O leilão de energia elétrica: remando contra a maré?

Em plena crise financeira, foi realizado nesta terça-feira, 30 de setembro, o leilão de energia A-5. Essa energia, chamada de energia nova, corresponde aos novos empreendimentos que deverão começar a gerar daqui a cinco anos, ou seja, em 2013.

No leilão foram negociados 3.125 MWmédios, que correspondem a uma capacidade instalada de 5.500 MW e a um investimento de R$ 11 bilhões. Em termos de capacidade instalada, os valores estão na mesma ordem de grandeza daqueles 6.450 MW das duas usinas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau.

Essa foi a maior demanda contratada nos leilões de energia nova e será atendida por uma hidroelétrica, uma usina a bagaço de cana, uma a carvão, quatro a gás natural liquefeito e 17 térmicas a óleo combustível; com 100 % de capital privado.

Considerando o contexto em que foi realizado o leilão, o seu resultado indica que as avaliações sobre os impactos da atual crise sobre os investimentos no setor de energia devem ser encaradas com cuidado. Isto não significa que eles devem ser ignorados, mas que não se pode simplesmente extrapolar os efeitos da crise de forma linear e direta sobre todos os setores da economia. Dessa forma, antes de se anunciar a inexorabilidade do caos, é necessária uma análise mais qualificada sobre a extensão e a profundidade dos impactos da atual crise financeira sobre os investimentos associados à expansão da infra-estrutura energética brasileira.

Não se deve esquecer que o grande esforço realizado pelo Brasil nos últimos anos foi no sentido de reduzir, de forma significativa, os riscos dos investimentos realizados no seu setor elétrico; de forma a garantir o suprimento de energia elétrica no médio e longo prazo. Esse conjunto de garantias pode desempenhar um papel importante em um momento de elevadas incertezas.

O resultado do leilão de hoje pode representar um sinal positivo, contudo é cedo para dizer. Nesse sentido, se não cabem comemorações efusivas, também não cabem análises catastrofistas. Em outras palavras, não ganhamos o jogo, não o perdemos, apenas seguimos jogando. E, meus amigos, nesses tempos, seguir jogando não é pouca coisa.

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Comentário de RatusNatus em 30 setembro 2008 às 21:24
Ronaldo, você esqueceu de citar a ampliação de uma usina do Eike, a CARVÃO.
Eu acho isso um assunto relevante. Enquanto o mundo troca o carvão por outras fontes, o Brasil constrói suas primeiras usinas a carvão. Só pode ser piada.
A questão em torno do carvão vem fa falta de critérios mínimos do governo. Bastava proibir o carvão e pronto. O mínimo. Mas não. O único critério pra Dilma é o preço e nisso o carvão é imbatível. A nossa sorte é que não tem muito carvão disponível por aqui, ainda, porque as siderurgicas consomem tudo.

Meu Pai ganhou 600Mw, a gás, de um total de 1.2Gw tendo eólicas, hidráulica e gás, apenas no D-5. Ta feliz da vida.

Acho que se existia alguma dúvida sobre a continuidade do modelo de concessões brasileiro, ela acabou hoje. Continua firme e forte.

Eu nunca tive dúvidas(hehehe). O governo garante a receita. Tem negócio mais sólido no mundo? Molezinha...
Comentário de Ronaldo Bicalho em 30 setembro 2008 às 22:41
Obrigado pelo toque sobre a usina a carvão, RatusNatus, já corrigi o texto.

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