Uma Igreja Militante, assim definia meu pároco no final do anos 80, numa cidade do interior de Mato Grosso, Nova Xavantina. Uma região de conflitos com a chegada de imigrantes sulistas, brigas pela posse da terra, envolvendo índios, garimpeiros, colonos, posseiros e tantos outros. Esta foi a Igreja Católica que conheci. Havia uma tomada de posição. O trabalho faz uma abordagem interessante quando expressa o alargamento do horizonte do sagrado na teologia da Libertação. Vemos almas ou pessoas pelas ruas e campos? costumava provocar Dom Pedro Cazaldáliga. Assim justificava a atuação da Igreja na política, lutar por uma vida digna não após a morte mas em vida ás pessoas, antes de salvar almas deveria salvar pessoas.
Acredito que este movimento tão singular da Igreja Católica perdeu o rumo. A começar por seus antigos lideres o que se tornaram? Não que eu esteja sendo moralista mas por tratar se de uma corrente dentro de uma Instituição Milenar como a Igreja Católica, a postura moral de expoentes deveria ser preservada, uma vez que os seguidores e militantes desta corrente eram e são pessoas oriundas de camadas que prezam muito valores principalmente familiares, a honra etc...na verdade são todos ex. Ex padres, ex freiras, ex freis e por ai vai...dando margem ao linchamento publico como os rótulos de padres comunistas, baderneiros, apoiadores de Sem Terra, sem Teto... exemplo recente cito o Padre Julio Lancelotti ...
As CEBs ( comunidades Eclesiais de Base) foram bem descritas como sendo os espaços de discussões políticas. Lembro que reuníamos algumas pessoas, lia se um texto do evangelho ou de qualquer passagem das sagradas escrituras e depois cada um comentava o que tinha entendido. Sempre fazendo uma conexão com a realidade local. Várias vezes dali saia um abaixo assinado, a organização de uma manifestação. Teve até uma edição da Bíblia no começo dos anos 90 que dava uma conotação mais social e critica aos textos sagrados, era a chamada Edição Pastoral.
Nessas reuniões abordava se de tudo. Falava de meio ambiente, política, sexualidade, religiosidade. Este caráter de intimidade, numero reduzido de participantes, cânticos geralmente com ritmos e temáticas africanas, latinas.... parece ter desestimulado os jovens afinal estamos na era da concentrações como fazem os pastores RR Soares, Edir Macedo e até os Carismáticos. Musica eletrônica e ritmos da hora.
As CEBs dizem que ainda existem, mas me permitam sua influencia é bem reduzida quantitativamente e qualitativamente.
Nos Católicos no Brasil temos por obrigação travar um debate decente e coerente. Não abandono minha fé. Mas uma Igreja Católica mais atuante é necessário. Temos este direito e o dever de dar respostas á sociedade brasileira.

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Comentário de Edmar Roberto Prandini em 4 agosto 2008 às 14:56
Orlandir,

Interessante que você mantenha sua preocupação com este tipo de engajamento eclesial e com o posicionamento da Igreja na perspectiva da Teologia da Libertação. É fato que houve um retrocesso no campo da organização pastoral da Igreja, que há alguns anos deixou de priorizar o modelo pastoral baseado na constituição de grupos e comunidades de base. Houve a renovação de um modelo paroquial, a revigoração de um acento clericalizante e a nomeação de um episcopado menos centrado na temática das condições da vida. Mas, há duas questões que lhe quero sugerir para reflexão.

1. O ambiente político brasileiro mudou profundamente desde o início dos anos 1990, de modo que na atualidade o campo dos debates políticos e sociais não encontra-se mais restrito, o que criou novas condições e organizações onde estas discussões passaram a ocorrer. É extremamente simples proceder à constituição de uma organização sem fins lucrativos, para promover discussões sobre a realidade local ou nacional, e usar da pedagogia e das técnicas de grupo que se queira. Cresceram as oportunidades de participação política. Cresceram também os mecanismos de participação social na interlocução com os governos, por meio dos conselhos de gestão, espaços públicos onde a sociedade se faz representar tratando das diretrizes da ação dos governos: conselhos de saúde, de educação, da criança e adolescente, etc. Então, aos cristãos cuja fé esteja estruturada sob o paradigma da teologia da libertação não faltam oportunidades de participação e, mais que isso, de liderança nos processos sócio-políticos.

2. Vizualizo os movimentos de economia solidária como campo privilegiado para o trabalho daqueles que militaram nas CEB's. São associações, articulações, cooperativas onde gradativamente têm-se construído práticas de democracia sócio-política e econômica, com repercussões e articulações internacionais. Tais movimentos tem tido muita presença no Fórum Social Mundial, por exemplo. Como diria Clodovis Boff, creio que nestes movimentos se esteja experimentando a "via da comunhão de bens", princípio evangélico fundante da concepção econômica da teologia da libertação.

Meu e-mial para dialogarmos: edmarrp@yahoo.com.br

Um abraço.

Edmar

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