A Canção no Tempo (XIX) Especial: Cidade Maravilhosa

"Cidade Maravilhosa" (marcha), André Filho, 1934.


A própria introdução parece ter sido feita para preceder um hino, com as notas do acorde fundamental de um clarim. É um chamamento alegre, até imponente, porém sem a sizudez de uma marcha militar, o que não lhe tirou a vez de ser escolhida como o hino oficial do Rio de Janeiro trinta anos depois do seu lançamento.

Mas, "Cidade Maravilhosa" é também um dos hinos do carnaval brasileiro, cantado com muito empenho nos salões, pois, quando a fanfarra ataca a introdução, avisa a todos que o baile está chegando ao fim.

No início da década de 1930, o Rio era embelezado com a estátua do Cristo Redentor e a modernização de vários trechos da cidade, criando maiores condições para deixar o turista maravilhado. Foi nesta ocasião que, motivado por uma promoção chamada Festa da Mocidade, em que se elegia a Rainha da Primavera, André Filho compôs "Cidade Maravilhosa". O título reproduzia uma expressão consagrada pelo escritor Coelho Neto.

Gravada em 04/09/34, a marcha teve como intérprete Aurora Miranda, acompanhada pelo autor. A escolha de Aurora, uma iniciante de dezenove anos, refletia de certo modo a tendência de romper com uma constante da época: a hegemonia masculina na gravação do repertório carnavalesco.

Já favorita do público, "Cidade Maravilhosa" foi inscrita no concurso de marchas para o carnaval de 1935, obtendo o segundo lugar, resultado que indignou André Filho, O esquecimento total relegado à vencedora, "Coração Ingrato" (de Nássara e Frazão), provocaria a injustiça do julgamento.

Evocativa na segunda parte, que retorna à primeira numa modulação singela, a composição é vibrante no refrão. Este não se repete de modo rigorosamente igual, seguindo, assim, um esquema próprio dos grandes compositores populares: na repetição, os compassos finais sofrem uma alteração melódica que induz a primeira parte do refrão a duas de suas funções primordiais, sejam elas, a preparação para a segunda parte e o encerramento.

Acusada por alguns de ter sido inspirada num trecho do 3º ato da ópera "La Bohème", de Puccini, "Cidade Maravilhosa" permanece no tempo, cantada por gerações sucessivas, já fazendo parte da memória musical brasileira como um dos seus clássicos mais conhecidos.



(OBS: Fico devendo a faixa com Aurora Miranda e André Filho, interpretando "Cidade Maravilhosa", já que o Instituto Moreira Salles, no momento, não está disponibilizando aos áudios).

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FONTES
1) Livro




A Canção no Tempo: 85 anos de músicas brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1977.





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AGORA MAIS DO QUE NUNCA A MÚSICA "CIDADE MARAVILHOSA", DE ANDRÉ FILHO, QUE JÁ FAZ PARTE DA MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA, ULTRAPASSARÁ TODAS AS FRONTEIRAS...





A ALEGRIA DA DELEGAÇÃO BRASILEIRA NO MOMENTO DO ANÚNCIO OFICIAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO COMO SEDE DOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016.




VALEU BRASIL!!!!!

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Exibições: 129

Comentário de moacir oliveira em 2 outubro 2009 às 22:55
cheia de encantos e cantos.
Comentário de Gregório Macedo em 5 outubro 2009 às 1:19
É isso mesmo: VALEU BRASIL!!!
Beijos.

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