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Quando olhamos a nossa base de recursos naturais energéticos, constatamos que ela é ampla e diversificada. Do urânio ao petróleo, da biomassa ao potencial eólico, nossa dotação natural sempre representou muito mais uma oportunidade do que uma restrição ao nosso desenvolvimento.

Aproveitar esse presente da natureza sempre representou um grande desafio para nós. Não só em termos dos volumes envolvidos, mas também em termos da variedade apresentada.

Em um país premido pela carência de recursos técnicos, gerenciais, financeiros e político-institucionais, explorar uma dotação natural diversificada como a nossa não é uma tarefa fácil e envolve uma compreensível hierarquização de fontes. Afinal, se os recursos citados são escassos, é natural que escolhas sejam feitas e esforços sejam concentrados.

Nesse sentido, é razoável que ao longo do tempo, a ampliação da nossa matriz foi sendo realizada paulatinamente. Assim, o país que tinha uma matriz energética baseada na lenha, nos anos setenta, foi se modernizando mediante a introdução dos derivados do petróleo e da hidroeletricidade em seu sistema energético. Esse movimento foi fruto de um longo e penoso processo de estruturação das condições necessárias a sua sustentação, que vinha se desenrolando desde os anos 1930s, e que deram um salto gigantesco, justamente, nas décadas de setenta, oitenta e noventa.

Na mesma década de setenta, começamos dois movimentos estratégicos que teriam conseqüências mais tarde. Um foi em direção ao álcool e o outro em direção ao nuclear. Os dois movimentos só iriam alcançar sua maturidade trinta anos depois; justamente quando no petróleo e na hidroeletricidade atingíamos patamares inimagináveis no início da caminhada com o pré-sal e as hidroelétricas na Amazônia.

A década de noventa assistiria a entrada em cena de mais um personagem: o gás natural. Última fonte a entrar no jogo, ainda paga hoje o preço da sua juventude e luta para arrumar o seu lugar no cenário ocupado por aquelas fontes que têm mais tempo de casa.

Solar e eólica são fontes que entraram na roda nesta década. Assim, ainda estão no berçário, com a possibilidade de a última ir para casa no final de semana e a primeira ficar na incubadora.

Assim, vamos construindo a diversificação da nossa matriz energética passo a passo, adequando-a aos poucos à variedade da nossa dotação de recursos naturais. Cada movimento de exploração de um dado recurso envolve um processo lento e árduo de mobilização de recursos técnicos, gerenciais, financeiros e político-institucionais, que, visto em perspectiva, aponta para uma trajetória brasileira bem-sucedida no campo energético.

Contudo, devemos ter muito claro que, quanto mais avançarmos na diversificação da nossa matriz, maior será a demanda pela coordenação do conjunto de ações, decisões, mecanismos e organizações envolvendo todas essas fontes. Portanto se quisermos transformar a nossa dotação natural rica e diversificada em instrumento de desenvolvimento econômico e bem-estar, teremos que abordar os nossos problemas energéticos cada vez mais pela lógica abrangente e integradora da política energética, ao invés da lógica restrita e fragmentadora das políticas setoriais específicas a cada atividade energética

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Comentário de Ronaldo Bicalho em 18 agosto 2008 às 19:12
Prezado Fernando,

A idéia central do texto é que a utilização dos recursos naturais envolve a mobilização de recursos técnicos, gerenciais, econômicos, financeiros e político-institucionais.

Essa mobilização ela não se dá de um dia para o outro, mas demanda tempo. No caso das fontes tradicionais, esse processo se iniciou há várias décadas e os frutos que hoje estamos colhendo resultam desse longo processo.

Quando olhamos sob esse prisma, a eólica e a solar estão ainda no início do processo, e na medida em que ele avance a sua participação na matriz aumentará.

Como a dimensão institucional desempenha um papel crucial nesse processo, e a construção das instituições, por sua vez, exige tempo, a entrada de novas fontes termina, em conseqüência, também levando tempo.

Daí, a metáfora usada no texto, lembrando que a construção institucional no caso da eólica está mais avançado do que da solar; porém, relativamente às outras, elas ainda estão no início da caminhada.

Aqui, não há um juízo de valor sobre a viabilidade dessas fontes, apenas a constatação do timing institucional necessário para que elas deslanchem.

Nesse sentido, estar no início da caminhada pode ser, por um lado, uma grande oportunidade, representada pelo grande potencial a ser todo ele explorado, e, por outro, um grande desafio a ser enfrentado, através da construção de novas instituições que comportem essas novas fontes.

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