Morreu o poeta palestiniano Mahmoud Darwish, vítima de complicações durante uma cirurgia cardíaca realizada em Houston, EUA. Desapareceu assim «o maior poeta do mundo», segundo as palavras de José Saramago, profundamente emocionado com o desaparecimento de um seu amigo, «um homem cheio de coragem e com uma ética absolutamente impressionante», e «o pioneiro do projecto cultural palestiniano moderno» segundo Mahmoud Abbas, presidente palestiniano.

Darwish contava 67 anos e fez da sua obra um testemunho das várias histórias da luta palestiniana. Temas como a expulsão, a perda da pátria, a ausência ou a determinação encontram-se gravados na sua obra poética, demonstrando que «a poesia não pode mudar o mundo, mas pode acender luzes na escuridão», como afirmou.
Forçado a viver no exílio entre 1971 e 1996, ano em que regressa à Palestina depois de anos vividos entre Moscovo, Paris e Beirute, Darwish foi também um membro activo no quadro político da Palestina, tendo pertencido à direcção da OLP e mantendo-se até à data da sua morte como militante do Partido Comunista Israelita. As suas palavras assumiram um carácter histórico quando em 1988 escreveu a declaração de independência da Palestina. Nos últimos anos, assumiu algumas divergências com a linha seguida pelos responsáveis do Hamas, criticando uma maior presença de acções violentas nas lutas lideradas por este movimento.
Em 2001 foi distinguido com o Prémio Lannan para a Liberdade Cultural, reconhecimento por um trabalho de coragem e de celebração dos Direitos Humanos e do direito à liberdade de pensar, de questionar e de se expressar.
Colaborou ao longo dos anos com diversos jornais e a sua obra poética encontra-se editada em quase 30 países. Em Portugal, os seus poemas podem ser lidos na antologia O Jardim Adormecido e Outros Poemas, ed. Campo das Letras.
Há oito anos atrás, quando Darwish viu a inclusão de poemas seus em livros escolares israelitas ser vetada por partidos da direita israelita, afirmou: «Tenho paciência e espero uma profunda revolução na consciência israelita.»
Morreu no sábado, 9 de Agosto, continuando a acreditar na paz entre Israel e a Palestina.

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