Aproveitei o título deste magnífico livro da filósofa judia Hannah Arendt para expor meus pensamentos acerca do racismo,um dos três filhos de Leviatã e um dos mais obscuros sentimentos que podem brotar do ser humano.

Juntamente com seus irmãos malditos,o imperialismo e o niilismo,o racismo divide povos,causa guerra destrutivas e,muitas vezes,como um Júpiter raivoso,volta-se contra seus próprios filhos.Como vemos agora desencadeando-se na Internet,contra os nordestinos,resultado de uma campanha política baseada no ódio aos “diferentes”,capaz até de nos levar a uma guerra civil.Essa campanha parte de um segmento da classe média baixa,aquela que não enriqueceu e,frustrada nos seus objetivos tem raiva dos pobres e do migrante.Teme que as atuais políticas públicas para o Nordeste lhes tire os privilégios que consideram direitos adquiridos.Assim,chamam o “bolsa família de bolsa 171”.Essas considerações são comuns aos novos ricos,aqueles que ascenderam social,mas,não culturalmente e que não admitem mais gente ascendendo à classe média,mais gente forçando os portões desse clubinho fechado,privilégio de poucos.Assim, temerosos,diminuem os outros para validarem sua importância.

Segundo o antropólogo Roberto Albergaria ,”o imaginário popular acha que o Sul e o Sudeste representam a industrialização;o Norte,a natureza e o Nordeste a miséria,a ignorância e o analfabetismo.”Ignoram que foi este último que criou a adorável cultura do Nordeste;”por não saber se expressar de modo acadêmico,o nordestino criou um linguajar próprio,uma cultura oral,corporal e gestual,que é um tesouro e não existe no Sul.”

O racismo e seu descendente – o preconceito – contra os nordestinos vem de longa data;já dura quase duzentos anos e começou logo após a abolição da escravatura quando levas de imigrantes estrangeiros ,colonos fugidos de suas terras empobrecidas que os não podia sustentar,aqui chegaram em navios malcheirosos e imundos,tentando “fazer a vida” neste paraíso chamado Brasil.

Por um motivo climático preferiram ficar nos países do Sul e Sudeste.

Ai,com trabalho e determinação construíram um invejável patrimônio e mudaram a cara do país;queriam ganhar dinheiro,o ter acima do ser,diferente dos povos do Nordeste,cuja filosofia de vida era a busca da felicidade,que para nós,consiste num trabalho constante,mas,não ,escravo e nosso conceito de bem – estar significa a paz consigo mesmo,apreciar um pôr do sol ,que é de graça,afogar as mágoas no Carnaval,música,sol e cerveja.

Brasileiros de descendência portuguesa,mesclado com os negros que ajudaram a formar esta nação,sem quase nenhuma influencia estrangeira,incomodava os recém-chegados que queriam impor à terra que gentilmente os recebeu,seus costumes e valores.

De meros imigrantes ,graças ao poder do dinheiro que aqui conquistaram,passaram a donos da terra.Esses valores e essas idéias de predomínio da raça ariana,legaram a seus descendentes,alguns como aquela infeliz personagem do twitter,beberam o leite materno,misturado com ódio aos “diferentes.”

Meu desespero contra a vitória da tucanada era por causa disto;estava vendo nosso país à beira de uma guerra civil.

Os acontecimentos subseqüentes provaram que eu estava certa.

Nosso povo nordestino recebe ,de braços abertos,qualquer brasileiro,porque sabe que todos são irmãos.Nosso clima,nosso sol,nosso mar azul,nosso conceito de felicidade ,nos torna indivíduos abertos a novos credos políticos ou religiosos,a novos valores,que respeitamos,á concórdia e a conciliação.

“Deixa a vida de Quelé” é nosso lema.

Tempos bicudos fazem crescer o racismo e o preconceito,pois,ambos brotam da insegurança,da inveja e do medo de perder poder e influência;foi assim na Alemanha pós-guerra quando a burguesia empobrecida ajudou a criar e solidificar o nazismo;é assim na África,berço de todas as raças,mas,que sofre sobre a bota do colonizador e nunca se encontrou como nação. A França,país da liberdade.igualdade e fraternidade,começou um expurgo de estrangeiros,receosa do domínio mulçumano no seu meio,pois,eles são superiores em número e podem fazer nossa civilização ocidental branca simplesmente desaparecer num curto período de vinte anos.

Voltando ao Brasil,cabe a nós combater esse preconceito.Somos um grande povo e uma grande nação.E é justamente deste cadinho de raças que formaram o povo brasileiro que brotou este poderoso país de fortes e bravos.

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Comentário de José Safrany Filho em 9 novembro 2010 às 1:05
Parabéns, Miriam S. Oliveira, belo artigo para deixar bem estabelecido o que é viver em harmonia, civilizadamente, respeitando os diferentes! Aqui, no Brasil, temos, praticamente, gente de todos os quadrantes, culturas, línguas e costumes diferentes, além de nossos irmãos de outros estados, que só colorem positiva e alegremente este amplo caleidoscópio humano. Enquanto isso, os ditos branquelos de ideologia direitista, para dizer o mínimo, estão cheios de xenofobia, racismo e preconceitos, além de terem promovido e promovem, ainda, em muitos lugares a discórdia e as guerras, com suas crias e aliados na parte norte de nosso Continente.
Temos que evitar e banir esse espírito que tentam nos impingir via demo-tucanos e aliados!
Viva a concórdia, a solidariedade e a alegria desse nosso Brasil irmanado com nossos irmãos latinoamericanos, caribenhos e todos os que nos respeitam, como nós a eles!!!
Comentário de Miriam de Sales Oliveira em 9 novembro 2010 às 10:24
Obrigada José,n/ queremos importar essas ideologias bush-republicanas.Somos o povo q/ somos graças à maravilhosa mistura da qual nos orgulhamos.
Cordiais abraços baianos

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