O dia das crianças vai se aproximando, e a menina em mim sempre vem querer brincar de roda no meu peito. Nessas horas me dá uma saudade do meu pai......

Um dia, um mês, um ano, dois anos.... Quando será que a gente pára de contar o tempo? Talvez quando descobrimos que algumas saudades são eternas...
Foi meu pai que me ensinou a pescar. Meu pai era um pescador. Pescador de sonhos, pescador de ilusões, pescador de alegrias. Ele pescava como ninguém. Pescava honestidade, bondade, talentos. Era um pescador generoso. Dava quanta linha fosse preciso pra que a luta fosse justa. Meu pai pescava justiça. Era pescador de iscas poderosas e mãos firmes. Foi meu pai que me ensinou a pescar. Desde que me conheço por gente, ali estava ele com seus olhos verdes imensos, pronto pras lições que eu teria que aprender. Pronto pra segurar comigo a vara quando algum peixe maior quisesse me derrubar. Meu pai. Pescador de si mesmo. Ele era galã. Ele era galante. Ele era cri-cri, teimoso, vaidoso, orgulhoso. Um pescador-pavão. Ele era admirado por todos. Ajudava a uma infinidade de pessoas que cruzavam o mesmo rio, no mesmo barco com ele. Preocupado em ser sempre correto..... e bonito. Meu pai era um pescador. Pescava melodias com sua gaita esquecida e rara, pescava sorte, pescava jardins bem cuidados, como disse minha mãe. Pescava pérolas, pescava tesouros. Pescava e cozinhava os peixes em temperos perfeitos, que a criançada comia com as mãos... A criança em mim ainda sente o sabor das comidas dele... Meu pai pescava sobrevivência. Pescava risadas, pescava palavras, pescava conhecimentos. Era um homem inteligente e sábio o meu pai-pescador. Foi meu pai que me ensinou a pescar... Pescar nos rios da vida... Hoje, ele não está mais aqui. Foi pescar em outros rios, em águas mais puras e profundas. Foi fisgar outros peixes. Há dois anos ele se foi... Meu pai, no fundo era também o próprio peixe, lutando pela vida com ferocidade. Lutou até o fim, bravamente. Meu pai. Pescador de si mesmo!
Pra saudade que não passa, eu deixo o meu canto! Pai, cante comigo, de onde estiver!
Dança da Solidão - Paulinho da ViolaPerformed by Van Luchiari
Violão: Zé da Conceição / Percussão: Rodrigo Scowa /
Baixo e Teclados: Daniel Si! / Samplers: João Parahyba


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Comentário de Helô em 10 outubro 2008 às 18:59
Poxa, Van, que homenagem mais linda! Que aperto no coração. Onde ele estiver, estará vibrando com a sensibilidade da filha. Beijos.
Comentário de Van Luchiari em 11 outubro 2008 às 17:11
Obrigada, queridos. Aqueles a quem um dia amamos verdadeiramente, tornam-se eternos em nós! Beijucas e o meu carinho a vocês.

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