“Amar a uma só mulher” (samba/carnaval), Sinhô, 1928.


Em “Amar a uma só mulher” Sinhô faz a apologia da fidelidade no amor, virtude que jamais praticou. E o faz na forma de sempre, com versos pitorescos, impregnados de um lirismo simplório, bem característico de seu estilo: “Quem pintou o amor foi um ceguinho / mas não disse a cor que ele tem / penso que só Deus dizer-nos vem ensinando com carinho / a pura cor do bem querer...”.

Dedicado ao poeta Álvaro Moreira [homenagem a sua esposa], cuja casa em Copacabana era freqüentada por Sinhô, este samba foi lançado na revista “Língua de Sogra”, em janeiro de 1928, ao mesmo tempo que era gravada por Francisco Alves.

“Amar a uma só mulher” assemelha-se nos compassos iniciais à canção “La vie em rose”. Mas, se plágio existe no caso, é de Pierre Louiguy, autor da melodia francesa, composta dezesseis anos depois da morte de Sinhô.


“Amar a uma só mulher”, com Francisco Alves. Disco Odeon (10.1190), 1928.



Sobre Sinhô (Saiba mais).


FONTES
1) Livro




A Canção no Tempo: 85 anos de músicas brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1977.



2) Disco Odeon (Acervo do Instituto Moreira Salles).

Exibições: 78

Comentário de Gilberto Cruvinel em 1 agosto 2013 às 22:28

Laura,

Interessante a comparação com "La Vie en Rose". Observação assim só para conhecedores realmente especialistas. Seu post original sobre Sinhô de agosto de 2010 é um dos mais completos que eu já tive oportunidade de ver. Impressionante, que trabalho incrível você fez.

Beijos

Gilberto

Comentário de Laura Macedo em 2 agosto 2013 às 1:07

Gilberto,

O post sobre o Sinhô começou assim: Quando do nosso encontro com a trupe do Teatro de Revista (Rio/maio/2010) aconteceu de um dia irmos (eu, Cafu e Henrique) a uma noitada na Lapa, especificamente, no Centro Cultural Carioca. Na ocasião o grupo - “Sururu na roda” - era a atração musical daquela noite. Tocaram sambas memoráveis.

Foi aí que a Cafu, ao som do “Jura”, de Sinhô, me fez “jurar” que eu faria um post sobre ele e publicaria no nosso blog do Teatro de Revista.

Como não sou de quebrar juras de promessas, ao chegar a Teresina, tratei logo de encomendar o livro “Nosso Sinhô do Samba”, de Edigar de Alencar. Combinamos que publicaríamos dia 4 de agosto (data que ele completaria 80 anos). Mesmo antes da chegada do livro comecei o garimpo de fatos, áudios, vídeos... E a leitura de outras fontes que já tinha em casa.

Eu e Gregório estávamos com reservas feitas para dez dias no litoral piauiense, no mês de julho. Resultado: tive que levar o Sinhô na bagagem (não consegui terminar antes da viagem).

Este foi um trabalho muito envolvente e gratificante. Fico feliz por você ter gostado :)

Beijos.

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