Carlos Henrique Machado - "Prata da Casa"

Quem assistiu ontem, 03/10/08, o Programa Instrumental SESC Brasil gravado ao vivo em setembro deste ano, maravilhou-se com a performance do bandolinista Carlos Henrique Machado, nosso colega aqui da Comunidade.

Acompanhado dos músicos Gustavo França (violão 7 cordas), Enéas Rezende (violão 6 cordas), Wanderson Costa (cavaquinho) e Guilherme Garcia (pandeiro), nos proporcionou uma verdadeira aula sobre "Choro", interpretando de sua autoria as músicas: "Uma rua chamada Jacob", "Brancaranã", "Sapateiro Padilha", "Todo tempo não é um", "Estalando os dedos", "Ogá", "O canto do galo", "Terreirada", "Força bruta", "Maestro", "Do barro à madeira" e "Xinha".

Segundo Carlos Henrique nada no mundo musical é mais elástico e complexo que o Choro, ou seja, a música brasileira carrega na alma o Choro, independente do rítimo.




"Nascido em Volta Redonda, há trinta anos envolvido com a música instrumental, basicamente no universo amplo do choro brasileiro, Carlos Henrique Machado vem sendo considerado no meio musical e critica, como um dos principais compositores contemporâneos da música instrumental brasileira.

Em sua trajetória, o músico liderou vários grupos de choro que surgem no mesmo período em que outros jovens se misturaram com veteranos como Lenir Siqueira, Rafael Rabello e Rossini Ferreira que se encontraram no primeiro Concurso de Conjuntos de Choro em 1976, na época, com dezenove anos. Mais tarde lidera uma nova formação que ganhou, por duas vezes consecutivas, o prêmio Juarez Barroso na Escola Nacional de Música (UFRJ) na década de 80.

Em 2000 fez uma profunda pesquisa sobre a obra do compositor Garoto (Aníbal Augusto Sardinha). Em 2001 participou como compositor ao lado de Cristóvão Bastos, Guinga, Leandro Braga e outros grandes nomes, do seleto grupo do Festival Chorando no Rio, com a música "Meu Pandeiro no Choro" de sua autoria, resultando em um CD e um Song Book com todas as composições selecionadas pelo MIS-RJ.

Com dois trabalhos autorais, o primeiro, lançado em 2002, "Comigo Não, Violão!", onde apresenta quatorze composições inéditas de sua autoria e recebe as mais altas cotações da crítica especializada.

No seu segundo trabalho, o premiado álbum duplo, 'Vale dos Tambores' Carlos Henrique Machado mergulha em seu próprio universo e faz uma profunda pesquisa sobre a história musical da sua região, por perceber que se trata de uma das regiões mais musicais do Brasil, a Bacia do Rio Paraíba que abrange os interiores de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro.

Vencedor do Prêmio Rival Petrobrás de Música em 2005. Foi também selecionado como um dos dez melhores CDs importados pelo Japão 'Top-10', merecendo uma extensa matéria no jornal MPB de Tóquio.

Em sua pesquisa, o músico explica porque em torno dessas águas se desenvolveram artes de grandes ícones da música brasileira, como Clementina de Jesus, Rosinha de Valença, Tânia Maria, Vovó Maria (mulher de Donga), Geraldo Pereira, Mano Elói (fundador do Império Serrano), Natal da Portela, Benedito Lacerda, Patápio Silva, Altamiro Carrilho, Egberto Gismonti, Baden Powel, Dilermando Reis, Bonfiglio de Oliveira, Martinho da Vila, Ari Barroso, Herivelto Martins, dentre tantos outros fantásticos músicos profissionais e amadores, herdeiros do magnetismo sonoro da Bacia que banha o triângulo matuto do Brasil.
Observando o universo do choro, música central brasileira, assim como o jazz americano, o choro propriamente dito, inicia o seu desenho, já com definição brasileira autônoma, a partir do início e meados do século XIX com as bandas de escravos das fazendas de café, que tinham em princípio, formações européias e que, aos poucos, foram se tornando uma múltipla linguagem de um país que se encontrou nos dois principais ciclos econômicos no Vale do Paraíba, o ciclo do café e o ciclo industrial.

De extensa pluralidade em suas expressões artísticas, o Vale preserva vivos na memória, os elementos que se fundem na linguagem do choro brasileiro, lundus, curimbas, candombes, maxixes, calangos, toadas, jongos, congadas, moçambiques, cirandas portuguesas e suas fragmentações rítmicas e melódicas. É dentro desse universo mátrio que Carlos Henrique mergulha para fazer o seu álbum 'Vale dos Tambores' que recebe importantes elogios como:
Num dos seus últimos artigos, o grande pesquisador crítico de música e escritor, Roberto M. Moura, (ABI e Tribuna da Imprensa) - Classifica o trabalho vale dos Tambores como 'obra magnífica' e conclui, 'que coisa comovente! Tanto pesquisa, quanto música. Se tivesse brotado de alguma cabeça coroada da metrópole, estaria mui justamente ungido como obra de arte, como de fato é'".

Fonte: O texto acima foi extraido do endereço eletrônico: http://www.myspace.com/carloshenriquemachado
Lá vocês encontrarão, também, outras informações sobre o excelente trabalho desse artista.

Selecionamos dois vídeos onde Carlos Henrique interpreta músicas do seu CD "Vale dos Tambores".



Música "Arrepia Tatunda"



Música "Batuque e Umbigada"

Exibições: 156

Comentário de Helô em 5 outubro 2008 às 23:26
Laura
Que delícia de som! Eu preciso ver mais TV pra não perder os ótimos programas do SESC. E o moço é daqui? Que legal! Vou procurá-lo.
Beijos.
Comentário de Jane Chiesse Zandonade em 7 outubro 2008 às 14:04
Excelente músico! Ah, ele é de Volta Redonda? Cidade vizinha à minha? Olha que coisa...
Comentário de Carlos Henrique Machado em 8 outubro 2008 às 15:53
Oi Laura
Obrigado pelo carinho. Ainda vamos falar muito de choro aqui. Quero escrever uma coluna dedicada a ele aqui especialmente para essa beeza de comunidade.
Um abraço a você, Helô e Jane que, se é daqui, sabe da riqueza cultural de toda esta região.

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