Moderna Dramaturgia Brasileira

" Astrojildo Pereira chegava a afirmar, em relação a VESTIDO DE NOIVA, que a peça deveria marcar rumos para o Teatro Brasileiro, numa espécie de comentário profético " Dyonysos " Os Comediantes "

O costume de assistir teatro começou com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808. O rei convidava companhias estrangeiras para apresentarem seus espetáculos aqui. A partir do século XIX, tem início a comédia de costumes, com destaque para os textos de Martins Pena. Logo em seguida, apareceria o Teatro de Revista.

Mas foi com a estreia de "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, em 1943, que a crítica aponta o nascimento do teatro brasileiro moderno. Com direção do polonês Ziembinski, a peça quebrava com todos os padrões da época

Peça escrita em apenas uma semana, em 1941, e encenada dois anos depois, que mudou de fato a vida de NELSON RODRIGUES. Pela primeira vez na História do Teatro Brasileiro, um texto dramático substituía o surrado cenário das comédias de costumes pelo espaço dos planos de realidade, da memória e da alucinação.As inovações de VESTIDO DE NOIVA logo fizeram que ela saltasse do campo restrito do Teatro para outras Artes. Escreveu-se que a dramaturgia ingressava,pela primeira vez, no domínio da literatura. Seria mais adequado dizer que o TEATRO , com espetáculo, se universalizava `a maneira das outras artes modernas e NELSON RODRIGUES representava para o Palco que trouxeram Villa-Lobos à música, Portinari para a pintura e Carlos Drummond de Andrade para poesia. A dramaturgia Rodriguiana constituiu o mais amplo painel da sociedade urbana brasileira. Por meio de linguagem límpida, sucinta, vibrátil e a capacidade de expor os desejos menos confessáveis de suas personagens, NELSON RODRIGUES abriu caminho para Todos os Autores surgidos nas últimas décadas
 
NELSON FALCÃO RODRIGUES , nasceu em 23 de agosto de 1912, no Recife, Pernambuco, filho de Mario Leite Rodrigues ( jornalista que teve um grande papel na renovação da Imprensa Brasileira ) e de Maria Esther Falcão Rodrigues. Estreou , no jornalismo , aos 13 anos de idade , no diário " A manhã " do seu pai. Sua primeira experiências de imprensa foi a reportagem policial. Aos 14 anos, escreveu o artigo " A Tragédia de Pedra " numa coluna, onde colaborava Monteiro Lobato, Antonio Torres, Agripino Grieco, Humberto Campos, José do Patrocínio Filho, Medeiros de Albuquerque e outros grandes homens literários da época. Em 1929, começou a fazer a crônica de futebol, ao lado de seu irmão Mario Filho. A morte de seu irmão, Roberto Rodrigues, pintor e ilustrador, assassinado aos 23 anos, marcou para sempre a sua obra, sobretudo na parte dramática. Em 1940, ocorreu sua estréia teatral com o drama " A Mulher Sem Pecado ", levada pela Comédia Brasileira do serviço Nacional de Teatro. Na noite de 28 de dezembro de 1943, era apresentada , no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a sua " Tragédia Carioca " VESTIDO DE NOIVA pelos amadores de " Os Comediantes " , com Cenários de SANTA ROSA e Direção de ZIEMBINSKI
Nelson Rodrigues

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer  menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou  (e sempre fui) um anjo pornográfico.

YouTube http://youtu.be/D9qCBA2xwb0

Nelson Rodrigues nasceu da  cidade do Recife - PE, em 23 de agosto de 1912, quinto filho dos catorze que o  casal Maria Esther Falcão e o jornalista Mário Rodrigues puseram no mundo. Os  nascidos no Recife, além do biografado, foram Milton, Roberto, Mário Filho,  Stella e Joffre. No Rio de Janeiro nasceram os outros oito: Maria Clara,  Augustinho, Irene, Paulo, Helena, Dorinha, Elsinha e Dulcinha.

Seu pai, deputado e jornalista do Jornal do Recife, por problemas políticos resolve se  mudar para o Rio de  Janeiro, onde vem trabalhar como redator parlamentar do jornal Correio da  Manhã. Em julho de 1916, d. Maria Esther e filhos chegam ao Rio de Janeiro  num vapor do Lloyd.

Haviam vendido tudo no Recife para  cobrir as despesas de viagem, e tiveram que ficar hospedados na casa de Olegário  Mariano por algum tempo. Em agosto de 1916 alugaram uma casa na Aldeia Campista,  bairro da Zona Norte da cidade, na rua Alegre, 135, onde a família Rodrigues  teve seu primeiro teto na cidade.

Nelson ia sendo criado dentro  do clima da época: as vizinhas gordas na janela, fiscalizando os outros  moradores, solteironas ressentidas, viúvas tristes, com as pernas amarradas com  gazes por causa das varizes. Naquela época os nascimentos eram assistidos por  parteiras de confiança e eram feitos em casa. Os velórios também eram feitos em  casa, usava-se escarradeira e o banho era de bacia. Nelson registrava em  sua memória esse cenário. Daí sairiam os personagens de sua obra  literária.

Com o autor vivendo seu quarto ano de  vida, um fato pitoresco: uma vizinha, d. Caridade, invade a sua casa e diz para  sua mãe: "Todos os seus filhos podem freqüentar a minha casa, dona  Esther. Menos o Nelson." Como ninguém entendesse a razão de tal  proibição, ela afirmou: vira Nelson aos beijos com sua filha Odélia, de  três anos, com ele sobre ela, numa atitude assim, assim. Tarado!

Aos sete anos, em 1919, pediu a sua  mãe para ir à escola.  Foi matriculado na escola pública Prudente de Morais, a  dois quarteirões de sua casa.  Aprendeu a ler rapidamente e era por isso  elogiado por sua professora, d. Amália Cristófaro.  Infelizmente não era muito  asseado e vivia sendo repreendido por ela.  O que, no entanto, causava espécie,  era sua cabeça — desproporcional em relação ao tronco — e suas pernas  cabeludas.

Em 1920 ocorreu um fato que, depois,  se transformou num dos favoritos do escritor: o do concurso de redação na  classe. D. Amália passou a lição: cada aluno deveria escrever sobre um tema  livre. A melhor redação seria lida em voz alta na classe. Finda a aula, as  composições foram entregues. A professora quase foi ao chão com o trabalho de Nelson: era uma história de adultério. O marido chega em casa, entra no  quarto, vê a mulher nua na cama e o vulto de um homem pulando pela janela e  sumindo na madrugada. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois  ajoelha-se e pede perdão. A redação, apesar do espanto que causou em todo o  corpo docente, não tinha como não ser premiada, muito embora não pudesse ser  lida na classe. A professora inventou um empate e leu a outra  composição.

Nesse período, Nelson  presenciou grandes discussões entre seus pais, causadas por ciúmes que seu  genitor tinha de sua mãe. Influenciado por seus irmão mais velhos, passou a ter  a leitura como passatempo, saindo rapidamente do Tico Tico para romances  mais "pesados" como Rocambole, de Ponson du Terrail, Epopéia do  Amor, Os Amantes de Veneza e Os Amores de Nanico, de Michel  Zevaco, O Conde de Monte Cristo e as Memórias de um Médico, de  Alexandre Dumas, os fascículos de Elzira, a Morta-Virgem, de Hugo de  América, e outros mais. Mudavam os autores, mas no fundo era uma coisa só: a  morte punindo o sexo ou o sexo punindo a morte.

Foi em 1919 que o autor descobriu o  Fluminense. Foi o primeiro ano do tricampeonato do tricolor, muito embora nem  ele nem seu irmão Mário Filho, posteriormente famoso como jornalista esportivo e  que teve seu nome escolhido para ser o nome oficial do estádio do Maracanã,  tivessem dinheiro para sair da rua Alegria e se deslocarem até Laranjeiras para  ver o seu time jogar.

Consolidado seu prestígio junto a  Edmundo Bittencourt, do Correio da Manhã, Mário Rodrigues junta sua  família e muda-se para a Tijuca, fato que, na época, era mostra de nítida  melhora de padrão de vida. Estávamos em 1922.

O autor seguia sua vida, sentindo a  ausência do pai, sempre envolvido com a política e o jornalismo. No ano de 1926  foi expulso do Colégio Batista, na Tijuca, na segunda série do ginásio, por  rebeldia. Nelson vivia contestando seus professores, em especial dos de  Português e História. Foi, então, matriculado no Curso Normal de Preparatórios,  na rua do Ouvidor, pois seu pai esperava que ele futuramente prestasse exames no  famoso Colégio Pedro II.

Para compensar a falta de contato com  os filhos, Mário Rodrigues permitia sua ida ao Correio da Manhã para  visitá-lo. Dizem que jamais sonhou em ter seus filhos jornalistas: as meninas  seriam médicas, os meninos advogados. Afinal, a vida que levava não era nada  fácil: nomeado diretor do jornal, meteu-se numa batalha entre Epitácio Pessoa e  Artur Bernardes, o que lhe custou um ano de cadeia, em 1924. O motivo: denunciou  que usineiros pernambucanos (eles já existiam!) haviam dado um colar no valor de  120 contos de réis à esposa do então presidente Epitácio Pessoa, d. Mary.  Negando-se a fugir do país, ficou preso no Quartel dos Barbonos, na rua Evaristo  da Veiga, no Rio de Janeiro. A partir da data de sua prisão o jornal que dirigia — Correio da Manhã — foi silenciado pelo governo por oito  meses.

Antes de seu pai ser preso, Nelson e família haviam  mudado para uma casa na rua Inhangá e eram vizinhos do  hotel Copacabana Palace. Ali, aos doze anos, o autor aprendeu a nadar. Mas, aos  poucos, à medida em que entrava na adolescência, foi sendo possuído por uma  indolência melancólica, ficando depressivo, suspirando pelos cantos e dizendo:  "Eu sou um triste!".

Durante o tempo em que esteve preso,  Edmundo Bittencourt cortou o salário de Mário Rodrigues, dando à mãe de Nelson apenas o suficiente para pagar o aluguel da casa. Mário foi  ajudado financeiramente, nessa época, por Geraldo Rocha (proprietário do jornal A Noite, concorrente do Correio da Manhã), sem o que sua esposa e  a penca de filhos por certo teriam passado fome. Ao ser libertado, volta ao  jornal e é surpreendido com a notícia de que não haveria mais um diretor  permanente, cargo esse que detinha. Seria feito um rodízio de diretores. Mas  pior do que isso foi o fato de tomar conhecimento de que Edmundo estava tentando  se aproximar de seu desafeto Epitácio Pessoa. Mário, em carta desaforada, pediu  demissão a Edmundo, dizendo que em breve voltaria para esmagá-lo. Daí surgiu seu  próprio jornal, A Manhã.

Nelson inicia sua carreira  jornalística em 29 de dezembro de 1925, como repórter de polícia, ganhando  trinta mil réis por mês. Tinha treze anos e meio, era alto, magro e seus cabelos  eram indomáveis. Embora fosse filho do patrão, teve que comprar calças compridas  para impor respeito aos colegas de redação.

Ali reuniam-se colaboradores  ilustres: Antônio Torres, Medeiros e Albuquerque, Agripino Grieco, Ronald de  Carvalho e Maurício de Lacerda. Além desses, havia a turma da casa: Danton  Jobim, Orestes Barbosa, Renato Viana, Joracy Camargo, Odilon Azevedo e Henrique  Pongetti. Outra figura de A Manhã era Apparício Torelly — Apporely — que mais tarde se autodenominaria "Barão de Itararé" e fundaria seu  próprio jornal, A Manha.

O autor impressiona os colegas com  sua capacidade de dramatizar pequenos acontecimentos. Especializou-se em  descrever pactos de morte entre jovens namorados, tão constantes naquela  época.

Na zona preta do Mangue, na rua Pinto  de Azevedo, estavam concentradas as prostitutas mais pobre e esculhambadas,  negras na maioria, a dois mil réis por alguns minutos. Mas o autor preferiu as  da rua Benedito Hipólito, mais asseadas e que ficavam em ambientes melhores,  embora o preço subisse para cinco mil réis. Ali, aos catorze anos, Nelson foi pela primeira vez com uma mulher para dentro de um quarto. Ficou  freguês.

O indomável escritor cria um tablóide  de quatro páginas intitulado Alma Infantil,nascido da troca de cartas com  seu primo Augusto Rodrigues Filho, que não conhecia pessoalmente e que morava no  Recife. Ele queria ser como seu pai, um espadachim verbal. Depois de cinco  números e muitos ataques a políticos pernambucanos e a cariocas, Nelson desiste do tablóide.

A irmã Dorinha morre em setembro de  1927, aos nove meses, de gastrenterite. Em 1928 a família se transfere para uma  nova e luxuosa casa na rua Joaquim Nabuco, 62, em Copacabana. Viviam um momento  de muito dinheiro e muita fartura.

Nessa época, o autor e seus irmãos  mais velhos trabalhavam no jornal A Manhã: Milton era o secretário,  Roberto ilustrava algumas reportagens, Mário Filho começou como gerente, indo  depois para a página literária e depois a de esportes. Nelson havia  abandonado desde 1927 a terceira série do ginásio no Curso Normal de  Preparatórios. Nunca mais voltou à escola, apesar do esforço desenvolvido por  seu pai.

Tendo garantido uma coluna assinada  na página três do jornal — a página principal — o escritor publica seu primeiro  artigo, em 07 de fevereiro de 1928. Tinha o título de "A tragédia de  pedra...", com as solenes reticências. Depois vieram "Gritos  Bárbaros", "O elogio do silêncio", "A felicidade", e  "Palavras ao mar", todos de grande sensibilidade poética. Seu lado  monstro só apareceu na crônica de 16 de março, "O rato..." (com as  famosas reticências), em que ele conta como viu um rato morto, achatado por um  carro, defronte à Biblioteca Nacional. Para desespero de seu pai, começa a  "bater" em Ruy Barbosa. No segundo artigo em que esculhambava o "Águia de Haia",  antevendo o que aconteceria, Nelson achou que se safaria de seu pai se  saísse bem cedo de casa, antes que o "velho" lesse o jornal. Enganou-se. O  castigo foi mais duro do que ele imaginava: foi rebaixado, saindo da página três  e retornando à seção de polícia, onde trabalhou nos cinco meses  seguintes.

Mal teve tempo de voltar à terceira  página e o pior acontece. O jornal, mal administrado, está cheio de dívidas. O  sócio de seu pai, Antônio Faustino Porto, que há tempos vinha arcando com os  pagamentos urgentes, torna-se sócio majoritário e oferece o emprego de diretor a  Mário. Este aceita, mas fica só um dia. A intervenção do novo dono em seus  artigos faz com que ele e a família deixem o jornal.

Amigo de Melo Viana, vice-presidente  da República, no dia em completava 43 anos, 21 de novembro de 1928, e apenas 49  dias depois de perder A Manhã, Mário Rodrigues lançou seu novo jornal de  grande sucesso: Crítica, que chegou a ter uma circulação de 130.000  exemplares.

O tenente-coronel Carlos Reis manda a  polícia prender todos os Rodrigues que encontrasse, sob a alegação de que um  deles era o mandante do assassinato do argentino Carlos Pinto, repórter de A  Democracia. Foram, pai e irmãos, todos presos. Nelson escapou por não  se encontrar no Rio, em viagem para o Recife, única forma encontrada pela  família para tentar livrá-lo da depressão em que se encontrava. Cheio de  paixões, ora por Lilia, ora por Carolina e ora por Marisa Torá, estrela da  companhia teatral de Alda Garrido.

Ao lado dos primos Augusto e Netinha  (com quem mantinha há algum tempo namoro epistolar), conheceu Recife e Olinda, a  praia da Boa Viagem e, com Augusto, a zona de mulheres do Cais do Porto,  considerada a maior da América do Sul. Sua prima, não se sabe como, tirou-o da  depressão, fazendo-o voltar a todo vapor para a redação da Crítica.

Em 26 de dezembro de 1929 o jornal  estampa matéria, na primeira página, sobre o desquite de Sylvia e José Thibau  Jr. Foi a fórmula encontrada para o diário não sair sem assunto, já que era o  primeiro dia após o natal. No dia 27, pela manhã, Sylvia entra na redação da Crítica procurando por Mário Rodrigues. Não o encontrando, pede para  falar com seu filho Roberto e dá-lhe um tiro no estômago. Nelson viu e  ouviu aquilo tudo. Com dezessete anos e quatro meses, era a primeira cena de  violência brutal que presenciava. Seu irmão faleceu no dia 29.

Ninguém conseguirá penetrar no teatro  de Nelson Rodrigues sem entender a tragédia provocada pela morte de  Roberto. No mesmo dia do enterro, toda a família pôs luto. Os homens ainda  podiam sair à rua de terno escuro ou com o fumo na lapela, mas suas irmãs se  cobriram de preto da cabeça aos pés. Milton, o irmão mais velho, ia para o porão  do palacete, antigo território de Roberto, apagava as luzes e ficava horas no  escuro — à espera de um milagre que o fizesse vê-lo e ouvi-lo. Nelson apenas chorava. Joffre, de catorze anos, ganhou um revólver de Mário  Rodrigues e passou a andar armado pela cidade à noite. Sabia que Sylvia tivera  sua prisão relaxada. Se a encontrasse, a mataria.

Apenas 67 dias após a morte do filho,  Mário Rodrigues sofre, aos 44 anos, uma trombose cerebral. Faleceu dias depois  de encefalite aguda e hemorragia. Diante de tão sentidas perdas a família não  encontra mais condições de morar na mesma casa. Mudam-se para outra casa na rua  Sousa Lima, também em Copacabana. Um bafo de sorte surge: Júlio Prestes, que  fora elogiado e defendido pela Crítica, vence Getúlio Vargas nas eleições  para a presidência da República. Mas o que eles queriam era destruir quem matara  Roberto e, por conseqüência, Mário. Sylvia foi absolvida por 5 a 2. O julgamento  foi encerrado no dia 23 de agosto, exatamente quando Nelson completava 18  anos.

Estoura a revolução, em 3 de outubro,  no Rio Grande do Sul, Minas e quase todo o Nordeste. Crítica, num erro de  avaliação, continua a atacar os rebeldes. Em 24 de outubro Washington Luís é  deposto e a turba saiu cedo para acertar as contas com os jornais do velho  regime. As redações e oficinas de diversos jornais são invadidas e empasteladas.  Dentre elas, a do jornal dos Rodrigues. De todos eles só um não voltaria a  circular: Crítica. Isso sem contar que Milton e Mário Filho foram  novamente presos, porém logo libertados.

Os irmãos começam a procurar emprego,  coisa que para eles não estava nada fácil. Foram meses batendo em portas  fechadas. Começaram a vender tudo o que tinham para poder sobreviver e, devido  ao aluguel sempre atrasado, eram obrigados a mudar de casa a cada três  meses. Até que um dia uma porta se abriu para Mário Filho e os outros irmãos  penetraram por ela.

Irineu Marinho havia fundado o jornal O Globo em 1925, mas, apenas 21 dias após o jornal circular pela primeira  vez, morreu de enfarte. Roberto Marinho, filho de Irineu, era o sucessor natural  mas achou-se muito inexperiente para comandar um jornal. Chamou um velho  companheiro de seu pai, Euricles de Matos, para tocar o negócio. Mas, em maio de  1931 Euricles também faleceu e Roberto Marinho convida Mário Filho para assumir  a página de esportes de O Globo. Mário aceitou, desde que pudesse levar  seus irmãos Nelson e Joffre. Roberto Marinho deu seu "de acordo" com a  condição de só pagar o ordenado a Mário Filho.

Nelson trabalhou alguns meses  no jornal O Tempo. Joffre foi para A Nota, onde já trabalhava o  outro irmão, Milton. O escritor era chamado de "filósofo" pelos colegas de O  Globo, tinha um aspecto desleixado, um só terno e não vestia meias por não  tê-las. Com a ajuda de Mário Martins e o beneplácito de Roberto Marinho, Mário  Filho lança seu jornal, Mundo Esportivo, justo no fim do campeonato de  futebol. Sem ter assunto, inventaram algo que seria uma mina de dinheiro anos  depois: o concurso das escolas de samba.

Em 1932 o autor teve sua carteira  assinada em O Globo, um ano após começar a trabalhar naquele diário, com  um ordenado de quinhentos mil réis por mês. Entregava todo o dinheiro para sua  mãe e recebia uns trocados de volta para comprar seus cigarros (média de quatro  carteiras por dia). Em compensação, economizava pois voltava de carona com o  "Dr. Roberto" para casa. Para arranjar mais algum dinheiro, trabalhou como  redator da firma Ponce & Irmão, distribuidora no Rio dos filmes da RKO Radio  Pictures. Criava textos para os anúncios dos filmes nos jornais.

Nesse meio tempo, tinha suas paixões:  por Loreto Carbonell, argentina de olhos azuis, bailarina do Municipal; por Eros  Volúsia, filha da poetisa Gilka Machado, também bailarina, linda e jovem  morena. Dividia com seu irmão Joffre a paixão por ela. Depois vieram Clélia, uma  estudante de Copacabana e Alice, professora de Ipanema.

A tosse seca e uma febre baixa, porém  persistente, ao por do sol, foram os avisos dados a Nelson, além de sua  magreza. Sua irmã Stella, já médica, arranjou uma consulta. O médico pediu que  ele dissesse "33" e verificou sintomas de tuberculose pulmonar, o grande  fantasma do ano de 1934. Por falta de um diagnóstico precoce, o autor já havia,  com apenas 21 anos, arrancado todos os dentes e posto dentadura, numa tentativa  de debelar a febre que insistia em não ir embora.

Vai, então, para Campos do Jordão - SP, local recomendado para tratamento, sozinho, sem saber se voltaria. Foi a  primeira de uma série de seis internações. Roberto Marinho, sabendo das  dificuldades da família, continuou pagando seu ordenado normalmente. Nelson passou 14 meses no Sanatórinho, de abril de 1934 a junho de 1935. Durante  esse período só os irmãos Milton e Augustinho foram visitá-lo uma única  vez. Compensava a ausência de parentes e amigos com cartas, muitas delas para  Alice, a professorinha.

Contam que, em 1935, um doente propôs  encenarem um teatrinho. O biografado foi encarregado de escrever a comédia, um  "sketch" cômico sobre eles mesmos. Logo nas primeiras cenas a platéia começou a  gargalhar e, com isso, surgiram os ataques de tosse que quase fizeram  vítimas. Foi a primeira experiência "dramática" de Nelson.

O autor pede ao secretário do jornal O Globo que o transfira da página de esportes para a de cultura. Queria  escrever sobre ópera. Com a ajuda de Roberto Marinho consegue a transferência e  começa arrasando a "Esmeralda", ópera brasileira do compositor Carlos de  Mesquita. Foi sua única incursão nessa área.

Em abril de 1936, a terrível doença  atacou seu irmão Joffre, com 21 anos, que foi levado para o Sanatório em  Correias - RJ. Nelson ficou a seu lado durante sete meses. No dia 16 de  dezembro de 1936 Joffre faleceu.

Em 1937 a redação do jornal só tinha  homens. Após muita conversa Roberto Marinho concordou em contratar Elza  Bretanha, apadrinhada do diretor administrativo, como secretária de Henrique  Tavares, gerente de O Globo Juvenil. Voltando de sua segunda estada em  Campos de Jordão, Nelson foi informado da presença de Elza, "dezenove  anos, moradora do Estácio e dura na queda." Ele, então, sentenciou: "Está  no papo." Errou.

Nelson se aproxima de Elza,  expõe sua situação de penúria de saúde e financeira, e fala em  casamento. Consultada sua família, não encontrou objeção. Afinal, já tinha 25  anos. A mãe de Elza, d. Concetta, siciliana das boas, quase teve um ataque,  tendo a honra de ter sido acompanhada nisso por Roberto Marinho.  Ele disse a  Elza: "Está sabendo que vai se casar com um rapaz muito inteligente e de  grande talento, mas pobre, absolutamente preguiçoso e doente? Sua mãe está  coberta de razão!" Mesmo assim marcaram para se casar no dia do aniversário  de Elza: 08 de maio de 1939. Se fosse preciso, fugiriam. Porém, em 13 de maio,  mandou para a noiva um recado que dizia: "Amor, estou com a alma cheia de  pressentimentos tristes". Era a tuberculose que o atacava  novamente.

Nos quatro meses em que ficou  internado, Nelson mostrou seu lado ciumento. Vivia atormentado com isso  e, na volta, acabou desfazendo o noivado. Mas o coração falou mais forte do que  o infundado ciúme e marcaram novamente o casamento, contrariando a mãe da noiva  e o patrão de ambos.

No dia 29 de abril de 1940, sem  externar qualquer anormalidade, Elza saiu para trabalhar, foi para a casa de uma  amiga onde trocou de roupa e casou-se no civil, diante do juiz. Depois, foram  comemorar tomando uma média com torrada na leiteria "Palmira". Voltaram para O Globo Juvenil e trabalharam normalmente. Haviam acertado, por vontade  de ambos, que a noite de núpcias só aconteceria após o casamento  religioso.

Os irmãos de Elza ficaram sabendo e  falaram até em matá-lo. Nelson, com a alma leve, alugou uma casinha no  Engenho Novo. Era sua volta ao subúrbio. Compraram móveis de segunda mão e  Mário, o irmão, lhe deu de presente a cama de casal e a penteadeira. Finalmente  d. Concetta dá o "de acordo" e o casamento religioso se realiza, em 17 de maio,  após o autor, com quase 28 anos, ter sido batizado, fazer a primeira comunhão e  estudado o catecismo, como manda a santa madre Igreja.

Após seis meses de casamento, certa  manhã Nelson acorda e comunica a Elza que estava cego. Não enxergava  nada. Descobriu, indo ao médico, que se tratava de uma seqüela da tuberculose.  Tomou muito antiinflamatório, melhorou, mas 30 por cento de sua visão estava  perdida para sempre, nos dois olhos. Apesar do estado de penúria em que se  encontravam, o focalizado pediu a Elza que deixasse o emprego quando se  casassem. Logo que pode comprou um telefone e ligava para ela de hora em  hora. Saudades ou ciúme? Nelson procurava uma saída para seu aperto  financeiro. Elza estava grávida e seu salário estava estagnado nos 500 mil réis  mensais. Um dia, ao passar em frente ao Teatro Rival, viu uma enorme fila que se  formava para assistir "A família Lerolero", de R. Magalhães Júnior.  Alguém comentou: "Esta chanchada está rendendo os tubos!" Uma luz se  acendeu na cabeça do autor: por que não escrever teatro?

No meio do ano de 1941 escreveu sua  primeira peça, A mulher sem pecado. Nessa época as peças ficavam, no  máximo, duas semanas em cartaz. Nelson oferece sua peça para dois grandes  artistas de então: Dulcina e Jaime Costa, mas eles a recusam. O autor,  necessitando de dinheiro, começou a se mexer: submeteu a peça a Henrique  Pongetti, Carlos Drummond de Andrade e ao crítico Álvaro Lins. Mas não conseguiu  encená-la.

Nasce Joffre, seu primeiro filho. O  autor, por ordens médicas, não podia ficar perto do filho. Descobre que foi  premiado com uma úlcera do duodeno. O médico lhe prescreve regime alimentar e  manda que ele pare de tomar café e de fumar, coisa que nunca fez. Depois de  muita luta, em 09 de dezembro de 1942, A mulher sem pecado foi levada à  cena pela "Comédia Brasileira", com direção de Rodolfo Mayer, no Teatro Carlos  Gomes, no Rio de Janeiro. Lá ficou por duas semanas e não teve repercussão  nenhuma perante o público. Alguns críticos e amigos elogiaram, e isso bastava ao  autor.

Em janeiro de 1943 Nelson escreve sua segunda peça teatral: Vestido de Noiva. Elza, sua mulher,  fez mais de vinte cópias datilografadas para serem entregues a jornalistas,  críticos e amigos. O primeiro a receber foi Manuel Bandeira. Ele gostou. Como  outros, escreveu sobre ela e elogiou. Os jornais e suplementos falavam sobre Vestido de Noiva mas o autor não conseguia encená-la. Todos diziam que  era uma peça que exigia cenário complexo e teria custo muito alto. Só Thomaz  Santa Rosa, um pernambucano ex-funcionário do Banco do Brasil, cantor lírico,  desenhista, músico e poeta, achou que era possível. Falou então com um polonês  recém-chegado ao Brasil: Zbigniew Ziembinski.

O grande ator e diretor leu a peça e  disse: "Não conheço nada no teatro mundial que se pareça com isso". O autor  conhece o diretor e tem início a epopéia do grupo "Os Comediantes": oito meses  de ensaios, oito horas por dia. Às 20h30 do dia 28 de dezembro de 1943, os  portões foram abertos e 2.205 espectadores viram a peça. Duas horas depois a  peça chegou ao fim. O silêncio foi total na platéia. Nos bastidores ninguém  sabia o que fazer. Ziembinski, entre palavrões em polonês, manda subir o  pano. Os artistas surgem e o aplauso é ensurdecedor. O diretor aparece e o  teatro delira. Alguém grita na platéia: "O autor, o autor". Nelson estava  escondido em um camarote, lutando contra a dor de sua úlcera, e não foi visto  por ninguém. Disse, depois, que sofreu naquele momento, sentindo-se "um  marginal da própria glória". Quando o autor, após as comemorações com  a família na leiteria "Palmira", pegou o bonde de volta para casa já eram quase  duas da manhã de 29 de dezembro de 1943. Naquele momento completavam-se catorze  anos da morte de seu irmão Roberto.

Apesar da fama que a peça lhe deu — o  ano de 1944 foi cheio de acontecimentos — ele continuava sendo mal pago pelo O Globo Juvenil. Em fevereiro de 1945 é convidado por David Nasser, de O Cruzeiro, para uma conversa com Freddy Chateaubriand. Foram almoçar,  além do autor, Freddy Chateaubriand, Millôr Fernandes e David Nasser. A oferta  era inacreditável: cinco contos de réis (já nessa época cinco mil cruzeiros) — mais de sete vezes o que lhe pagava Roberto Marinho.

Para ele estava fechado, mas pediu  para falar com o dr. Roberto, a quem devia favores. Esse não só não se opôs como  desejou-lhe boa sorte e deu-lhe dez mil cruzeiros. Nelson foi para seu  novo emprego: diretor de redação das revistas Detetive e de O  Guri. Como a função lhe tomava pouco tempo, o autor ficava perambulando pela  redação da revista O Cruzeiro, que era no mesmo andar. Sempre procurando  fazer "bicos" que permitissem um ganho extra — continuava a ajudar sua mãe  financeiramente — soube que Freddy Chateaubriand estava querendo comprar um  folhetim francês ou americano para O Jornal, que estava com uma tiragem  de apenas 3.000 exemplares por dia e sem anúncios. Nelson ofereceu-se  para escrever o folhetim. Daí nasceu Suzana Flag e Meu destino é  pecar.

Cada episódio tomava uma página  inteira de O Jornal e tinha uma ilustração de Enrico Bianco. Foram 38  capítulos que elevaram a tiragem do jornal para quase trinta mil  exemplares. Apesar de estar ganhando um extra por capítulo, o autor não gostava  que soubessem que escrevia com pseudônimo feminino. Quando a história terminou,  o sucesso foi tão grande que foi lançado um livro pelas Edições O  Cruzeiro. Calcula-se que a venda tenha ultrapassado a trezentos mil livros.  Isso provocou o começo de outro folhetim, Escravas do amor, cujo sucesso  foi também retumbante.

Em março de 1945 é atacado,  novamente, pela tuberculose. O ano anterior havia sido ótimo: além do lançamento  em livro do Vestido de noiva, ele via seu filho crescer com saúde e Elza  esperava um novo filho. Resolveram ir todos para Campos de Jordão, inclusive a  sogra, d. Concetta. Depois de uma semana viram que aquilo não fazia sentido e a  família retornou. Em junho teve alta e, face à proximidade do parto de sua  mulher, voltou correndo para o Rio. Nasceu, então, Nelsinho. Vale dizer que os Associados arcaram com todas as despesas de seu empregado no  Sanatórinho.

Nos dois últimos meses de 1945 e nos  dois primeiros meses de 1946 o grupo "Os Comediantes" encenou Vestido de  noiva e A mulher sem pecado no Teatro Phoenix, com lotação esgotada.  Começa a escrever, então, Álbum de família. Em fevereiro de 1946 o texto  é submetido à censura federal e os censores ficam de cabelos em pé. A peça foi  proibida de ser encenada. As opiniões se dividiam entre os intelectuais, os  críticos e os jornalistas da época, uns a favor da liberação outros  contra. Venceram os contra, pois a peça só foi liberada em 1965 e levada pela  primeira vez em julho de 1967.

Outro sucesso de 1946 foi a  publicação de Minha Vida, uma "autobiografia" de Suzana Flag. Como  das vezes anteriores, além de publicada em O Jornal, virou livro e vendeu  horrores.

Anjo negro, estréia em abril  de 1948. Como sempre, gerou comentários polêmicos. Os ganhos com a peça  permitiram que o autor comprasse uma casa no Andaraí, que teve parte financiada  no IAPC (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários). Nelson tinha 36 anos e ficara livre do aluguel. Senhora dos afogados é  proibida em janeiro de 1948. Com duas peças interditadas, o autor luta como um  mouro para tentar liberá-las. Não conseguindo, escreve Dorotéia, em 1949,  que muitos consideram seu melhor trabalho teatral.

Ainda em 1948 é publicado mais um  folhetim, Núpcias de fogo, ainda como Suzana Flag.

Uma mulher chama a atenção do autor  nas coxias do Teatro Phoenix, quando da encenação de Anjo negro: era  Eleonor Bruno, conhecida como Nonoca, linda "mingnonne", tímida, recatada  e soprano lírico, que estava ali para tomar conta de sua filha de apenas 13  anos, Nicete, que estreava como atriz. Embora nunca reclamasse, seu casamento  não ia bem, e ele foi aceito por Nonoca e por toda sua família. Alugou um  apartamento pequeno em Copacabana, em sociedade com o amigo Pompeu de Souza,  para servir-lhes de "garçonnière", até que num dia de 1950 sua esposa  Elza bateu na porta, fez um escândalo e ele voltou com o rabo entre as pernas  para casa. Seu romance com Nonoca terminou ali.

Em 1949 Freddy Chateaubriand vai  comandar o jornal "Diário da Noite" e leva Nelson consigo. Para trás fica Suzana Flag, que o autor não agüentava mais. Em seu lugar surgiu Myrna, a nova máscara feminina do biografado. A diferença é que Myrna respondia a cartas de leitoras.

Nelson escreveu a comédia Dorotéia para Nonoca. Foram duas as estréias como atrizes: de Nonoca e da  irmã do autor, Dulcinha, aos 21 anos, no papel de Das Dores. Com medo de que a  censura o atingisse novamente, o autor submeteu-lhe o texto como sendo um  "original de Walter Paíno" — cunhado de Nonoca. A peça foi aprovada e estreou no  dia 07 de março de 1950. Ao fim da apresentação, metade da platéia (onde estavam  os convidados) aplaudiu e a outra saiu calada. Ficou 13 dias em   cartaz.

Em 1950 o autor dá adeus a Freddy  Chateaubriand e aos "Diários Associados" e fica esperando convites de  outros jornais. Ficou um ano esperando... Nesse período, salvam a família as  economias de Elza e um "bico" no Jornal dos Sportes de seu irmão Mário  Filho. No ano seguinte sai do buraco e vai para a Última Hora e "A  vida como ela é...". Começou com um salário de dez mil cruzeiros,  considerado não tão ruim, tendo em vista seu baixíssimo prestígio naquela  época.

Em junho Nelson estréia uma  nova peça, "Valsa nº. 6", um monólogo estrelado por sua irmã Dulcinha. Ficou  quatro meses em cartaz e foi outra desilusão para seu autor.

Samuel Wainer, dono do jornal Última Hora tinha algo em comum com o biografado: a tuberculose. Propõe  ao autor que escreva, com pagamento extra, uma coluna diária sobre um fato  real. Poderia se chamar "Atire a primeira pedra". Nelson sugeriu  "A vida como ela é..." e, sugestão aceita, foi para a máquina escrever a  primeira coluna. O sucesso foi estrondoso. Em 1951 relançou Suzana Flag em "O homem proibido".

Um dia, na rua Agostinho Menezes,  onde então Nelson morava, um marido banana que era chutado como um cão  pela esposa e ainda a bajulava, cansou-se do tratamento que vinha recebendo e,  no meio da rua, deu uma sova de cinto na cara-metade. É claro que a vizinhança  correu para ver o fato, sendo que as mulheres gritavam: "Bate mais, bate  mais". O marido bateu até se cansar, parou, e então o inesperado aconteceu: a  mulher atirou-se aos seus pés, aos beijos. E, desde aquele dia, passou a  desfilar com o ex-banana, de braço dado e nariz empinado, toda orgulhosa. Ao  ouvir os comentários das vizinhas que tinham apoiado maciçamente a surra, Nelson concluiu: "Toda mulher gosta de apanhar".

Em 08 de junho de 1953 estréia no  Teatro Municipal do Rio a peça "A falecida". Chamada de "tragédia  carioca" era, na verdade, uma comédia. Foi escrita em 26 dias. Nessa época Nelson mantinha um romance com Yolanda, secretária de um radialista da  rádio Mayrink Veiga. Esse caso durou cinco anos e rendeu três filhos: Maria  Lúcia, Sônia e Paulo César, que ele não reconheceu como seus. Com tudo isso  acontecendo, o autor produziu o último folhetim de "Suzana Flag", que  chamou-se "A mentira" e foi publicado no semanário "Flan", lançado  por S. Wainer.

Carlos Lacerda queria derrubar o  presidente Getúlio e, para tanto, batia firme em Samuel Wainer e no jornal Última Hora. Nelson não escapava da pancadaria e era chamado de  "tarado" por ele. Outro que também o atacava era o católico Gustavo Corção, da Tribuna da Imprensa.

"Senhora dos Afogados" é  encenada no Rio, em 1954, com direção de Bibi Ferreira. A platéia, ao final,  dividiu-se e uma parte gritava "GÊNIO" e a outra "TARADO". O autor não agüentou  e reagiu à platéia, gritando do palco: "BURROS! BURROS!".

Em março de 1955 a família Rodrigues  ganha uma ação contra o governo de indenização pela destruição do jornal  "Crítica". Em 1956 recebem o equivalente a US$1.800.000,00. A parte que  coube ao autor foi utilizada na compra de um apartamento em Teresópolis em nome  dos filhos e de um carro para Elza. O que sobrou, investiu no teatro.

"Perdoa-me por me traíres"  teve, também, problemas de liberação com a censura, em 1957 — sofreu cortes.  Outra surpresa ocorreu na estréia: Nelson interpretava o personagem Raul.  Mais uma vez as vaias e os que aplaudiam pediam para o autor falar. Ele não se  fez de rogado: "BURROS! ZEBUS!". Ninguém esperava, mas aconteceu: um tiro! Na  discussão entre prós e contras, o vereador Wilson Leite Passos sacou de seu  revolver e deu um tiro para amedrontar alguém que o havia chamado de  "palhaço". Tumulto geral. No dia seguinte a censura proibiria a peça.

"Viúva, porém honesta" estreou  em 13 de setembro do mesmo ano. Dizem que nela o autor procurava atingir aos  críticos que atacaram "Perdoa-me por me traíres". Um dos atores era Jece  Valadão, cunhado do autor.

Dercy Gonçalves estréia  "Dorotéia" em São Paulo. Ficou um mês em cartaz. Nelson não  gostava dos "cacos" que a atriz introduzia no texto.

Em 1958 estréia "Os sete  gatinhos", também com Jece Valadão no elenco. Apesar de malhar o presidente  da República da época, Juscelino Kubitschek, Nelson vai até ele pedir um  emprego. Consegue um cargo de tesoureiro em um instituto de aposentadoria e  pensões (IAPETEC), mas é reprovado no exame de vista. Pede, então, a vaga para  Elza. Juscelino queria agradar Mário Filho e a nomeia.

O autor teve sério problema de  vesícula e, após a operação de alto risco, ficou três meses sem publicar sua  coluna no jornal de Wainer. Sua coluna em "A Manchete Esportiva" deixa de ser  publicada de novembro de 1958 a março de 1959.

De agosto de 1959 a fevereiro de  1960, centenas de milhares de leitores acompanharam a história de Engraçadinha e sua família em "Asfalto Selvagem". Foram publicados  dois livros, intitulados "Engraçadinha — seus amores e seus pecados dos doze  aos dezoito" e "Engraçadinha — depois dos trinta".

O autor almoçava com sua mãe quase  todo dia. Tomava o ônibus na Central do Brasil e ia até o Parque Guinle. Um dos  motoristas gostava de exibir-se: tinha vinte e sete dentes na boca, mas eram  todos de ouro. Nelson juntou esse fato ao bicheiro do submundo carioca,  Arlindo Pimenta, e dai surgiu o "Boca de Ouro"

A peça, como todas as demais, teve  problemas com a censura. Foi levada para estrear em São Paulo e foi um  retumbante fracasso. Ziembinski insistiu em viver o papel principal e não deu  certo. Em janeiro de 1961, com Milton Morais no papel do "Boca de Ouro", estréia  no Rio com grande sucesso.

Ainda no final de 1960 o autor  entrega a Fernanda Montenegro e a seu marido Fernando Tôrres a peça "Beijo no  asfalto". O espetáculo estava a um mês e meio em cartaz quando Jânio Quadros  renunciou à presidência da República. Ficou sete meses em cartaz, pelo Brasil.  Ela provocou a saída de Nelson da "Ultima Hora", pois nela fazia  referências pouco positivas à imagem do jornal. Voltou ao "Diário da  Noite" com "A vida como ela é" e, após dez meses, em julho de 1962,  foi para "O Globo", com a coluna de futebol, "À sombra das chuteiras  imortais".

Apresentado por sua irmã Helena, Nelson conhece Lúcia Cruz Lima, que logo passa a ser sua namorada. Só que  desta vez a coisa era séria. Casada e bem casada, mãe de três filhos, ela logo  se apaixona, deixa o marido e volta a viver com os pais. Ele demora dois anos  para se separar de Elza. Seus amigos Otto Lara Resende, Fernando Sabino e  Cláudio Mello e Souza ficam chocados. Nos primeiros meses de 1963 nada impedia a  separação do autor. Já havia alugado um pequeno apartamento e Lúcia estava  grávida. Após um almoço de despedida, após o qual Elza tentou suicidar-se, ele  partiu de malas e bagagens para o apartamento de sua mãe. Ia ficar lá uns tempos  até acertar tudo.

Na marquise do Teatro Maison de  France, no Rio, piscava o título da nova peça de Nelson: "Otto Lara  Resende ou Bonitinha, mas ordinária". Otto quase morreu de susto e ficou  profundamente irritado. Ela ficou por cinco meses em cartaz. O autor só não se  conformou de Otto não ter ido assistir ao espetáculo. Ele adorava essas  brincadeiras e fez o mesmo com Fernando Sabino e com Cláudio Mello e  Souza.

Lúcia deu um trato na aparência do  escritor, já que ele participava desde 1960 do programa esportivo "Grande  resenha Facit" na TV Rio, por obra e graça de Walter Clark, e era, portanto,  um artista! Ela teve uma gravidez nada normal e um parto difícil. Daniela, a  filha, nasceu com 1,5 quilo, e não conseguia respirar. Perdeu minutos de  oxigenação no cérebro até que conseguissem fazer seus pulmões funcionarem.   Daniela passaria o primeiro ano de sua vida numa tenda de oxigênio, tinha má  circulação nas pernas, chorava sem parar em virtude das dores que sentia. Devido  à paralisia cerebral nunca conseguiu andar ou articular um movimento e era  irreversivelmente cega.

Nelson escreveu para Walter  Clark a primeira novela brasileira de todos os tempos: "A morte sem  espelho". Apesar do grande elenco — Fernanda Montenegro, Fernando Tôrres,  Sérgio Brito (que também respondida pela direção), Ítalo Rossi, Paulo Gracindo  (que estreava na TV), música de Vinícius de Moraes — não foi autorizada a sua  apresentação às oito e meia da noite. Foi empurrada para o horário das vinte e  três e trinta. Walter Clark apelou, sem sucesso, até para D. Helder  Câmara. Conseguiu, finalmente, autorização para o horário das dez horas, que não  compensava financeiramente. Nelson foi convidado a encerrá-la  rapidamente.

Ficou claro nesse episódio que o  problema era o nome do autor. Na sua novela seguinte, "Sonho de Amor", em  1964, seu nome apareceu mas ela foi anunciada como 'uma adaptação de "O  Tronco do Ipê"', de José de Alencar". Sua última novela para a TV foi "O  Desconhecido", com direção de Fernando Tôrres e Jece Valadão, Nathalia  Timberg, Carlos Alberto, Joana Fomm e outros mais, que só foi liberada graças ao  poder de convencimento de Walter Clark.

Depois de ser renegada por muitas  atrizes, "Toda nudez será castigada" estréia no dia 21 de junho de 1965 e  é um sucesso. Os artistas são aplaudidos em cena aberta, os ingressos são  avidamente disputados e  fica em cartaz por seis meses no Teatro Serrador e em  excursão pelo Brasil. Após três anos de apresentações no Rio, São Paulo, Porto  Alegre e Salvador, a peça é proibida em Natal - RN.

Em 1966 o autor muda-se, a convite de  Walter Clark, para a TV Globo. Em situação financeira apertada — como sempre — aceitou até aparecer como "tradutor" dos romances de Harold Robins, publicados  pela Editora Guanabara. Foi uma forma de receber mais algum dinheiro. A TV Globo  era a "lanterna" na preferência dos telespectadores naquela época. No programa  "Noite de gala" o autor apresentava o quadro "A cabra vadia", onde  entrevistava pessoas. O primeiro foi João Havelange, presidente da CBD - Confederação Brasileira de Desportos.

Nessa época é chamado por Carlos  Lacerda, ocasião em que é informado da criação da Editora Nova  Fronteira. Lacerda, que o malhou por tanto tempo, pediu-lhe um romance e deu-lhe  um cheque de dois milhões de cruzeiros. Era algo em torno de novecentos dólares,  mas para quem estava pendurado, foi ótimo. Ele escreveu "O Casamento".   Quando Lacerda leu o livro, ficou assustadíssimo  Era um carnaval de incestos e  perversões às vésperas de um casamento. Vendeu-o para Alfredo Machado, da  Editora Eldorado. O livro vendeu 8.000 exemplares nas primeiras duas semanas de  setembro de 1966, empatando com as vendas do novo romance de Jorge Amado,  "Dona Flor e seus dois maridos". A morte de seu irmão, Mário Filho,  impediu por algum tempo que ele fizesse a divulgação da obra. Quando reanimou, o  livro teve sua venda proibida pelo ministro da Justiça, Carlos Medeiros Silva.  Sua venda foi liberada novamente em fevereiro de 1967.

Indignado com o apoio dado pelo  jornal "O Globo" à proibição da venda de seu romance, Nelson começa a estudar sua mudança para o "Correio da Manhã". Avisa que não  pode deixar a TV Globo e, para sua alegria, é informado que não precisaria  deixar nem o jornal "O Globo". O que o "Correio" queria dele eram  as suas "Memórias". A estréia ocorreu em 18 de fevereiro de 1967 em  grande estilo. Fez um sucesso enorme.

Paulinho Rodrigues, irmão do autor,  morava com a família num prédio em Laranjeiras. Chovia a cântaros, dias antes,   e Nelson disse a Cláudio Mello e Souza no Maracanã, assistindo o time do  Santos ganhar do Milan: "Esse é um mau tempo de quinto ato do "Rigoletto'".  Cláudio sabia que o "Rigoletto" não tinha quinto ato e que acabava no terceiro  ato, como a maioria das óperas. Mas entendeu o que o autor queria dizer. No dia  21 de fevereiro de 1967 o prédio onde seu irmão morava desabou devido às  chuvas. Morreram Paulinho, a esposa, filhos e mais alguns parentes que lá se  encontravam para festejar o aniversário da cunhada do escritor. Em dezembro  desse mesmo ano a viúva de seu irmão Mário se suicida.

Raphael de Almeida Magalhães, que já  atuara como advogado de Nelson, é eleito governador do Estado da  Guanabara. A pedido de Otto, e por insistência do biografado, finalmente libera  "Álbum de Família", que estava interditada desde 1946. Só em julho de  1967 foi levada à cena e, apesar do carrossel de incestos, foi aplaudida no  final. Já não tinha o impacto de tempos atrás.

Ele volta ao jornal "O Globo"  passa a publicar "À sombra das chuteiras imortais" e "As  confissões" (já que não podia usar "Memórias"), cada uma patrocinada  por um banco. Como recebia uma comissão por esses patrocínios (mais que o dobro  de seu salário), estabilizou sua situação financeira. A primeira "Confissão" foi publicada em 04 de dezembro de 1967.

Uma de suas manias era implicar com  os pessoas conhecidas e com amigos. Era do seu estilo alimentar-se  periodicamente de certas obsessões. Como dizia Cláudio Mello e Souza, Nelson era a "flor de obsessão". Ora Otto, ora Alceu de Amoroso Lima, ora D.  Helder, ora Hélio Pellegrino, ora Cláudio Mello e Souza e quem mais estivesse  por perto.

1970 marca o início dos anos duros da  ditadura militar no Brasil. Nelson, conhecido e admirado pelos militares,  luta para tirar da prisão Hélio Pellegrino e Zuenir Ventura. Com mais de 57  anos, ele se sentia desgastado, sem espaço — seu apartamento vivia lotado de  enfermeiras por causa de sua filha, enfim, era chegada a hora de se separar de  Lúcia, o que ocorreu sem traumas.

Logo em seguida vai morar com Helena  Maria, que era 35 anos mais nova que ele, e que trabalhava com ele no jornal. Em  1972 começa nova luta: seu filho, Nelsinho é um dos terroristas mais procurados  pelas forças armadas. "Prancha" (seu codinome) foi apanhado em 30 de março de  1972. Dois anos antes, quando seu filho já vivia na clandestinidade, Nelson consegue com o presidente da República, Gal. Medici, que ele saísse do  país. Nelsinho não aceita o privilégio. O drama de Nelsinho se desenrolava longe  dos olhos do autor. Apesar disso, face a seu prestígio e contatos com os  militares, era muito procurado para ajudar pessoas em apuros com o regime  militar. De 1969 a 1973 ele teve participação ativa na localização, libertação  ou fuga de diversos suspeitos de crimes políticos. Após a prisão de Nelsinho,  começa a luta para localizá-lo e procurar mantê-lo vivo, pois a tortura corria  solta.

Nelson escreve "Anti-Nelson  Rodrigues" no final de 1973. Em 1974, a peça fazia bela carreira no teatro  do Serviço Nacional do Teatro. O autor faz alguns exames e é levado de imediato  para São Paulo para ser operado de um aneurisma da aorta. Passou por duas  operações, quase morreu, retornou ao Rio e, apesar de terminantemente proibido  pelo médico, voltou a fumar. Em abril de 1977 é internado com uma arritmia  ventricular grave e nova insuficiência respiratória. Elza volta para casa e  voltam a viver juntos. Na verdade, já se encontravam há tempos quase todas as  noites no restaurante "O bigode do meu tio", em Vila Isabel, de  propriedade de Joffre.

O autor escreveu sua grande e última  peça — "A Serpente" — em meados de 1979, pouco antes de seu filho  Nelsinho iniciar greve de fome com treze companheiros, os últimos presos  políticos cariocas, com a finalidade de transformar a anistia ampla em anistia  total e irrestrita. Finalmente, no dia 23 de agosto, dia do aniversário do  autor, Nelsinho é autorizado a deixar a prisão e assistir ao nascimento da filha  Cristiana. No dia 16 de outubro Nelsinho recebeu a liberdade condicional mas não  pode ver seu pai: estava inconsciente no hospital Pró-Cardiaco.

Nelson Rodrigues faleceu na  manhã do dia 21 de dezembro de 1980, um domingo. No fim da tarde daquele dia ele  faria treze pontos na loteria esportiva, num "bolo" com seu irmão Augusto e  alguns amigos de "O Globo". Dois meses depois, Elza cumpriu o seu pedido — de, ainda em vida, gravar o seu nome ao lado do dele na lápide, sob a  inscrição: "Unidos para além da vida e da morte. É só".

Livros:

Romances:

- Meu destino é pecar,"O Jornal" - 1944 / "Edições O Cruzeiro" - 1944 (como "Suzana Flag") - Escravas do  amor, "O Jornal" - 1944 / "Edições O Cruzeiro" - 1946 (como "Suzana  Flag") - Minha vida, "O Jornal" - 1946 / "Edições O Cruzeiro" - 1946 (como "Suzana Flag") - Núpcias de fogo, "O Jornal" - 1948.  Inédito em livro. (como "Suzana Flag") - A mulher que amou demais,  "Diário da Noite" - 1949. Inédito em livro. (Como Myrna) - O homem  proibido, "Última Hora" - 1951.  "Editora Nova Fronteira", Rio, 1981 (como  Suzana Flag). - A mentira, "Flan" - 1953. Inédito em livro. (Como  Suzana Flag). - Asfalto selvagem, "Ultima Hora" - 1959-60. J.Ozon  Editor, Rio, 1960. Dois volumes. (Como Nelson Rodrigues) - O  casamento, Editora Guanabara, Rio, 1966 (como Nelson Rodrigues). -Asfalto selvagem - Engraçadinha: seus amores e pecados, "Companhia das  Letras", São Paulo. - Núpcias de fogo, "Companhia das Letras", São  Paulo. (como Suzana Flag).

Contos:

- Cem contos escolhidos - A vida como  ela é..., J. Ozon Editor, Rio, 1961. Dois volumes. - Elas gostam  de apanhar, "Bloch Editores", Rio, 1974. - A vida como ela é — O  homem fiel e outros contos, "Companhia das Letras", São Paulo, 1992. Seleção:  Ruy Castro. - A dama do lotação e outros contos e crônicas, "Companhia das Letras", São Paulo. - A coroa de orquídeas, "Companhia das Letras", São Paulo.

Crônicas:

- Memórias de Nelson Rodrigues,  "Correio da Manhã" / "Edições Correio da Manhã", Rio, 1967. - O  óbvio ululante, "O Globo" / "Editora Eldorado", Rio, 1968. - A  cabra vadia, "O Globo" / "Editora Eldorado", Rio, 1970. - O  reacionário, "Correio da Manhã" e "O Globo" / "Editora Record", Rio,  1977. - O óbvio ululante — Primeiras confissões, "Companhia das  Letras", São Paulo, 1993. Seleção: Ruy Castro. - O remador de  Ben-Hur - Confissões culturais, "Companhia das Letras", São  Paulo. - A cabra vadia - Novas confissões, "Companhia das Letras",  São Paulo. - O reacionário - Memórias e Confissões, "Companhia das  Letras", São Paulo. - A pátria sem chuteiras - Novas crônicas de  futebol, "Companhia das Letras", São Paulo. - A menina sem estrela - Memórias, "Companhia das Letras", São Paulo. - À sombra das  chuteiras imortais - Crônicas de Futebol, "Companhia das Letras", São  Paulo. - A mulher do próximo, "Companhia das Letras", São  Paulo.

FRASES:

- Flor de obsessão: as 1000 melhores  frases de Nelson Rodrigues, "Companhia das Letras", São Paulo, 1997, seleção  e organização: Ruy Castro.

Teatro:

- Teatro completo, "Editora Nova  Fronteira", Rio, 1981-89. Quatro volumes. Organização e prefácios de Sábato  Magaldi.

Peças:

- A mulher sem pecado, 1941 - Direção  Rodolfo Mayer - Vestido de noiva, 1943 - Direção:  Ziembinski - Álbum de família, 1946 - Direção: Kleber  Santos - Anjo negro, 1947 - Direção: Ziembinski - Senhora dos afogados, 1947 - Direção: Bibi Ferreira - Dorotéia, 1949 - Direção: Ziembinski - Valsa nº.6, 1951 - Direção:  Henriette Morineau - A falecida, 1953 - Direção: José Maria  Monteiro - Perdoa-me por me traíres, 1957 - Direção: Léo  Júsi. - Viúva, porém honesta, 1957 - Direção: Willy  Keller - Os sete gatinhos, 1958 - Direção: Willy  Keller - Boca de Ouro, 1959 - Direção: José Renato. - Beijo no asfalto, 1960 - Direção: Fernando Tôrres. - Otto Lara  Resende ou Bonitinha, mas ordinária, 1962 - Direção Martim  Gonçalves. - Toda nudez será castigada, 1965 - Direção:  Ziembinski - Anti-Nelson Rodrigues, 1973 - Direção: Paulo César  Pereio - A serpente, 1978 - Direção: Marcos  Flaksman

Obs.- as peças de Nelson Rodrigues  vêm sendo encenadas por diversas companhias teatrais em todo o Brasil até esta  data.

Novelas de  TV:

- A morta no espelho, TV Rio,  1963 - Sonho de amor, TV Rio, 1964 - O desconhecido, TV Rio,  1964

FILMES:

- Somos dois, 1950 - Meu  destino é pecar, 1952 - Mulheres e milhões, 1961 - Boca de Ouro, 1962 - Meu nome é Pelé, 1963 - Bonitinha, mas ordinária, 1963 - Asfalto selvagem,  1964 - A falecida, 1965 - O beijo, 1966 - Engraçadinha depois dos  trinta, 1966 - Toda nudez será castigada, 1973 - O casamento, 1975 - A  dama do lotação, 1978 - Os sete gatinhos, 1980 - O beijo no asfalto,  1980 - Bonitinha, mas ordinária, 1980 - Álbum de família, 1981 - Engraçadinha, 1981 - Perdoa-me por me traíres, 1983 - Boca de Ouro,  1990.

Sobre o  Autor:

- O teatro de Nelson Rodrigues: uma  realidade em agonia, Ronaldo Lima Lins, Editora Francisco Alves/MEC, Rio,  1979. - O teatro brasileiro moderno, Décio de Almeida Prado,  Editora Perspectiva/USP, São Paulo, 1988. - Nelson Rodrigues - Dramaturgia e Encenações, Sabato Magaldi, Editora Perspectiva/USP, São Paulo,  1987. - Nelson Rodrigues - Expressionista, Eudinir Fraga, Ed.  Atelier, S.Paulo. - Nelson Rodrigues, meu irmão, Stella Rodrigues,  José Olympio Editora, Rio, 1986. - Nelson Rodrigues: Flor de  Obsessão, Carlos Vogt e Berta Waldman, Editora Brasiliense, São Paulo,  1985. - Amor em segredo - As histórias infiéis que vivi com meu pai,  Nelson Rodrigues, Sônia Rodrigues, Editora Agir, Rio de Janeiro,  2005.

Os dados acima foram  extraídos de sites na internet, livros do autor e, em especial, do livro "Anjo  Pornográfico", escrito por Ruy Castro para a Companhia das Letras, São Paulo,  1992, cuja leitura recomendamos.

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-- Delcio Marinho Gonçalves http://worldtv.com/tv_dm

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Comentário de Delcio Marinho em 4 novembro 2014 às 5:15

Comentário de Delcio Marinho em 4 novembro 2014 às 18:17

Comentário de Delcio Marinho em 4 novembro 2014 às 18:21

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