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21 de março: Dia de ´Combate ao racismo´ e de ´Comemoração´de políticas públicas raciais

    Na contra-mão de combate ao racismo: políticas raciais no Brasil

   Neste 21 de março de 2013 – Dia Internacional de Combate ao Racismo – o ponto alto das celebrações oficiais no Brasil foi a ´comemoração´ dos dez anos do início de políticas públicas em bases raciais que culminam, presentemente, em leis de segregação de direitos raciais, e na proliferação da criação de órgãos ´guetos´ na administração pública, o que está sendo estimulado em todas as unidades da federação, realizando diversas atividades raciais em nível federal e nos estados.

  A ineficiência, a desimportancia e a desnecessidade dessas políticas públicas começam a ser notadas e denunciadas por setores do movimento racial de ´negros´, embora defensores das políticas raciais, não mais se limitando a nós, ativistas contra o racismo de qualquer matiz. É o que se depreende das críticas e do balanço feito na ´Afropress´.  http://www.afropress.com.br/post.asp?id=14613.

  Como tal comemoração das políticas raciais estatais celebram a criação da raça estatal no Brasil, com a identidade jurídica da falaciosa e estigmatizada ´raça negra´ e coincide com as medidas do Presidente Obama, nos EUA, proibindo o uso do termo racial de ´raça negra´ nos documentos, no censo e nas políticas públicas nos Estados Unidos, já debatidas aqui no portal: http://www.advivo. com.br/blog/luisnassif/eua-abandonam-o-uso-da-cl... comprovando que estamos trilhando a contramão da história. Nos EUA, país que sempre utilizou a categoria de direitos raciais, sob a presidência de um afro-americano, proíbe o uso de tais políticas raciais que ora, tardiamente, passamos a adotar.

   Por outro lado, em 2014 vamos celebrar vinte anos da eleição de MANDELA, na África do Sul, que significou a destruição do estado de segregação racial.

  Relevante lembrar que a ONU adotou esse dia simbólico ´de Combate ao racismo e eliminação da Discriminação Racial´,  pois em21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil africanos protestavam contra as leis de apartação e segregação racial que então se iniciava na África do Sul e contra as quais NELSON MANDELA lutou, foi preso e condenado e passou 27 anos nas prisões do regime de apartação de direitos raciais. Naquele dia, no bairro de Shaperville, os manifestantes pretos se depararam com tropas do exército de brancos. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à essa tragédia e aos compromissos das nações abandonarem a segregação de direitos raciais a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação de Discriminação Racial.

  Nessa semana da celebração em que assistimos às ´comemorações´ do décimo aniversário de políticas públicas raciais no Brasil, a ´Folha´ noticia que o estado está determinado a levar a sério a segregação de direitos raciais e que tais políticas públicas em bases raciais são mesmo prá valer: “Funarte alega cor da pele e barra projeto de danças (de dez negros)” em matéria de Gustavo Fioratti: Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, disse à Folha que o grupo (embora sejam de pretos e pardos) foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco.” http://www1.folha.uol. com.br/ilustrada/1251223-funarte-alega-cor-d...

   Em razão dos dez anos de equivocadas políticas de segregação de direitos raciais, e pela relevância do ´Dia Internacional de Combate ao Racismo e pela Eliminação das Discriminações Raciais´ ofereci dia 22, o seguinte comentário ao editorial da Afropress: http://www.afropress.com.br/post.asp?id=14613

"Prezados,

Com essa insanidade de políticas públicas em bases raciais, estamos trilhando na contra-mão da história. Evidente que a SEPPIR e quaisquer outras das centenas/milhares de órgãos similares que serão criadas no Brasil doravante, servirão todas, sempre, como guetos para acomodação política do partido do governo local e servirão para justificar o próprio racismo institucional que nos cabia combater.

Trata-se de um caminho equivocado e perverso, amplamente financiado pelas Foudacion´s norte-americanas e destinada a fins da ´inteligentzia´ ianque de nos fazer também crentes em pertencimentos raciais que degradam e destroem a comunidade afro-americana. Não há na história humana, nenhuma experiência positiva com políticas públicas em bases raciais induzidas pelo estado. Não há uma só para ser a exceção à regra.

Na condição de anti-racista, é muito triste ver uma ou duas centenas de militantes raciais do movimento racial de ´negros´ pendurados no governo federal via SEPPIR ´comemorarem´ dez anos de políticas raciais estatais, inéditas no Brasil, e a estimularem o engodo nas demais unidades da federação. “Numa sociedade com a cultura de raça, a presença do racista será, pois, natural”, já afirmava FRANTZ FANON, em Paris, 1956, o primeiro grande ativista contra o racismo. 

Espero que algum dia compreendam e não me canserei de denunciar: essa convivência com o racista somente interessa a militantes profissionais deles dependentes para sobreviverem ocupando carguinhos de ´confiança´, com suas ´boquinhas´ e ridículos ´projetinhos miseráveis´ catando as migalhas dos banquetes de quem usufrui dos poderes. Em breve, cada político terá seu ´negrinho´ de confiança e estimação para exibir sua nefasta políticas de ´igualdade racial´. São tão insignificantes e miseráveis que não conseguem empenhar o mísero orçamento da SEPPIR. Aos pretos e pardos mais pobres, hipossuficientes, que sofrerão as consequências do racismo no dia a dia, essa presença do racista será a fonte geradora de opressão, de degradação e de humilhação. 

Exatamente ao contrário disso e ao mesmo tempo, neste 2013, o grande Presidente OBAMA – um culto e inteligente afro-americano que se impôs ao tradicional racismo ianque – apoiado por 95% dos afro-americanos na reeleição de 2012, verdadeiramente comprometido com o combate ao racismo continua implementando políticas públicas pós-racial, ou seja, sem nenhuma referência à ´raça negra´ aliás, por ele anunciadas desde a pré-campanha no livro ´A Audácia da Esperança´ em que esclarecia: “são inadmissíveis políticas públicas em bases de raça”, ele afirmava no livro de 2007.

Agora, em fevereiro de 2013, o governo OBAMA acaba de determinar a proibição do uso do termo ´racial´ de negro no censo e demais programas de políticas públicas, rompendo assim, uma tradição de mais de 100 anos de políticas públicas raciais nos EUA. Primeiro de segregação, depois para as humilhantes cotas raciais, enfim sustadas no governo Obama.

A boa nova, aqui: “Depois de mais de um século, o U.S. Census Bureau está abandonando o uso da palavra “negro” para descrever os pretos americanos em pesquisas. Em vez do termo que entrou em uso durante a época da segregação racial, os formulários do censo vão usar os termos mais modernos “preto” ou “africano-americano”. 

E continua a notícia: ” Usado pela primeira vez no censo, em 1900, “negro” se tornou a forma mais comum de se referir a pretos americanos durante a maior parte do início do século XX, durante uma época de desigualdade racial e segregação. “Negro” em si havia tomado o lugar de “de cor”. Começando com o movimento dos direitos civis dos anos 1960, os militantes pretos começaram a rejeitar o rótulo “negro” e passaram a identificarem-se como preto ou africano-americano.”

Agora, subsidiado por estudos acadêmicos e amplo debate político, sob a Presidência de um afro-americano, vem a notícia extraordinária dos EUA: Use of ‘Negro’ to describe black Americans dropped in U.S. census surveys – The Associated Press – Published Monday, Feb. 25 2013, 1:25 PM EST –http://www.theglobeandmail.com/news/world/use-of-negro-to-describe-... ericans-dropped-in-us-census-surveys/article 9023837/ – ou seja, significa o estado abandonando a classificação pela ´raça negra´, passando a designá-los pela cor (black) ou pela ancestralidade geográfica (afro-americans).

O que faz OBAMA é exatamente o contrário do que a Ford Foudacion patrocinada pelos fundos do racista Sr. Henri Ford, o maior financiador da KuklusKan nos anos 1900 sonha nos impor: um estado com direitos em bases raciais, a triste história dos EUxA que conduz hoje, em 2013, a mais de 2,5 milhões de afro-americanos jovens cumprindo penas criminais, nada menos que 40% dos jovens masculinos de 16-30 estão sob custódia da justiça. Nada menos que 70% das crianças filhas de mães-solteiras, indícios de um futuro degradante. Uma catástrofe racial sem paralelo na sociologia ocidental e que está sendo enfrentada pelo Presidente Obama.

aqui a notícia da decisão de Obama: http://nacaomestica.org/blog4/?p=8720

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Comentário de Carolina Piai em 22 setembro 2013 às 23:58

Olá Militão, como vai?

Sou estudante de Jornalismo da PUC-SP e estamos fazendo uma matéria no nosso jornal laboratorial, o Contraponto, sobre os 50 anos do discurso do Martin Luther King. Gostaríamos, então, de saber se você pode nos ajudar com uma entrevista. Mesmo que seja por e-mail, já seria ótimo. 

Muito obrigada desde já,
Carolina Piai. 

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