Com o galão do combustível atingindo a casa dos quatro dólares e o preço do petróleo batendo recordes, energia se tornou um dos temas centrais da eleição presidencial americana.

Os dois candidatos principais, os senadores Barack Obama (Democrata) e John McCain (Republicano), em linhas gerais, compartilham os mesmos objetivos principais: redução da dependência americana ao petróleo importado e forte estímulo aos combustíveis limpos. Porém, os seus métodos para alcançar esses objetivos diferem drasticamente.

O senador McCain propõe a construção de 45 novos reatores nucleares até 2030 e o final da moratória federal para a exploração off-shore de petróleo de determinadas áreas da costa americana. O candidato Republicano propõe a utilização de incentivos de mercado – desconto de impostos para carros elétricos e um prêmio de 300 milhões de dólares para quem desenvolver a melhor bateria para automóveis – para promover as fontes alternativas de energia. Além disso, o senador promete um alívio imediato para os motoristas americanos mediante a redução dos impostos federais sobre a gasolina.

O senador Obama se opõe à nova exploração off-shore e é muito mais cauteloso em relação à expansão do nuclear, esperando o desenvolvimento de tecnologias seguras para o lixo radioativo. O candidato Democrata pretende dobrar a eficiência padrão dos combustíveis em dezoito anos, subsidiar o desenvolvimento do etanol, e forçar as empresas elétricas a gerarem um quarto da energia a partir da energia solar, eólica e outras fontes renováveis até 2025. Opondo-se à redução dos impostos sobre a gasolina, o senador propõe um imposto maior sobre os lucros das empresas petrolíferas.

As diferenças entre as duas abordagens seguem as distinções ideológicas entre os dois partidos. Pelo lado Republicano, prevalecem os incentivos financeiros e o maior papel para o setor privado. Pelo lado Democrata, imperam os impostos, os subsídios e a regulação.

No entanto, McCain se diferencia dos seus predecessores Republicanos na medida em que se recusa a ceder a bandeira “verde” ao seu rival Democrata. Nesse sentido, ele apresenta seu plano como uma ruptura com três décadas de paralisia partidária.

Por seu turno, Obama pretende reduzir o uso de petróleo em 35 % até 2030, estabelecer uma lei para a retirada de todas as lâmpadas incandescentes, e destinar 150 bilhões de dólares na próxima década para desenvolver e comercializar tecnologias de energia limpa, dos carros híbridos aos biocombustíveis como o etanol.

Se Obama afirma que o plano de McCain é apenas um truque barato que simplesmente aumentará o consumo de óleo nos próximos quatro anos; McCain afirma que Obama é uma espécie de Doctor No, um obstrucionista como uma visão extremamente estreita das aflições imediatas do país em relação à energia.

Entretanto, Obama e McCain concordam sobre a necessidade do Governo americano ter uma vigilância muito maior sobre a ação dos especuladores no mercado futuro de petróleo, que, na visão dos dois, são os responsáveis pelo pico de preços dessa commodity.

Enfim, esse é o quadro inicial da corrida à Casa Branca, no que diz respeito à política energética dos dois principais candidatos. Até Novembro, o debate em torno do tema energia deve se acirrar, à medida que as tensões no mercado de petróleo pressionem os preços dos combustíveis nas bombas e os bolsos dos americanos.

Exibições: 32

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço