Se vivo, Baden Powell (1937-2000) completaria 71 anos no próximo dia 06 de agosto.

Nascido na cidade de Varre-Sai (RJ), mudou-se com a família para o bairro de São Cristovão, no Rio de Janeiro. Baden tem esse nome porque seu pai, Lilo de Aquino (apelidado de Tique, tocador de violino, tuba e violão), quis homenagear o general inglês Robert Stephenson Baden Powell (1857-1941), fundador do escotismo. O "vírus" da música, herdou do pai e do avô, Thomás de Aquino, primeiro a reger uma orquestra de escravos.

Logo o menino tomou gosto pela música. A torcida do pai era pelo violino, mas foi o violão quem vingou. Constatado esse fato, e percebendo que o moleque levava, realmente, jeito para o instrumento, após estudos caseiros, o pai procura o violonista e professor Meira (Jaime Florence), que, ao ouvir o garoto, o aceita de imediato como aluno.

Além de autores eruditos, Baden estudava as músicas de Américo Jacomino - o Canhoto, João Pernambuco, Garoto e Dilermando Reis. A casa de Meira era frequentada por Jacob do Bandolim, Dino 7 Cordas, Pixinguinha, e rolava muita Roda de Choro. Foi Meira quem teve a idéia de inscrevê-lo no Programa Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional e, aos 10 anos de idade, ele emplaca o primeiro lugar com a composição "Magoado", de Dilermando Reis. Participa, também, do famoso Programa de Calouros de Ary Barroso, escapando bonito do famoso gongo, tirando a nota máxima.

Aos 15 anos, Meira o encaminha para a Escola Nacional de Música (ENM); seu pupilo estava pronto para alçar vôos mais altos. Mas paralelamente à ENM, ele fora construindo sua carreira profissional, tocando onde fosse convidado, de batizado a velório.

Seu primeiro disco é gravado em 1959 - "Apresentando Baden Powell e seu violão"-, cujo repertório é formado por clássicos da música norte-americana, composições de Ary Barroso, Pixinguinha, e "Samba Triste", sua primeira composição, em parceria com Billy Blanco.

Em 1962, acompanhava Sylvinha Telles num show da boate "Jirau" e, certa madrugada, foi por ela apresentado a João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Dali nasceu a parceria Baden-Vinícius, que contabilizou mais de cinquenta músicas. Dias após o encontro, surgia "Canção de ninar meu bem". Depois Baden mudou-se para a casa de Vinícius, onde produziram uma safra de excelente qualidade, regada, obviamente, a muito uísque. São frutos dessa safra: "Samba em Prelúdio", "Só por Amor", "Bom Dia Amigo", "Astronauta"... Em 1966 lança com o poetinha, o antológico LP 'Afro-Sambas".

Voltando a 1962: com seu violão e pouco mais de 430 dólares, desembarca em Paris, e logo no famoso Teatro Olympia. Toca inicialmente Ravel (no Brasil se conhece Ravel?! Bach?!"), e depois suas músicas cheias de balanço: "Consolação", "Amei tanto", "Deixa"...

Houve uma época que ele passou a viver entre o Brasil e a Europa e, mais tarde, a residir em Paris e na Alemanha, retornando, definitivamente, para o Brasil na década de 1990.

Seu grande talento abrigava muitos parceiros. Além da com o poetinha, outra parceria que merece registro é a com Paulo César Pinheiro, que conheceu em 1965, engendrando pérolas como "Violão Vadio", "Refém da Solidão", "Samba do Perdão" e a famosa "Lapinha", vencedora da I Bienal do Samba, em São Paulo (1968), interpretada por Elis Regina.

É imensa a lista dos (as) cantores (as) e instrumentistas que gravaram e continuam a gravar suas músicas e, também,, que o homenagearam após sua morte com belíssimas composições.

Baden, ao longo de sua trajetória, manteve-se fiel às suas origens, navegando por diversos gêneros, deixando sua marca em todos eles, mediante perfeita técnica instrumental aliada a uma sensibilidade que aflorava a cada interpretação.Enfim, talento e simplicidade. Do mesmo jeito que se reunia para tocar num botequim, ele executava um recital na sala da Filarmônica de Berlim ou dialogava com a cantora lírica Maria D'Aparecida nas elegantes salas de Paris.

Por isso - e com toda a justiça - é chamado de BADEN DE TODOS OS VIOLÕES.

Como sentimos a sua falta...

Savará!!! Benção!!!

Laura Macedo

Indico os DVDs:

a) "O Universo Musical de Baden Powell - Velho Amigo" (Universal Music)
b) "Baden Powell - Programa Ensaio 1990" (Produção TV Cultura/Trama)

OBS: As fotos não ficaram do jeito que planejei. A primeira é uma das últimas fotos do Baden e a segunda, em preto e branco, é do início da carreira. Vocês encontraram, na minha página, um vídeo do Baden interpretando "Samba Triste".

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Comentário de Carlos em 6 agosto 2008 às 15:57
Oi Laura,

Acabei de ler o seu artigo sobre Baden. Muito legal! Muito bem escrito. Parabéns!
Laura, vou abusar um pouco do seu conhecimento, e te fazer uma pergunta: qual a relação do Baden com a bossa-nova? O estilo característico que ele desenvolveu tem alguma relação com a bn, foi influenciado por ela?

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