A Voz do Dono, a Victrola e a Electrola


Anos atrás, conversando com um amigo sobre aparelhos de som, falamos na eletrola. Curiosa, e interessada por tudo referente à música, perguntei a ele a razão de existir os dois termos: vitrola e eletrola. Prontamente fui atendida e ainda ganhei uma aula sobre aparelhos de som.

"A vitrola, sucedeu ao fonógrafo ou gramofone. De origem Victrola, por ser fabricada pela RCA Victor, dispunha de recursos elétricos, não sendo mais preciso dar-lhe corda para funcionar. Era, portanto, uma marca registrada que passou a denominar toda uma tecnologia de reprodução de som, assim como gilete ficou sendo o nome genérico das lâminas de barbear. Como os concorrentes não poderiam usar o nome Victrola, criaram o termo Electrola.

Mais tarde, com o desenvolvimento da engenharia eletrônica, a eletrola foi desbancada pelos ''sistemas de som'' (toca-discos, ou picapes, acoplados a amplificadores) passando a ser considerada obsoleta e desprezível pelos audiófilos mais requintados, como o que aqui lhe fala.

Os discos de cera foram substituídos pelos de vinil, a qualidade de reprodução do som passou a chamar-se ''resposta'' e a ser medida em faixas amplas de freqüência e watts de potência, e os sistemas de alta fidelidade estereofônica (pré, amplificador, equalizador, picape de tração direta, cápsulas de cerâmica e magnéticas, agulhas cônicas ou elípticas, alto-falantes bass-reflex, tweeters, etc.), passaram a ter desenvolvimento tecnológico de produção em laboratório só comparável ao que hoje acontece na indústria automobilística.

A parafernália sonora chegava a tal ponto que, uma ocasião, extraí de uma das incontáveis revistas especializadas, o sistema dos meus sonhos, as melhores caixas, os melhores amplificadores, gravadores, picapes, etc. Tudo junto somou cerca de US$ 250.000." (...)

***
Senti uma enorme saudade do tempo em que as famílias se reuniam em torno da eletrola para escutar música. Hoje, num mundo cada vez mais individualista, a gente curte o nosso som em pequenos aparelhos mp3, com minúsculos earphones.

Também senti falta dos discos da RCA Victor e sua marca registrada: o simpático cachorrinho.
"Uma pintura de um cão terrier ouvindo um gramofone foi uma das mais bem idealizadas estratégias de marketing do século XX. Trata-se da obra "A voz do dono" (His Master's Voice) de Francis Barraud, cuja história é bastante interessante."

Encontrei alguns links interessantes que compartilho com a comunidade.

1 - Linha do tempo da invenção musical - A evolução do registro sonoro
- Nipper: O melhor amigo da Victor
- Como o homem registrou o som: As máquinas falantes, A Casa Edison, A Odeon, O fonógrafo, O disco, A arte nos selos de discos.
Clique aqui

2 - The Victor - Victrola Page
Clique aqui

3 - Coleção de gramofones
Clique aqui

* Parte do texto, foi publicado originalmente no meu antigo blog, Banana&Etc.

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Comentário de valter ferraz em 14 setembro 2008 às 23:58
Helô,
esse cachorrinho da RCA-Victor, é simpático, né?
Beijo, menina
Comentário de Rafael Reges em 18 setembro 2008 às 0:34
Oi Helô. Bonita a história do cãozinho da RCA-Victor. Obrigado pelo link com a evolução do registro sonoro. Depois de lê-lo me lembrei de um outro assunto importante pra pesquisa: A história da radiodifusão e sua relação com a música.
Soube pelo violonista Fábio Zanon, em um de seus programas de rádio, que a música hoje considerada erudita teve seu espaço de apreciação reduzido com a rápida popularização do rádio, o que fez com que ele se refugiasse nas universidades, para que não permanecesse esquecido.

Bjo
Comentário de Raí Araujo em 18 setembro 2008 às 14:59
Helô,antes de escrever um pouco sobre a evolução do sistema de áudio e sua influencia sobre a nossa formação musical,fico me questionando sobre a sua idade(longe de mim perguntar a você sobre isto)é que percebo o quanto você é sábia no assunto,e sobre seus conhecimentos sobre os mesmos,seria tudo somente estudo a respeito?
Eu confesso:do alto dos meus 56 anos,que acompanhei toda a evolução que este setor passou,desde os tempos da eletrola a manivela;passando para a vitrola que executava os vinís de 78 rotações;evoluindo para os importados Hi-fis da Gruding,Philips,Telefunken,chegando aos nacionais 3 em 1 que eram o luxo do luxo,e que gradativamente foram substituídos pelos systems com potencias de até 3000 wats PMPO,que ficaram no mercado,até o surgimento da miniaturização dos mini-systems,que rodavam cds e conseguiam gravar deste até para as fitas cassetes,que por sua vez,podiam ser auto-reverses.
Hoje toda aquela parafernália foi substituída pela invasão a este segmento pela Internet,que possibilita o acesso a milhões de músicas,e sua captação em aparelhinhos de bolso,e sua execução,sem chiados nem falhas,em qualquer destes novos equipamentos de áudio de última geração,que já podem ser utilizados até com tecnologia wireless,e compartilhados com outros equipamentos de vídeo e de informática,na concepção home theater.
Atuo neste segmento,gerindo uma divisão de compra e venda deste segmento,e por mais que esteja antenado com o que tem de mais moderno no setor,não consigo estar totalmente inserido no mesmo,devido às rápidas e constantes evoluções que esta área apresenta,e fico me perguntando:até onde chegará a tecnologia ora aplicada à área de áudio e vídeo,e seria necessário tanta evolução,se o que o ser humano sempre quíz,foi "apenas" poder ouvir uma bela música e/ou ver uma boa imágem na tv,sem ter que ser um "técnico"em eletronica,para poder utilizar os modernos equipamentos da área?
Um bom dia para você !
Comentário de Roberto Luis em 9 janeiro 2009 às 23:43
Olá, Helô! Desculpe a demora em lhe escrever, tão fascinado estava com o blog aqui... eu já havia linkado este post no meu "Linha do Tempo da Invenção musical": http://tempomusica.blogspot.com/
É muita coincidência que, dentro do post linkado por mim exista um link de volta para mim mesmo, só que no endereço antigo do site.
Sou fascinado por este tema e no momento estou examinando as demais citações feitas por você, que certamente enriquecerão a pesquisa.
Agora, olhando com mais calma suas produções, posso lhe dar os parabéns gerais e lhe convidar para ser minha tutora/amiga por aqui. Abraços, sucessos!
Roberto Luis.

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