Portal Luis Nassif

Música: “Oh! Seu Oscar” (samba/carnaval), Ataulfo Alves e Wilson Batista, 1940.


Dizia Roberto Martins que o nome “Oscar” era muito usado na gíria do pessoal que freqüentava o Café Nice como designativo de indivíduo tolo, paspalhão. Daí seu aproveitamento por Ataulfo Alves para batizar o marido enganado, personagem deste samba.

Mas, se pertence a Ataulfo o título e a segunda parte, é de Wilson Batista a idéia e o estribilho original da composição: “Cheguei cansado do trabalho quando a vizinha me chamou / tá fazendo meia hora que sua mulher foi embora / e um bilhete lhe deixou o bilhete assim dizia / Não posso mais / eu quero é viver na orgia...”. Foi com estes versos já musicados, que Wilson convidou Ataulfo para fazer a segunda parte.

Conta Bruno Ferreira Gomes (no livro “Wilson Batista e sua época”) que Ataulfo, notando um “buraco” entre o segundo e o terceiro verso, sugeriu a inclusão desse “Oh! Seu Oscar” que, além de preencher o claro, acabou substituindo o título, que deveria ser “Está Fazendo Meia Hora”.

Apesar da importante participação de Ataulfo, “Oh! Seu Oscar” é uma composição bem típica de Wilson Batista, um perspicaz cronistas dos pequenos dramas do cotidiano.

Vencedor do concurso de sambas para o carnaval de 1940, é cronologicamente o segundo sucesso de seu lançador, Ciro Monteiro.



"Oh! Seu Oscar", na voz de Ciro Monteiro. RCA VICTOR - 1940.




**********

FONTES
1) Livro




A Canção no Tempo: 85 anos de músicas brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1977.



 

2) CD Os Grandes Sambas da História nº 10 (integrante da coleção História do Samba, 1998).

**********

Exibições: 51

Comentário de Helô em 21 maio 2009 às 18:26
Haha, vou fazer hora com um certo amigo da comunidade.
Estou adorando a nova série.
Beijos, Laurinha.
Comentário de Laura Macedo em 22 maio 2009 às 2:46
Helô.
Quando estava selecionando essa música, lembrei de um depoimento do Chico Buarque onde ele diz que àquela época, onde o machismo reinava absoluto, a mulher deixar um bilhete para o marido dizendo, "não posso mais, eu quero é viver na orgia", não era fato corriqueiro. E não era mesmo.
Beijos.

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço