Música: "Odeon" ( tango), Ernesto Nazereth, 1910.


Ernesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, e os levou para piano, dando-lhes roupagem requintada.

Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacob do Bandolim. O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro ou voltado às origens nas cordas do segundo. E é esse espírito, essa sítese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos brasileiros, à qual pertence "Odeon".

Obra prima do gênero, este tango é apenas mais uma das inúmeras peças de Nazareth em que "melodia, harmonia e ritmo se entrosam de maneira quase espontânea, com refinamento de expressão", como opina o pianista musicólogo Aloysio de Alencar Pinto.

"Odeon" é dedicado à empresa Zambelli & Cia., dona do cinema homenageado no título, onde o autor tocou na sala de espera. Localizada na Avenida Rio Branco nº 137, possuía duas salas de projeção e era considerado um dos mais 'chics cinematógraphos do Rio de Janeiro'.

Em 1968, a pedido de Nara Leão, Vinicius de Moraes fez uma letra para "Odeon".



ODEON, na interpretação de Rafhael Rabello e Dino 7 Cordas.




ODEON

Ai, quem me dera
O meu chorinho
Tanto tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia
Ele fazer tanto chorar
Ai, nem me lembro
Há tanto, tanto
Todo o encanto
De um passado
Que era lindo
Era triste, era bom
Igualzinho a um chorinho
Chamado Odeon

Terçando flauta e cavaquinho
Meu chorinho se desata
Tira da canção o violão
Esse bordão
Que me dá vida
Que me mata
É só carinho
O meu chorinho
Quando pega e chega
Assim devagarzinho
Meia-luz, meia-voz, meio tom
Meu chorinho chamado Odeon

Ah, vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça
Que o choro sentido tem
Quanto tempo passou
Quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém

Ah, quem diria que um dia
Chorinho meu , você viria.


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FONTES

1) LIVRO




A Canção no Tempo: 85 anos de músicas brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed., 34, 1977.



 

2) CD - Os Bambas do Violão: Baden Powell, Canhoto da Paraíba, Henrique Annes, Nonato Luiz e Rafhael Rabello. (Kuarup Discos).

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Exibições: 76

Comentário de Helô em 6 maio 2009 às 20:35
Laurinha
Uma interpretação diferente, em ritmo de Jazz.
Odeon com meu amigo juizforano Marcio Hallack.
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 7 maio 2009 às 1:10
Helô, parabéns ao seu amigo Márcio Hallack.
"Odeon", seja qual for o estilo tocado, sempre nos encanta, não é mesmo?
Um super beijo.
Comentário de Cafu em 12 maio 2009 às 15:53

Cheguei atrasada, mas olha só quem eu trouxe: o mestre Altamiro, seu grupo e as Choronas.
:-)
Comentário de Laura Macedo em 13 maio 2009 às 2:57
Cafu, por este excelente vídeo do Altamiro com as Choronas, valeu o atrazo.
O Altamiro é uma lenda viva do choro. Já assistimos ele ao vivo, aqui em Teresina, dentro do Projeto "Artes de Março". Uma delícia.
Beijos.

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