Entrevista com Michael Hudson

Agência Carta Maior

Alguns trechos selecionados:

“A explicação mais rápida para o fato dos Democratas não terem tributado a riqueza está no poder dos lobistas, mercenários de interesses particulares, e no poder dos think tanks, contratados por eles para promover uma teoria econômica lixo. A maior parte da riqueza é obtida, hoje, por meio de privilégios fiscais especiais, e o setor financeiro é o maior contribuinte das campanhas políticas, seguido pelo setor dos bens imobiliários. Os Democratas têm suas bases, tradicionalmente, nas grandes cidades. E, como disse Thorstein Veblen, em Absentee Ownership, a política urbana é, substancialmente, um projeto de promoção dos bens imobiliários. (...) o preço que a economia dos EUA tem que pagar, em seu conjunto, por ter sucumbido a um processo de financeirização e privatização completamente disfuncional. A idéia de que uma economia que vai mal pode curar-se por si mesma faz parte da ideologia hostil ao trabalho do FMI e da propaganda da Escola de Chicago”.

“A lição que se pode tirar disso é que a fortaleza econômica consiste na capacidade de criar crédito que alimente o crescimento econômico. Mas o setor bancário privatizado está, neste mesmo momento, destruindo essa fortaleza nos EUA. Em vez de criar crédito para financiar a formação de capital, o que faz o sistema bancário são empréstimos destinados a salvar a nefasta piramidalização financeira. (...) uma causa importante de que a poupança vá parar nesses bancos é que as leis tributárias tornam mais rentável esse endividamento do que o investimento em capital industrial. O sistema tributário formou um mercado em que compensa mais especular do que investir na formação de novos meios de produção. O setor financeiro foi desregulamentado, segundo a lógica de que o que gera mais dinheiro é sempre o mais eficiente. O produto que estão vendendo os bancos é dívida, e ajuda a tomar o controle de empresas, ajuda as fusões e aquisições. O crédito é um produto cuja criação sai praticamente de graça”.

"Em 1985, havia nos EUA apenas 13 bilionários. Agora há mais de 1.000. Em 2005, somaram-se 227.000 novos milionários. Um relatório mostrou que a riqueza de todos os milionários norte-americanos juntos chegava a 30 trilhões de dólares, mais do que a soma do PIB da China, Japão, Brasil e a União Européia. Os ricos criaram agora sua própria economia para satisfazer suas necessidades, em uma época em que os aumentos de salário do trabalhador médio só consegue acompanhar a inflação e em que 36 milhões de seres humanos vivem, nos EUA, abaixo da linha de pobreza."

“O problema é que o sistema econômico como tal está falido. Ou seja, que vamos voltar ao começo desta entrevista: o que vai ser necessário é uma alternativa para a teoria econômica pós-clássica dos Chicago Boys e seus amiguinhos, os lobistas financeiros”.


Afinal, quem ainda acredita na sabedoria convencional estabelecida pelos adeptos do equilíbrio involuntário? Para muitos dos seus mais ortodoxos adeptos, revela-se muito mais seguro possuir uma âncora firme na insensatez do que navegar nas águas revoltas do pensamento crítico.

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Comentário de Fernando Almeida Barbalho em 18 setembro 2008 às 15:24
Caro Rodrigo, na comunidade de Gestão abri um tópico de discussão que trata sobre a financeirização e o impacto sobre a inovação americana. Creio que essa entrevista vai em linha com o que eu coloquei na apresentação do tópico. Você se interessaria em visitar esse tópico de discussão e dar contribuições ao tema?
Comentário de Rodrigo L. Medeiros em 18 setembro 2008 às 16:58
Prezado Fernando

Você pode encontrar (e utilizar) artigos nossos no http://desempregozero.org/. Faço parte da comunidade http://desenvolvimentobr.ning.com/, também criada pelo Luís Nassif.

Cordialmente,

Rodrigo
Comentário de Fernando Almeida Barbalho em 18 setembro 2008 às 17:33
Caro Rodrigo, participamos junto no ano passado do SIMGEN, no Rio de Janeiro. Chegamos a trocar algumas figurinhas sobre os autores relacionados à teoria evolucionária da economia. Percebi pelas conversas que temos afinidades eletivas.
No semestre passado desenvolvi um trabalho para uma disciplina de mestrado. Devido a outras prioridades acabei deixando na gaveta, mas creio que o momento atual seja oportuno ressucitá-lo. Nesse sentido gostaria de saber se você se interessaria em evoluir comigo o artigo com vistas inclusive a uma eventual publicação ou apresentação em seminário. Abaixo segue uma parte da introdução:

Em tempos de refluxo da teoria neo-liberal e de suas implicações para a micro-economia e para o management estabelecido pelas escolas de gestão norte-americanas, é importante trazer à discussão idéias de acadêmicos que mesmo dentro do ambiente de proliferação da ortodoxia trazem linhas de pensamento que se contrapõem a hegemonia dos MBA´s. Nesse sentido, este ensaio fará um levantamento das idéias de Omar Aktouf, um dos autores que ao longo dos anos tem trazido ao debate uma leitura crítica das práticas de management. O professor titular de administração da École de Hautes Études Commerciales, de Montreal no Canadá, é defensor de uma abordagem para a gestão das organizações chamada por ele de humanista. Dentre as muitas críticas que Aktouf traz ao pensamento hegemônico da economia e administração do final de século XX e desse início de século XXI, destaca-se os impactos negativos à inovação trazidos pela redução do espaço de negociação entre estado, mercado e meio ambiente imposta pelo modelo de gestão norte-americano. Tendo em vista essa preocupação este ensaio contrastará o que pode ser lido na obra de Aktouf com as contribuições de outros autores que debatem o tema inovação.
Comentário de Rodrigo L. Medeiros em 18 setembro 2008 às 19:52
Fernando

Tudo bem. Você tem algum evento ou revista em mente?


Um abraço,

Rodrigo
Comentário de Fernando Almeida Barbalho em 18 setembro 2008 às 21:26
Rodrigo,

Imaginei uma revista como a RAC ou a RAP. Em relação a eventos, creio que teremos que ver a programação. Neste ano eu acho que não há mais nenhum. Vamos ver. Imagino que o desenvolvimento do artigo nos dará melhores pistas sobre o destino do texto.
Eu enviei o artigo para o teu endereço eletrônico do gmail disponível no CD do SIMGEN
Abraços,

Fernando
Comentário de Rodrigo L. Medeiros em 19 setembro 2008 às 11:41
Ok. Preciso de um tempo para analisar o artigo, pois estou organizando material para um livro.

Um abraço,

Rodrigo
Comentário de Fernando Almeida Barbalho em 19 setembro 2008 às 15:00
OK, sem pressa.

Abraço,
Fernando

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