2012: uma ano difícil para os biocombustíveis

Por José Vitor Bomtempo e Fabio Oroski, do Blog Infopetro

O começo do ano é sempre o momento de alguma reflexão e balanço. O ano de 2012 foi sem dúvida muito mais de dificuldades do que de realizações para os projetos inovadores na bioeconomia. Numa revisão do que teria ocorrido de importante em 2012 em inovação em energia, o MIT Technology Review destacou como os avanços dos renováveis, mesmo se alguns deles possam ter sido notáveis, parecem pálidos diante do impacto do shale gas nos EUA.

shale gas tem atraído inclusive o interesse de empresas com projetos em biocombustíveis que tentam reconverter os seus processos para o uso de gás natural no lugar de biomassa. É o caso, por exemplo, da Coskata que decidiu substituir em sua primeira planta de escala comercial a biomassa por gás natural. O gás natural será convertido em  gás de síntese que será transformado por fermentação em etanol e outros produtos.  Calysta Energy , umastartup anunciada recentemente, pretende aplicar a biotecnologia para converter gás natural em diesel.

Para começar 2013, uma das primeiras notícias é o adiamento  de parte dos projetos da Dow  Mitsui no Brasil para a produção de polietileno verde. A razão? Mais uma vez as oportunidades muito mais atraentes  do shale gas nos EUA para a produção de químicos e plásticos. O projeto Dow Mitsui tem um custo estimado de US$1,5 bilhões e prevê a produção integrada de cana, etanol (2,7 milhões de toneladas de cana\ano), conversão de etanol em eteno e produção de biopolímeros. As etapas de plantação de cana e produção de etanol continuam em desenvolvimento.

Ainda na mesma linha de balanço de 2012, um outro artigo destaca a redução de recursos de venture capital disponíveis nos EUA para as chamadas clean tech. Os recursos aplicados pelos investidores caíram 32,8% em relação a 2011. Boa parte da queda é explicada pelo amadurecimento do setor de energia solar que tinha sido nos últimos anos o principal demandante de recursos. Os biocombustíveis receberam cerca de 15% do total aplicado em 2012, o que corresponde a quase US$ 1 bilhão. Entretanto, como destaca o autor do artigo, a sensação para as startups oscila entre o copo meio cheio ou meio vazio.

Esses fatos – o shale gas abundante, a queda de recursos de venture capital – trazem à tona algumas das dificuldades da transição tecnológica que vivemos, em particular o difícil processo de crescimento e viabilização das startups de base tecnológica que lançam os mais ousados projetos inovadores. O caso da Metabolix é também um fato marcante de 2012.

Metabolix foi criada em 1992 a partir de pesquisas desenvolvidas no MIT e  atualmente conduz um dos projetos mais importantes de produção de polihidroxialcanoatos (PHA), apontados como um dos bioplásticos de maior demanda projetada.  Durante os primeiros anos de vida, Metabolix foi financiada por recursos governamentais, principalmentegrants, além de prestações de serviços de P&D. Nesse período, a empresa acumulou grande conhecimento na biotecnologia para a produção de bioplásticos, incorporando inclusive as patentes da ICI que foi pioneira nos anos 1980 na produção de PHAs. ICI chegou a comercializar o produto, mas os custos de produção eram muito elevados e a empresa abandonou o projeto.

Na década de 2000, o interesse pelos bioplásticos e pelas alternativas de baixo carbono começou a crescer e a Metabolix despertou a atenção da BP e da ADM. Em 2004, a Metabolix assinou um acordo que celebrou uma aliança tecnológica e um contrato de opção com a ADM Polymer Corporation (“ADM Polymer”), subsidiária da ADM (Archer Daniels Midland). Metabolix forneceria tecnologia, licenças e serviços de P&D e a ADM ofereceria prestação de serviços de produção e capital financeiro, necessários para a produção do biopolímero em escala comercial.

O contrato de opção referia-se à possibilidade de um acordo comercial entre as empresas a partir da criação de uma joint venture. A parceria permitiria o financiamento da planta em escala comercial de 50.000 t/ano, partindo de uma planta piloto com capacidade de 120 t/ano.

A entrada da ADM como sócio investidor no projeto da Metabolix foi estimulada, segundo declarações oficiais da empresa, pelo ambiente, no qual os preços elevados e a volatilidade do petróleo impulsionaram as grandes empresas a estudarem novas alternativas, como também, por uma estratégia de diversificação e orientação para a formação de joint ventures tecnológicas. No relatório anual de atividades da ADM em 2004, lê-se:

“O que poderia orientar uma expansão contínua da demanda por combustíveis alternativos? Os preços do petróleo provavelmente são o fator mais relevante, em razão da demanda e de outras variáveis. Entre os componentes do preço de cada barril de petróleo, há premissas geopolíticas e ambientais que podem mudar drasticamente de um dia para o outro. Para mitigar o risco – e maximizar a oportunidade –, a ADM está voltada para essas chances de negócio em diversas frentes. Investimentos diretos, joint ventures, licenciamento e outras abordagens fornecem os meios para capturar potenciais fluxos de receita e lucratividade, sob a cuidadosa gestão de cada iniciativa. A ADM intensificou a ênfase em licenciamento e joint ventures tecnológicas como um meio de diversificar suas linhas de produtos, aumentar o fluxo de valor em instalações já ativas e distribuir o risco entre múltiplos investimentos (ADM ANNUAL REPORT, 2005). ”

A entrada da ADM representava para a Metabolix um passo fundamental na direção da produção comercial. A joint venture Telles, criada em 2006, era a união do desenvolvimento tecnológico, promovido pela Metabolix e o acesso à matéria-prima, milho (biomassa) e recursos financeiros da gigante do setor de produção de alimentos ADM. Ainda em 2006, houve o anúncio da construção de uma unidade de fermentação para a produção de 50.000 toneladas/ano que entraria em operação no ano de 2008. A planta seria construída no estado americano de Iowa, dentro das instalações industriais da ADM. (...) O texto continua no Blog Infopetro.

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