Na Riqueza dos Cassinos o Samba pede Passagem



NÃO SÓ DAS GRANDES ATRAÇÕES INTERNACIONAIS VIVIAM OS SHOWS DOS CASSINOS BRASILEIROS, NA FASE ÁUREA DO JOGO.


CANTORES E CANTORAS, MÚSICOS, MAESTROS E ARRANJADORES MANTINHAM O RITMO NACIONAL NO MESMO NÍVEL QUE OS IMPORTADOS.


Foi no dia 30 de abril de 1946 que o presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, decreta o fechamento dos cassinos em todo território brasileiro. Os cassinos da Urca e Copacabana, no Rio, de Icaraí, em Niterói, de Quitandinha, em Petrópoilis, da Pampulha, em Belo Horizonte, dos muitos balneários do país, como Poço de Caldas, Caxambu, Santos, Araxá e outros, transformaram-se em elefantes brancos, onde o som das orquestras ecoavam apenas nas lembranças dos seus frequentadores.

Nossos artistas foram atingidos em cheio. Perdendo seu principal "ganha pão" muitos ficaram a ver navios enquanto outros pegaram, literalmente, o navio procurando sabrevivência em outos países.

Os sambistas tinham seu espaço nos cassinos. A primeira vez que se deu foi em um "reveillon" no Cassino Atlântico . À meia noite em ponto, o compositor mangueirense Cartola irrompeu de um relógio de papel, que marcava aquela hora , começando o show.

Outro fato curioso é que por iniciativa de Silvio Caldas, negros se apresentavam em cassinos brasileiros. E entre outros, lá estava o principiante Gereldo Pereira e sua pastora, que viria a ser a primeira-dama da Mangueira, Dona Neuma.

O famoso Cassino da Urca foi o trampolim para a carreira internacional de Carmem Miranda. Quando fazia um show, em 1939, foi vista e contratada pelo empresário norte-americano Lee Schubert. E o desfecho dessa história todos sabemos.

E a Orquestra de Carlos Machado? Ela foi uma das maiores atrações da noite carioca, por vários anos. Carlos Machado, no final dos anos 30, ao retornar de Paris onde atuou como bailarino, resolveu criar uma orquestra que fizesse parte do espetáculo e da decoração dos cassinos. Não economizou recursos contratando os melhores músicos, entre eles, Russo do Pandeiro, Fafá Lemos, Walter Rosa, Laurindo Almeida, D*** Farney, Nicolino Cópia (o Copinha)... Que time!!!

O certo é que nesse mundo de ostentação e riqueza explícita dos cassinos os artistas brasileiros, especificamente, os sambistas foram,aos poucos, sendo notados e dividindo as atenções com as grandes atrações internacionais da época.

Laura Macedo.

Fonte: Os Grandes Sambas da História (pág 322)

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Comentário de Helô em 12 setembro 2008 às 1:50
Laura
Tenho um amigo no Rio que frequentou os cassinos do Rio e tem sempre uma história interessante pra contar. Ele é uma caixinha de surpresas! Cada vez que conversamos (pelo computador), descubro uma coisa interessante. Recentemente, descobri que além dele ter ficado com o piano que foi de Radamés Gnatalli, após sua morte, ele fez 1 música em parceria com o maestro.
Beijos.

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