“Chão de Estrelas” (canção), Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, 1937.


Numa visita ao poeta Guilherme de Almeida, em 1935, Sílvio Caldas mostrou-lhe uma canção inédita, intitulada “Fosse a sonoridade que acabou”. Terminada a apresentação, a canção recebeu um novo nome: “Chão de Estrelas”. Aconteceu a mudança por sugestão de Guilherme, tomado de súbito entusiasmo pelos versos, que eram de Orestes Barbosa.

Sobre o fato ele escreveria trinta anos depois (em crônica incluída no livro “Chão de Estrelas”, de Orestes): “Nem de nome eu conhecia o autor. Mas o que então dele pensei e disse, hoje repito: uma só dessas duas imagens – o varal das roupas coloridas e as estrelas no chão (...) – é o quanto basta para que ainda haja um poeta sobre a terra”. Mas não para em Guilherme de Almeida o fascínio despertado por “Chão de Estrelas” entre nossos poetas.

Em 1956, numa crônica em louvor a Orestes, Manuel Bandeira terminava assim: “Se se fizesse aqui um concurso (...) para apurar qual o verso mais bonito da nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes: ‘tu pisavas em astros distraída...’”.

Composto por Sílvio Caldas sobre um poema sobre decassílabos – que Orestes relutou em consentir que fosse musicado -, “Chão de Estrelas” é a obra prima da dupla, que produziu um total de quinze canções, a maioria de muito boa qualidade (“Quase que eu disse”, “Suburbana”, “Torturante Ironia’ etc.). Essas composições cantam amores perdidos ou impossíveis, tratados do ponto de vista masculino e quase sempre localizados em cenários urbanos – arranha-céus, apartamentos, cinemas...

Embora tenha se destacado no seu lançamento em 1937, “Chão de Estrelas” só se tornaria um sucesso nacional na década de 1950, quando Sílvio Caldas a gravou pela segunda vez.


“Chão de Estrelas”, com Sílvio Caldas e acompanhamento da Orquestra Lírio Panicali. Disco Sinter (213), 1953.



FONTES
1) Livro




A Canção no Tempo: 85 anos de músicas brasileiras, Vol 1: 1901-1957/Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1977.



2) Disco Sinter, 1953 (Acervo do Instituto Moreira Salles).

Exibições: 69

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