40º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão


No período de 4 a 26 de julho de 2009, realizou-se o maior festival de música erudita da América Latina: Festival de Inverno de Campos do Jordão, trazendo como tema "Ano da França no Brasil" e homenageando o compositor Heitor Villa-Lobos, falecido há 50 anos.
Todos os concertos foram marcados por uma das obras do nosso querido compositor.



Um dos destaques da programação foi a presença de músicos solistas e professores do Conservatório de Paris, fato inédito no festival. Além dos convidados franceses, o evento reuniu estrelas de primeira grandeza da música mundial, como os pianistas Nelson Freire e Cristina Ortiz, e os violoncelistas Antonio Menezes e Dimos Goudaroulis.

O caráter pedagógico, um dos pilares do festival, prevaleceu novamente. Foram distribuídas 146 bolsas de estudos para músicos nacionais e estrangeiros.




A relação do maestro Roberto Minczuk (foto acima) com o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão não se resume ao âmbito profissional.
Diretor artístico do evento, posto que ocupa há seis anos, Minczuk estudou em Campos do Jordão quando tinha apenas 11 anos de idade. Aquele seria o embrião de uma bem-sucedida trajetória musical.


Confiram, a seguir, entrevista dada a revista CULT (edição julho/2009, nº137).


CULT - Conte-nos sobre a sua relação pessoal com o Festival de Inverno de Campos do Jordão.


ROBERTO MINCZUK - Eu fui aluno do festival aos 11 anos de idade, o mais novo daquela geração. A partir de então, eu voltava praticamente todos os anos. Em Campos, tive a oportunidade de conhecer os maiores músicos do Brasil e também alguns dos principais nomes internacionais. A primeira vez que tive contato com Eleazar de Carvalho, Karabtchesky, Rostropovith e Robert Shaw foi por meio do festival. Ali também ouvi pela primeira vez a Orquestra Sinfônica do estado de São Paulo e a Orquestra Sinfônica Brasileira. Isso teve um impacto profundo na minha vida e na minha carreira.


CULT - Tendo em vista sua experiência internacional, em que patamar se encontra o Festival de Campos em relação aos principais eventos ligados à música erudita no mundo?


ROBERTO MINCZUK -Campos do Jordão é o mais antigo festival de música do Brasil e um dos mais antigos da América Latina. Nos últimos anos, nós resgatamos seu foco pedagógico. Não se trata simplesmente de um festival com uma temporada excelente de concertos internacionais. Ele traz alunos de todo Brasil e alguns do exterior. A vocação do festival é ser uma grande escola de música. Eu acredito que o Festival de Campos do Jordão seja a melhor escola de música do Brasil.


CULT- O tema desta edição é O Ano da França no Brasil. Para celebrar a ocasião, virão professores e artistas do Conservatório de Paris. Qual a importância desse intercâmbio?


ROBERTO MINCZUK - Uma das principais instituições musicais da França e do mundo é o Conservatório de Paris. Por lá passaram grandes compositores franceses. Inclusive muitos daqueles que interpretamos - Ravel, Saint-Saëns, Debussy, Poulenc e tantos outros - foram formados no conservatório e posteriormente se tornaram professores da instituição. Nós vamos receber ao todo 12 profissionais, entre professores e artistas. É um previlégio termos essa parceria com uma instituição que é sinônimo de qualidade, criatividade e importância no mundo da música.


CULT - Esta edição também homenageia Villa-Lobos. Cinquenta anos após a morte desse grande compositor brasileiro, você diria que ele já obteve o devido reconhecimento?


ROBERTO MINCZUK - Não. Eu acho que Villa-Lobos é um compositor que ainda precisa ser descoberto. Grande parte do repertório dele ainda é ignorada e desconhecida e precisa ser gravada e divulgada. Quando eu rejo Villa-Lobos, sempre tenho problemas com o material, que é precário. O material de outros compositores importantes do século 20, como Bernstein e Aaron Copland, está em melhores condições e o acesso é muito mais fácil. Quando eu rejo as "Bachianas nº 8", ainda há partes manuscritas. Existem esses tipos de absurdo que ainda acontecem, o que prejudica muito a divulgação e a própria qualidade da performance da obra. Villa-Lobos é difícil. Tecnicamente ele escreve difícil, não é um compositor fácil. Eu espero que de alguma forma o Brasil possa investir ainda mais e melhor na divulgação da obra de Villa-Lobos.


Matéria sobre o Festival, no programa Metrópolis da TV Cultura (31/07/09), destacando o violoncelista pernambucano Antonio Menezes, um dos grandes destaques do festival.




Antonio Meneses & Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), com regência de Roberto Minczuk, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro (2007)
4º Concerto da Juventude, em comemoração aos 50 anos do Violoncelista Antonio Meneses.
1º Movimento do Concerto para Violoncelo em Si Menor de Dvorák. Parte 2.





***********

Exibições: 53

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço