a casa da minha infância (para luis nassif)

1.
a casa da minha infância
nunca foi casa qualquer
tem mocinho, tem bandido
uns cantos cheio de medo
uns estados de martírio
medos de deus que se mostram
umas velas choradeiras
da vida que se ilumina
nos seus olhares já mortos
da minha casa vazia.
o pai e a mãe são momentos
de estender as mãos e ver
que certas artes das coisas
se fizeram por inteiro.
quanto de mim vejo agora?
quanto de cada manhã
eu vivi, torridamente.
sem saber, naquela casa
me carrego como um todo.
outros olhos, mais lavrados,
finco no tempo e meu corpo
se perde num tempo oco
quando a mão se esvai, somente
a encontrar cada noite
onde o gosto da lembrança
é um santo protetor
onde um pássaro de fogo
me revelou quem sou eu.

2.
quanto de água ainda bebo
desta casa, destes quartos
se tudo se sabe em mim
em trapos que são do tempo.
a casa sobrou num canto
da memória destilada
do vinho desengonçado
que fala de mim em tudo.

3.
as pedras que me sobraram
os muros que me pariram
todos eles guardei, todos
no meu corpo permanente.

4.
a dicção da paisagem
chega inerte
toda a sonoridade
verte, verte.

romério rômulo

Exibições: 115

Comentário de Luis Nassif em 17 dezembro 2010 às 9:45

Eita, Romério. De matar.

Comentário de luzete em 17 dezembro 2010 às 11:27

inspirado mesmo. louvadosejadeus!

os poetas inventam novos sentidos à palavra que me deixam assim... encantada e perplexa.

um senhor presente.

Comentário de Janaina Amado em 24 maio 2011 às 0:20
Romério, este poema emociona até poste, rs. Adorei.
Comentário de E' lena em 24 maio 2011 às 12:40

parabéns por conseguir converter sentimentos em palavras, sem perder nas entrelinhas

difícil  viu , haja propriedade!

Lena

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