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Meu primeiro post, na Comunidade (05/07/08), foi um texto sobre o Choro, uma das minhas grandes paixões - "O Choro: Ontem, Hoje e Sempre" -, onde resgato sua trajetória, destacando os pioneiros, a revitalização (década de 70), a consolidação (década de 80) e o Choro no Paiuí. É uma viagem, obviamente, abreviada por uma história que já perdura quase 150 anos.

Hoje retomo a temática destacando os Instrumentos do Choro, relatando sucintamente cada um, disponibilizando depoimentos e performance dos bambas nesses instrumentos.


(Chorinho,obra de Cândido Portinari, 1942).



O Bandolim pertence à família dos alaúdes, veio substituir a bandola na música popular brasileira. Na Era do Rádio, Luperce Miranda e Jacob do Bandolim foram solistas do instrumento. A foto ao lado é dos bandolins de Jacob.




O Bandolim de Joel Nascimento

"Por problemas auditivos adandonei os estudos musicais até 32 anos, data em que ganhei de presente um bandolim. Apesar de começar um pouco tarde, consegui com o instrumento tudo que um músico possa desejar. Minha escola foi Jacob, sem no entanto deixar de considerar o virtuosismo de Luperce Miranda. Ouvi muito Waldir Azevedo também. Hoje o instrumento tem uma visão muito diversificada e rica".

Joel Nascimento com o Grupo Água de Moringa, interpretando "Sorriso de Cristina", de sua autoria.




O Cavaquinho chegou ao Brasil pelas mãos dos portugueses e se tornou símbolo da musicalidade brasileira. Nas primeiras décadas do século XX era utilizado como centro - instrumento de acompanhamento - entre os instrumentos de percussão e de harmonia. Os cavaquinistas Galdino Barreto, Mário Alvares, Nelson Alves e Waldir Azevedo consolidaram o instrumento como solista.




O Cavaquinho de Luciana Rabello

"Toco Cavaquinho desde os treze anos. Não é muito romântico o relato dessa escolha. Na verdade, eu tocava violão no meu primeiro conjunto - Os Carioquinhas - mas faltava alguém para tocar cavaquinho. A pedido do meu irmão Rafhael Rabello, fui estudar o instrumento. A paixão aconteceu. Acho o cavaquinho um instrumento muito feminino e por isso estranho o fato de ter sido a primeira mulher a tocá-lo profissionalmente".

Luciana Rabello com Toquinho, na Suiça (1983), interpretando "Brasileirinho", de Waldir Azevedo.




O Violão de 6 Cordas é um instrumento basicamente urbano. No Brasil acompanhava o canto, sendo utilizado em larga escala nos grupos de Choro. Nomes como o de João Pernambuco, Garoto, Canhoto da Paraíba, Meira e muitos outros são referências do instrumento.





O Violão de Rogério Souza

"Carlinhos 7 Cordas, que tocou com Waldir Azevedo e hoje reside em Brasíília, foi o primeiro a me ensinar a 'boa música' no violão. Mas fundamental na minha linguagem foi o Baden. O choro foi construído em cima do seis cordas: ele fazia a harmonia e a segunda voz dos baixos. Só depois veio o sete cordas"






Instrumento de sopro inventado pelo belga Adolphe Sax, introduzido em 1870 no Brasil por Viriato Figueira, sendo mais difundido nas primeiras décadas do século XX, com a jazz bands. Pixinguinha notabilizou o saxofone no meio chorístico, fazendo contrapontos à flauta de Benedito Lacerda.











O Sax-soprano, também, foi criado por Adolphe Sax, em 1840, pertence à família dos instrumentos de palhetas. No Brasil existe desde a década de 1880, tendo, no século XX, sua linguagem chorística desenvolvida por músicos como Anacleto de Medeiros, Severino Rangel (Ratinho) - autor do clássico "Saxofone por que choras" -, Nicolino Cópia, Abel Ferreira e muitos outros.






O Sax / Sax-soprano de Mário Séve

"Na verdade meu primeiro instrumento foi a flauta, instrumento de acesso ao saxofone. A flauta foi também meu instrumento de acesso ao choro. Na minha geração o saxofone está muito associado à linguagem jazzística. Ouvindo Luís Americano, Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, Copinha e Paulo Moura, passei a observar que existia uma grande riqueza na linguagem do choro para o instrumento".



Confiram as performances de Rogério Souza (violão) e Mário Séve (sax-soprano), interpretando "Biruta" de Jacob do Bandolim, com outos integrantes do grupo "Nó em Pingo D'Água: Celsinho Silva (bateria), Papito (baixo) e Rodrigo Lessa (bandolim).






Clarineta (ou Clarinete) - Instrumento de sopro de madeira, originário do "Chalumeau" francês, mais usado atualmente com a afinação em si bemol. No Brasil é muito utilizado como instrumento solista nas rodas e gravações de choro. Luís Americano, Abel Ferreira, K-Ximbinho e outros são grandes clarinetistas.







A Clarineta de Paulo Sérgio Santos

"A Clarineta para mim é um dos mais interessantes instrumentos de sopro porque, além de ser ágil, tem uma grande capacidade de expressão nos andamentos lentos e moderados. No 'choro' ela se adapta perfeitamente, com seu brilho e sua extenção bastante grande. Como não existe conflito entre a linguagem do 'choro' e a música de câmera universal, sua versatilidade e sua grande variedade de dinâmicas e timbres contribui para que ele sirva também como grande ferramenta na projeção das idéias fraseológicas tão sutis e inerentes à linguagem camerística".


Confiram a arte de Paulo Sérgio Santos interpretando, entre outras, "Cochichando", de Pixinguinha.




De origem árabe e oriental, o Pandeiro era utilizado apenas com batidas de mãos para marcar o tempo ou como complemento de dança. Na Europa chegou até a ser utilizado em óperas, como a "Preciosa", de Waber. No Brasil tornou-se popular pelas mãos de João da Baiana nas orquestrações dirigidas por Pixinguinha na Era do Rádio.



O Pandeiro de Jorginho do Pandeiro

"Desde pequeno ouvia choro na minha casa. Comecei a tocar pandeiro aos seis anos. Em 1944, estreei na Rádio Tamoio, e, aos 14 anos, no Grupo do Ademar Nunes, que tocava com Rogério Guimarães. Toquei com grandes bambas do rádio: Benedito Lacerda, Canhoto, Pixinguinha. O pandeiro é muito importante no regional, pois é ele que dá o ritmo, os efeitos, determinando o que é marcha, choro, maxixe. Ele é tudo na minha vida".


Nesse vídeo a nata do Pandeiro Brasileiro: Jorginho do Pandeiro, Celsinho Silva e Marcos Suzano.





A Flauta é um dos instrumentos mais antigos; existe desde a Antiguidade. Na Idade Moderna a flauta transversa ganha notoridade com as composições de Antônio Vivaldi. No Brasil do século XIX era feita de madeira de ébano, de cor negra, muito popular entre os instrumentistas do Rio de Janeiro. As modernas flautas de prata foram introduzidas no país pelo flautista belga A.M. Rerchert, amigo de Joaquim Callado, na década de 1860. Callado, Patápio Silva, Benedito Lacerda, e sobretudo, Pixinguinha puxam o time dos grandes flautistas.





A Flauta de Altamiro Carrilho

"Aos cinco anos de idade vi o filho do vizinho soprando uma flautinha de brinquedo e pedi a Papai Noel uma igual. Aos 11 anos comecei a estudar com um flautista amador. Depois tomei a sério os estudos porque até então tocava meio de ouvido. Tive ótimos professores aqui no Brasil, no México, EUA e na URSS. Conheci Pixinguinha, Benedito Lacerda e Dante Santoro. Meu grande aprendizado de choro foi quando era 'músico vira-lata'. Saia fuçando roda de choro todo dia depois do trabalho. Eu gosto muito de improvisar"!



Lenda viva do Choro, o grande Altamiro Carrilho e o grupo Choronas, interpretando de Waldir Azevedo, "Pedacinhos do Céu".





Introduzido em Paris pelo francês Jean Hilaire Asté no ano 1817, o Oficleide tornou-se popular nas bandas musicais. No Brasil foi o primeiro instrumento a praticar as 'baixarias", isto é, as linhas de baixo, tendo sido substituído posteriormente pelo bombardino, tuba, contra-baixo e por fim pelo violão de 7 cordas. Era tocado com um bocal similar ao de um trombone. Irineu Batina e Crispim foram renomados instrumentistas.




De provável origem russa o Violão 7 Cordas nada mais é do que o violão de 6 cordas acrescido de uma sétima corda mais grave. É a sétima corda que aumenta a extensão do instrumento para o fraseado das baixarias. Nas primeiras décadas do século XX, China e Tute foram divulgadores do instrumento. Porém foi Horondino José da silva - o Dino 7 Cordas - o responsável por popularizar e criar uma linguagem própria para o instrumento. Na década de 1980 Rafhael Rabello elevou o violão de 7 cordas à condição de instrumneto solista.

O violão de Dino 7 Cordas

"Comecei a tocar violão de 6 cordas aos seis anos. Tempos depois fiquei encantado ouvindo as gravações de Tute no violão de 7 cordas e mandei o Silvestre fazer um prá mim. Estreei em 1952. Ele representa tudo na minha vida e hoje não há grupo de choro que não tenha um".

Grande Roda de Choro com Dino 7 Cordas e outros integrantes do Época de Ouro, Paulinho da Viola, Cristovão Bastos, Luciana Rabello..., interpretando "Cochichando", de Pixinguinha. (Cenas do filme "Paulinho da Viola - meu tempo é hoje").




O Trombone existe desde o século XV. O instrumento se firmou menos nas orquestras e mais nas bandas de música. Importante por sua expressividade pouco mudou no decorrer do tempo. No Brasil é utilizado também pelos chorões, sendo notabilizado pelos solos de Raul de Barros e Zé da Velha.





O Trombone de vara de Zé da Velha

"Com 15 anos meu sonho era ter um trombone de vara. Estudei mais de seis meses e toquei pela primeira vez no carnaval de 1957. Com o dinheiro arrecadado comprei um trombone de vara. Aos 17 anos, numa apresentação no Bola Preta, conheci a Velha Guarda do choro. Tocar com a Velha Guarda, João da Baiana, Donga, Patrício Teixeira e o maior de todos, Pixinguinha, foi minha verdadeira escola".


Super Roda de Choro com Trio Madeira Brasil , Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim e convidados: Zé da Velha, Silvério Pontes, Henrique Cazes, Jorginho do Paneiro, Marcos Suzano e Beto Cazes. Esse vídeo faz parte do DVD Brasileirinho e essa turma da pesada interpreta a música "Bole Bole", de Jacob do Bandolim.


Fontes de Pesquisa: Almanaque do Choro, de André Diniz e sites na internet.

Um mega abraço a todos que curtiram comigo esse passeio pelo universo do Choro.

Laura Macedo

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Comentário de Helô em 19 outubro 2008 às 1:17
Que trabalho bonito e bem feito, minha amiga.
Um primor esse post!
Mas Laura, o que você acha do som daquela clarineta de acrílico que o Paulo Moura toca? Eu vi no documentário "Brasileirinho", achei estranho, mas entendo pouco de choro e não sei avaliar se o som é melhor ou não do que o de clarineta de madeira.
Beijos.
Comentário de Gregório Macedo em 28 outubro 2008 às 19:40
Uma beleza de trabalho. Me deu até vontade de dançar um chorinho!
Beijos.

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