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Música: "Se Você Jurar" (samba/carnaval), Ismael Siva, Nilton Bastos e Francisco Alves, 1931.


O samba adotou uma nova forma, livrando-se da herança do maxixe, no final da década de 1920. Para isso concorreu decididamente a necessidade, percebida por compositores ligados à pionera escola de samba Deixa Falar, de "amaciar" o ritmo usado na época, adaptando-o a um padrão menos sincopado que facilitasse a fluidez do desfile. Dessa chamada "Turma do Estácio" faziam parte Ismael Silva e Nilton Bastos, autores de "Se Você Jurar", composição que, sintetizando as novas características, iria se tornar um dos principais modelos dos sambas dos anos trinta.

Grande sucesso do carnaval de 1931, nas vozes de Francisco Alves e Mário Réis, "Se Você Jurar" tem uma melodia expressiva, especialmente na segunda parte, que retorna à primeira através de dois acordes preparatórios de passagem, incomuns nas canções da época.

Já a letra explora o tema da regeneração do malandro, que não parece muito seguro do motivo da mudança, considerando-o um jogo meio arriscado: "A mulher é um jogo / difícil de acertar / e o homem como um bobo / não se cansa de jogar / o que eu posso fazer / é se você jurar /arriscar a perder / ou desta vez então ganhar..."

Baseado em informações de Ismael Silva, Hermínio Bello de Carvalho assegura em artigo publicado em 1963: "A primeira parte é do Nilton, com a ajuda de Ismael, e a segunda toda de Ismael". Contrariando essa informação Orestes Barbosa (no livro "O Samba") e Mário Reis, que afirmam ser a composição somente de Nilton, enquanto Francisco Alves (em sua autobiografia) atribui o estribilho a Nilton mas se diz autor da segunda parte.



"Se Você Jurar", na interpretação de Ruy Faria e Carlinhos Vergueiro. Disco Independente dos artistas gravado ao vivo no Teatro Rival (RJ), dias 29 e 30 de outubro de 2004, com apoio da PETROBRAS.





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FONTES

1) Livro




A Canção no Tempo: 85 anos de músicas brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1977.



 

2) CD Só Para Chatear - Ruy Faria & Carlinhos Vergueiro - Ao Vivo, 2004.

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Exibições: 73

Comentário de Cosme Damião de Souza Marinho em 31 maio 2009 às 0:55
Mas, Laura, o "amaciamento" do ritmo - que passa a caracterizar o samba - resulta justamente do emprego mais livre e mais frequente da síncope e do contratempo.

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