A belíssima "Amargura", de Radamés Gnattali

 

 

Por volta de 1950, ano em que “Amargura” foi lançada, Radamés Gnattali escrevia mais de dez arranjos por semana para a Rádio Nacional e para a gravadora Continental. Quando sobrava tempo, compunha uma grande melodia como a de “Amargura” que ele  gravou com seu piano,

 

Alberto Ribeiro pediu para escrever uma letra, e Lúcio Alves transformou a música num samba-canção moderno e eterno.

 

 

 

 

Relato de João Máximo

 

 

 

 

Os anos imediatos ao fim de Segunda Guerra Mundial foram de intensa atividade para os maestros da Rádio Nacional, entre eles, Radamés Gnattali. Calcula-se em mais de dez por semana o número de arranjos escritos para os vários programas musicais da emissora.

Paralelamente Radamés era o principal arranjador da Continental Discos e da subsidiária Todamérica, nas quais João de Barro - o Braguinha -, ocupava o cargo cuidando mais de perto do repertório a ser gravado nos dois selos.

 

 

Com isso sobrava pouco tempo para Radamés Gnattali se dedicar ao que mais gostava: compor. Não só choro e outros gêneros populares, mas principalmente música de concerto.

 

 

Foi para “Um milhão de melodias” - um os programas que atuava como arranjador que Radamés compôs uma peça para piano de bela linha melódica, ele que era notável pianista.

 

 

 

 

Amargura” (Radamés Gnattali) # Radamés Gnattali & Quarteto Continental, 1957.

 

 

 

 

 

 

 

 

Até que um dia, ouvindo a música pelo rádio, seu parceiro e amigo Alberto Ribeiro logo a imaginou gravada com um moderno arranjo de orquestra, como os que estavam na moda, que Radamés sabia fazer como poucos.

 

 

Alberto Ribeiro pediu ao maestro autorização para escrever a letra. Com o sim de Radamés, Alberto foi a outro parceiro e amigo dos dois - João de Barro -, com outro pedido: que o samba canção intitulado “Amargura” fosse gravado na Continental por Lúcio Alves e Orquestra de Radamés. E assim foi numa tarde de junho de 1950. “Amargura” começou a se tornar um clássico do moderno samba canção.

 

 

 

 

 

Radamés Gnattali, Alberto Ribeiro e Lúcio Alves.

 

 

 

 

Amargura” (Radamés Gnattali/ Alberto Ribeiro) # Lúcio Alves. Disco Continental (16293-A), 1950.

 

 

 

 

 

 

 

 

Toda amargura
Que há no céu
Que há na terra e no mar
Nasceu talvez da amargura que tens no olhar

No céu há um sol a brilhar
Beija a terra e o mar
Só tu continuas assim

Dia e noite a chorar

Pobre de quem
Vê em tudo a saudade de alguém
E a esperar
Nem sequer vê a vida passar

Tristeza só há no amor
E o mundo começa a cantar
Apaga a amargura do teu olhar!

 

 

 

 

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Fontes:

- Programa de João Máximo na Rádio Batuta do IMS.

- Montagem de fotos: Laura Macedo.

- Site YouTube (vídeos).

- Site Vagalume (letra da música).

 

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