O índice da educação básica (ideb) divulgado ontem traz um alento ao Brasil. O País melhorou, superou a sua própria expectativa. Eu poderia aplaudir esse resultado, como professor que sou, se o meu estado, o Pará(zinho) (que neste 15 de agosto se dá o luxo de comemorar o exemplo de rebeldia, ao enaltecer que foi o último a reconhecer a independência do País, e, por isso, aquela estrela solitária acima do nosso ORDEM E PROGRESSO, figura como marco do que fomos e do que ainda somos) tivesse resultado razoável. Melhorou, nos eufemismos do MEC, mas poderia ter se saído melhor haja vista os batuques que se ouvem lá das bandas da capital, do Palácio do governo, que canta "grandes" investimentos em educação. O Pará(zinho) figura como um dos que têm o pior índice de educação do País. Diga-se de passagem que por aqui greve de professores é como mosquitos ao anoitecer, constante. A educação caminha sem pernas, vai de maca, caminha a pés descalços, assim como alunos caminham quilômetros em estradas de chão batidos para chegar a "escolas" sem carteiras, sem merenda, sem professores; educação por aqui perambula como folha levada ao vento. A saúde, essa está em UTI há anos, sobrevive com aparelhos. A segurança se segura como pode. Belém é uma das cidades mais violentas do País, por lá há mais assaltos do que gente. O Parazinho, esse que ficou depressivo quando se viu ameaçado de sumir do mapa quando Tapajós decidiu nascer, estampa índices vergonhosos, mas o supremo governador do supremo estado, Simão Jatene, diz que aqui está tudo muito bem. O Pará(zinho) caminha as mil maravilhas. Não. Não caminha. O Pará(zinho) se perdeu no tempo. Ainda vive o tempo da escravidão. O Pará(zinho) é campeão em trabalho escravo. Aqui a escravidão é ponte para quem quer enriquecer às custas de quem não tem emprego. O Pará(zinho) é campeão em corrupção camuflada. Corrupto anda de jatinho e não tem o menor pudor de ser chamado corrupto. O Pará(zinho), cantado no seu hino como "Sentinela do Norte", caiu em sono profundo e deixa que os de mãos finas subtraiam sua riqueza e desdenhem dos desfavorecidos. Se os índices da educação básica melhorou na média nacional, por aqui, pelo Pará(zinho), não melhorou nada. É só olhar os índices por municípios e ver quais tiveram desempenho razoável. Eles estão no Oeste do estado. A região que sustenta o Pará(zinho) e pouco recebe por isso. A região que teve a sua vontade impedida pela maioria dos arredores do capital amedrantada de perder a papa gorda recebida dos do Oeste.
Educação é a mola de uma nação, mas por aqui é vista como parafuso, serve para segurar promessas e destravar votos. O Pará(zinho) não caminha, parou. O Pará(zinho) sente orgulho de ser campeão em muitas asneiras: campeão em desmatamento. Desfila como o Estado que não preserva, destrói. É o campeão em assassinato por disputa de terra (por aqui reforma agrária não se tem registro). Também é o estado que atesta a impunidade a pistoleiros, a matadores de seringueiros, trabalhadores, missionários. Eldorados dos Carajás é exemplo dessa impunidade. Ninguém, que eu saiba, responsável pela chacina, cujas cenas filmadas foram exibidas em telejornais nacionais e internacionais, foi punido. O governador da época, o médico Almir Gabriel, nem se quer foi culpado pelo que aconteceu. Recebeu a assinatura de herói. Os policiais responsáveis pela atrocidade contra pessoas armadas a pau e foice receberam promoções nos cargos. É assim que o Pará(zinho) pode ser descrito. Hoje, 15 de agosto, além de comemorar a sua rebeldia, por ser o último Estado a reconhecer a Independência do Brasil, o Pará(zinho) também pode comemorar o título de pior educação, de pior saúde. Salve (a) terra de ricas florestas!!!
Comentário de Simone Schmidt em 16 agosto 2012 às 2:19 A lista das 10 melhores escolas de quinto a nono ano pelo índice do Ideb no estado de São Paulo me chamou a atenção.
Primeiro, todas as escolas são do interior do estado, assim como as classificadas da primeira a quarta série. Segundo, várias escolas são na verdade escolas municipais, ou seja, mantidas pela prefeitura do município, assim como a escola da minha cidade (Araras), Prof. Júlio Ridolfo.
Comentário de Lafaiete de Souza Spínola em 16 agosto 2012 às 16:07 Publiquei, em meu Blog: UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL. Foi publicado, também, em outras paragens, onde foi lido e comentado.
O IDEB é pífio! Não se investe em educação. Observem que nos Estados onde a criminalidade é maior o índice é menor. Menos atenção na educação, maior a criminalidade.
Pode-se observar, também, que aquelas escolas onde o índice é maior são pontos singulares. São unidades orientadas para certas camadas da sociedade!
O Ministro acha que que se deve diminuir a quantidade de matérias. Considera que o baixo nível é causado pela alta carga de matérias. Que absurdo! Hoje, não temos ESCOLAS, Sr Ministro. Faça um teste, mais abrangente, com jovens que possuem segundo grau completo! Não é só em português e matemática que serão reprovados. Guardo cerca de 1000 testes que foram realizados nos últimos 10 anos, inclusive com jovens universitários ( redação com pelo menos 15 linhas, matemática, conhecimentos gerais). Que calamidade!
Discute-se muito! Quando se propõe um projeto, uma solução, não há o devido interesse. Vamos propor soluções!
Pergunto: seria inconveniente tornar o blog aberto ao público, mais abrangente, mais lido, sem a necessidade de cadastramento para leitura e comentários? Tenho essa dúvida.
Comentar
© 2013 Criado por Luis Nassif.
Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!
Entrar em Portal Luis Nassif