Dia 20 de novembro é o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra

Zumbi foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial.

Nascimento: 1655, Alagoas / Morte : 20 de novembro de 1695, Alagoas

Arena Conta Zumbi

1/5/1965 - São Paulo/SP
Teatro de Arena
*


Histórico

Marco da trajetória do Teatro de Arena, o espetáculo inaugura o Sistema Coringa, modelo dramatúrgico criado por Augusto Boal, para viabilizar a encenação de qualquer peça com elencos reduzidos. Alterando a estrutura tradicional do gênero dramático, com suporte em uma proposta épica e crítica, Boal e Gianfrancesco Guarnieri dividem a autoria do texto e Edu Lobo assina a música.

A classe teatral se vê num contexto em que as peças existentes não dão conta de refletir as densas mudanças ocorridas no Brasil após o golpe militar de 1964. Nesse ano, Boal dirige, no Rio de Janeiro, Opinião, realização que reúne as experiências de ex-integrantes do Centro Popular de Cultura da UNE - CPC, apoiados fundamentalmente nos esquemas dramatúrgicos propostos pelo agit-prop, ferramenta que agrupa militância, propaganda e arte. Opinião é uma colagem de fontes diversas: músicas, notícias de jornal, citações de livros, cenas esquemáticas e depoimentos pessoais contextualizando três realidades na cena: a classe média intelectualizada (representada por Nara Leão), o migrante nordestino (por João do Vale) e o sambista de morro (por Zé Kéti).

Com essa experiência dramatúrgica na bagagem, Boal integra o coletivo de artistas que cria Arena Conta Zumbi. Trata-se de colocar em cena um episódio complexo da história brasileira: a luta dos quilombolas de Palmares e sua resistência ao jugo português. Mas o Arena enfrenta dificuldades materiais: o palco e espaço cênico são pequenos e o elenco é reduzido. Escolhidos o tema, os locais de ação e as principais personagens, a criação cênica toma o aspecto de uma narrativa dramatizada, com oito atores representando todas as personagens, revezando-se no desempenho das pequenas cenas focadas sobre os pontos fortes da trama, deixando a um ator coringa a função de fazer as interligações entre os fatos, pessoas e processos, como um professor de história organizando uma aula e expondo seu ponto de vista sobre os acontecimentos. O emprego da música ajuda as passagens de cena, acrescentando tons líricos ou exortativos de grande efeito.

O crítico Décio de Almeida Prado explica os aspectos narrativos do espetáculo: "(...) o título é perfeito: a história não é vivida mas apenas narrada pelos atores. Estes não se apresentam como personagens, mas como narradores, atuando sempre coletivamente. A mesma pessoa - Zumbi, por exemplo - é representada por este ou aquele intérprete, dependendo das circunstâncias e sem nenhum prejuízo para a clareza do espetáculo. É uma técnica original e bastante efetiva dramaticamente. O cenário compõe-se somente de dois ou três acessórios e um opulento tapete vermelho, que faz as vezes de pano de fundo; Boal, como encenador, tende cada vez mais a projetar os atores sobre o chão. Não há nomes a destacar no elenco, a não ser o de Dina Sfat, entre as mulheres, todas elas particularmente jovens e bonitas, e, entre os homens, Gianfrancesco Guarnieri, um prodigioso ator de farsa que, neste terreno, ainda não foi devidamente explorado. (...)". E completa fazendo uma provocação ao conjunto de artistas e à tendência político-teatral do momento: "Arena Conta Zumbi lembra freqüentemente um comício político cantado e dançado: um frenesi de movimentos, de rumor, com muito poucas perspectivas realmente novas, Sound and fury - será esse por acaso o novo ideal do nosso teatro de esquerda?" 1

A montagem de Arena Conta Tiradentes, em 1967, aprofunda a experiência de Arena Conta Zumbi e surge explicada teoricamente em O Sistema Coringa, redigido por Boal. O sistema evolui conceitualmente e sua aplicação permite tanto o barateamento da produção quanto a implantação de proposições estéticas, ligadas a um modo épico e dialético de expor a trama.

 

Notas

1. PRADO, Décio de Almeida: Exercício Findo, São Paulo: Perspectiva, 1987, p. 68.

www.itaucultural.org.br

Monumento a ZUMBI DOS PALMARES 

Av. Presidente Vargas, na Praça XI

RIO DE JANEIRO

Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho. Maiores informações podem ser consultadas no texto História do Quilombo de Palmares.

A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em 1978, no contexto da Ditadura Militar Brasileira, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam.

Com a redemocratização do Brasil e a promulgação da Constituição de 1988, vários segmentos da sociedade, inclusive os movimentos sociais, como o Movimento Negro, obtiveram maior espaço no âmbito das discussões e decisões políticas. A lei de preconceito de raça ou cor (nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989) e leis como a de cotas raciais, no âmbito da educação superior, e, especificamente na área da educação básica, a lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira, são exemplos de legislações que preveem certa reparação aos danos sofridos pela população negra na história do Brasil.

A figura de Zumbi dos Palmares é especialmente reivindicada pelo movimento negro como símbolo de todas essas conquistas, tanto que a lei que instituiu o dia da Consciência Negra foi também fruto dessa reivindicação. O nome de Zumbi, inclusive, é sugerido nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana como personalidade a ser abordada nas aulas de ensino básico como exemplo da luta dos negros no Brasil. Essa sugestão orienta-se por uma das determinações da lei Nº 10.639, que diz no Art. 26-A, parágrafo 1º: “O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.”

A despeito da comemoração do Dia da Consciência Negra ser no dia da morte de Zumbi e do que essa figura histórica representa enquanto símbolo para movimentos sociais, como o Movimento Negro, há muita polêmica no âmbito acadêmico em torno da imagem de Zumbi e da própria história do Quilombo dos Palmares. As primeiras obras que abordaram esse acontecimento histórico, como as de Edison Carneiro (O Quilombo dos Palmares, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 3a ed., 1966), de Eduardo Fonseca Jr. (Zumbi dos PalmaresA História do Brasil que não foi Contada. Rio de Janeiro: Soc. Yorubana Teológica de Cultura Afro-Brasileira, 1988) e de Décio Freitas (Palmares, a guerra dos escravos. Porto Alegre: Movimento, 1973), abriram caminho para a compreensão da história da fundação, apogeu e queda do Quilombo dos Palmares, mas, em certa medida, deram espaço para o uso político da figura de Zumbi, o que, segundo outros historiadores que revisaram esse acontecimento, pode ter sido prejudicial para a veracidade dos fatos.

Um dos principais historiadores que estudam e revisam a história do Quilombo dos Palmares atualmente é Flávio dos Santos Gomes, cuja principal obra é De olho em Zumbi dos Palmares: História, símbolos e memória social (São Paulo: Claro Enigma, 2011). Flávio Gomes procurou, nessa obra, realizar não apenas uma revisão dos fatos a partir do contato direto com as fontes do século XVI e XVII, mas também analisar o uso político da imagem de Zumbi. Segundo esse autor, o tio de Zumbi, Ganga Zumba, que chefiou o quilombo e, inclusive, firmou tratados de paz com as autoridades locais, acabou tendo sua imagem diminuída e pouco conhecida em razão da escolha ideológica de Zumbi como símbolo de luta dos negros.

Além dessa polêmica, há também o problema referente à própria estrutura e proposta de resistência dos quilombos no período colonial. Historiadores como José Murilo de Carvalho acentuam que grandes quilombos, como o de Palmares, não tinham o objetivo estrito de apartar-se completamente da sociedade escravocrata, tendo o próprio Quilombo dos Palmares participado do tráfico e do uso de escravos. Diz ele, na obra Cidadania no Brasil: “Os quilombos que sobreviviam mais tempo acabavam mantendo relações com a sociedade que os cercava, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos”. (CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 48).

As polêmicas partem de indagações como: “Se Zumbi, que foi líder do Quilombo de Palmares, possuía escravos negros, a noção de luta por liberdade nesse contexto era bem específica e não pode colocá-lo como símbolo de resistência contra a escravidão”. A própria história da África e do tráfico negreiro transatlântico revela que grande parte dos escravos que a coroa portuguesa trazia para o Brasil Colônia era comprada dos próprios reinos africanos que capturavam membros de reinos ou tribos rivais e vendiam-nos aos europeus. Essa prática também ressoou, como atestam alguns historiadores, em dada medida, nos quilombos brasileiros.

Nesse sentido, a complexidade dos fatos históricos nem sempre pode adequar-se a anseios políticos. Os estudos históricos precisam dar conta dessa complexidade e fornecer elementos para compreender o passado e sua relação com o presente. Entretanto, esse processo precisa ser cuidadoso. O uso de datas comemorativas como marcos de memória suscita esse tipo de polêmica, que deve ser pensada e discutida criteriosamente, sem prejuízo nem das reivindicações sociais e, tampouco, da veracidade dos fatos.

* Créditos da imagem: Commons

Por Me. Cláudio Fernandes

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FERNANDES, Cláudio. "20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra"; Brasil Escola. Disponível em a href="http://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-da-consciencia-negra.htm%3E">http://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-da-...;. Acesso em 18 de novembro de 2016.

na foto Jorge Coutinho Presidente SATED RJ

Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares, respeitado herói da
resistência antiescravagista. Pesquisas e estudos indicam que nasceu
em 1655, sendo descendente de guerreiros angolanos. Em um dos povoados
do quilombo, foi capturado quando garoto por soldados e entregue ao
padre Antonio Melo, de Porto Calvo. Criado e educado por este padre, o
futuro líder do Quilombo dos Palmares já tinha apreciável noção de
Português e Latim aos 12 anos de idade, sendo batizado com o nome de
Francisco. Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a um amigo,
exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco). Em 1670, com quinze
anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo. Tornou-se um dos líderes
mais famosos de Palmares. "Zumbi" significa: a força do espírito
presente. Baluarte da luta negra contra a escravidão, Zumbi foi o
último chefe do Quilombo dos Palmares.

O nome Palmares foi dado pelos portugueses, em razão do grande número
de palmeiras encontradas na região da Serra da Barriga, ao sul da
capitania de Pernambuco, hoje, estado de Alagoas. Os que lá viviam
chamavam o quilombo de Angola Janga (Angola Pequena). Palmares
constituiu-se como abrigo não só de negros, mas também de brancos
pobres, índios e mestiços extorquidos pelo colonizador. Os quilombos,
que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos
habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão,
já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais
famoso deles foi Palmares.

O Quilombo dos Palmares existiu por um período de quase cem anos,
entre 1600 e 1695. No Quilombo de Palmares (o maior em extensão),
viviam cerca de vinte mil habitantes. Nos engenhos e senzalas,
Palmares era parecido com a Terra Prometida, e Zumbi, era tido como
eterno e imortal, e era reconhecido como um protetor leal e corajoso.
Zumbi era um extraordinário e talentoso dirigente militar. Explorava
com inteligência as peculiaridades da região. No Quilombo de Palmares
plantavam-se frutas, milho, mandioca, feijão, cana, legumes, batatas.
Em meados do século XVII, calculavam-se cerca de onze povoados. A
capital era Macaco, na Serra da Barriga.

A Domingos Jorge Velho, um bandeirante paulista, vulto de triste
lembrança da história do Brasil, foi atribuído a tarefa de destruir
Palmares. Para o domínio colonial, aniquilar Palmares era mais que um
imperativo atribuído, era uma questão de honra. Em 1694, com uma
legião de 9.000 homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho
começou a empreitada que levaria à derrota de Macaco, principal
povoado de Palmares. Segundo Paiva de Oliveira, Zumbi foi localizado
no dia 20 de novembro de 1695, vítima da traição de Antônio Soares. “O
corpo perfurado por balas e punhaladas foi levado a Porto Calvo. A sua
cabeça foi decepada e remetida para Recife onde, foi coberta por sal
fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo”.

O Quilombo dos Palmares foi defendido no século XVII durante anos por
Zumbi contra as expedições militares que pretendiam trazer os negros
fugidos novamente para a escravidão. O Dia da Consciência Negra é
celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a
inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por
coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.

A lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no
calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da
Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino
sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas as aulas sobre
os temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no
Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade
nacional, propiciarão o resgate das contribuições dos povos negros nas
áreas social, econômica e política ao longo da história do país.

http://www.brasilescola.com/sociologia/dia-consciencia-negra-heroi-...

 

Exibições: 462

Comentário de Delcio Marinho em 18 novembro 2016 às 2:06

Quilombo (Filme completo 1984)

https://youtu.be/SQEMAPIa6uk

Comentário de Delcio Marinho em 18 novembro 2016 às 3:25

Resultado de imagem para zumbi dos palmares

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