Ainda na década de setenta os acidentes com seres humanos envolvendo aranhas eram de certa maneira freqüentes, chegando a cerca de 2.000 casos por ano, atendidos só no Instituto Vital Brasil. Hoje em dia esse número reduziu bastante.

Dentre as aranhas perigosas, conhecidas também como aranhas de interesse médico, existem quatro gêneros principais, a saber: Phoneutria (aranha armadeira), Lycosa (tarântula de jardim), Loxosceles (aranha-marrom) e Latrodectus (viúva-negra).

A aranha armadeira gênero Phoneutria é a mais agressiva, quando ameaçada ergue o primeiro par de pernas e os pedipalpos e abre as quelíceras. É este comportamento, somado ao poder de seu veneno, o maior responsável pelos grandes números de acidentes com seres humanos. As armadeiras tem mais ou menos 6 cm de envergadura (pernas mais o corpo); três pares de olhos; e o corpo recoberto por pêlos curtos de cor castanha-escura. Estas aranhas habitam quase todo o continente sul-americano, ao longo dos rios, bosques, nos vãos de troncos das árvores, podendo penetrar em jardins e quintais de casas, quando da época de acasalamento. A sua picada pode causar uma dor muito violenta, seguindo-se uma queda da pressão arterial, prostração, tonturas, vômitos e sudorese. O veneno da armadeira age sobre o sistema nervoso central. O soro deve ser administrado nas primeiras horas após a picada.




As tarântulas são as menos perigosas para o homem, quanto a ação de seu veneno. Tais aranhas ocorrem também por quase toda a América do Sul, sendo que a espécie Lycosa erythrognatha é a mais freqüente na região sudeste brasileira. Existe também uma outra espécie a Scaptocosa raptoria, que é a responsável por grande parte dos acidentes nos arredores de São Paulo. Tal espécie tem cerca de 30 milímetros, colorido castanho acinzentado, com uma faixa clara no cefalotórax. As tarântulas habitam os gramados e os jardins de residências. Seu tamanho pode chegar a 4cm de envergadura. Não são agressivas como as armadeiras. Sua picada causa uma dor tolerável, levando a uma tumefação da região picada, podendo evoluir para um ferimento maior, o qual pode ser tratado com pomadas específicas.




As aranhas marrons do gênero Loxosceles, são aranhas de seis olhos e de tamanho muito pequeno, ocorrendo na Europa, África e Américas. No Brasil ocorrem diversas espécies como L rufipes e L. hirsuta. Os adultos destas espécies podem chegar a mais ou menos 2 cm de envergadura. Habitam locais escuros, como cascas de troncos desprendidas, folhagens, vãos de pedras; habitam também o forro das casas, telhas e outros locais mais escondidos. Hoje em dia ainda pode-se encontrar ninhos de aranhas marrons em residências próximas a região central de São Paulo.Os ferrões dessas aranhas são muito pequenos, o que torna difícil a sua penetração eficiente, quando da ação da picada. As aranhas marrons não são nada agressivas, só picam em defesa própria. No caso dos humanos, só se forem comprimidas involuntariamente, ao se vestir uma roupa ou calçar os sapatos, por exemplo. Seu veneno porém, se administrado com eficiência em seres humanos, pode causar grandes transtornos, podendo levar até a morte. A ação do veneno é hemolítica (destrói os glóbulos vermelhos). A sua picada pode causar um edema, bolhas, necroses locais, febre e anemia. Os sintomas mais comuns são um loxoscelismo cutâneo (semelhante a picada da tarântula) ou um loxoscelismo renal (efeito semelhante a picada da cascavel).




As viúvas-negras (gênero Latrodectus) são as aranhas perigosas mais afamadas, estando difundidas por todo o globo. No Brasil ocorrem duas espécies, L geometricus e L. curacaviensis. A fêmea da viúva-negra tem mais ou menos 2cm de envergadura, e é ela a responsável pelos acidentes. O macho é bem menor (3 milímetros de comprimento) e não é perigoso. As viúvas negras possuem oito olhos dispostos em duas fileiras de quatro; seu corpo é totalmente negro a não ser pela presença de uma mancha vermelha em forma de ampulheta no ventre ou então algumas manchas no dorso do abdômen. Tais aranhas são sedentárias, constróem teias irregulares em buracos, no chão e sob raízes. A picada da viúva-negra causa dor aguda e lancinante, levando a uma angústia, irritabilidade, tremores, manifestações neuromusculares, espasmos, delírio, sudorese e etc. Tais sintomas podem evoluir e levar a morte, como foi constatado em 38 de 615 casos, segundo um relatório de 1936.




As caranguejeiras, apesar de não terem um veneno tóxico para o homem, e de não serem agressivas, podem apresentar certo perigo. Se forem manipuladas ou irritadas, as caranguejeiras podem esfregar o último par de pernas no dorso do abdômen e liberar os pêlos urticantes, que chegam a causar grande irritação nas mucosas da boca e das narinas.




Para prevenir os acidentes com as aranhas perigosas, bastam algumas medidas simples como a limpeza de terrenos, jardins, quintais, bem como, do interior das residências (vãos, cantos, forros, porões e etc.). A inspeção das vestimentas (roupas e calçados) também se faz necessária, principalmente para quem mora em regiões rurais.

Após ser picada a pessoa deve tentar matar a aranha e se dirigir, com esta, ao posto de saúde mais próximo, ou então ao Hospital Vital Brasil (dentro do Instituto Butantan), para quem mora nas imediações. Feita a identificação da aranha, medidas necessárias serão tomadas, como a administração de soros específicos.

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Comentário de Carlos em 8 outubro 2008 às 14:06
Alexandre,

Antes de mais nada, muito obrigado pelo comentário.
Concordo plenamente. Falta muita informação nesse sentido, principalmente para aqueles que não tem formação na nossa área. Essa recomendação de matar a aranha está um pouco equivocada. O problema é que para o leigo, a captura, muitas vezes é problemática. Mas a recomendação mais apropriada é, mesmo, a captura desses animais. Vou dar uma revisada no texto.

Mais uma vez muito obrigado. É sempre bom contar com a colaboração dos colegas biólogos.
Comentário de Carlos em 8 outubro 2008 às 20:25
Valeu, Carlos!!

Todo mundo acha que aranha é inseto. Não esquenta, não!

Abs do seu xará!

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