Bobagem essa charanga de “pão e circo” que a patota do contra toca incansavelmente a respeito da Copa do Mundo. É como dizer que o governo brasileiro decidiu realizar o evento esportivo no país para meter nos estádios todo o povo que vota para ver ao vivo os jogos, e de graça. Ora, começa que os preços são abusivos e não são acessíveis à imensa maioria do povo (veja-se o nível econômico dos mal-educados que apuparam a presidenta na abertura da Copa das Confederações); termina pelo fato de que, mesmo que os preços fossem, digamos, populares, não haveria espaço físico para abrigar a todos. Se isso é o “circo”, o brasileiro já o tem todos os meios e finais de semana, nos nos Fla-Flus da vida. E para fornecer “circo” ao povo, na forma de Copa do Mundo, não precisava realizá-la aqui, já que mais de 99% dos filhos deste solo verão o espetáculo como sempre viram, pelo menos desde que a TV passou a transmiti-los: pela telinha, ao som irritante de Galvão Bueno e seu Rrrrrronaldo.

Mas nem só de circo vive o homem político. O evento que, pode-se dizer, começou agora, com a Copa das Confederações, deixará resultados em forma de “pão”, ou seja, de alimento para o bom funcionamento e desenvolvimento das cidades-sede e de todo o país.

As obras em fase de conclusão já geraram milhares, e bons, empregos; não é pouco, num momento em que vemos o desemprego crescer mundo afora. Os empreendimentos necessários para a Copa, desde que ela foi anunciada, já vêm sendo implementados, o que tem trazido e trará divisas para o Brasil. Haverá e já está havendo investimentos em mobilidade urbana, aeroportos, portos, desenvolvimento turístico, segurança pública e telecomunicações. Ah, sim. E em estádios também, claro.

Além disso, a Copa faz o mundo todo voltar os olhos para o Brasil – esse mesmo mundo que está curioso para compreender como pudemos sobreviver firmes e fortes ao turbilhão da mais grave crise internacional desde 29. Uma vitrine e tanto para quem quer atrair investimentos estrangeiros e, ao mesmo tempo, vender seus produtos lá fora.

Há muita marmelada sendo contada por aí. A maior delas é a de que a União gastará R$30 bilhões na construção de estádios, e ponto final. Dinheiro jogado fora, dizem. Não adiantou a presidenta Dilma explicar que serão destinados a título de financiamentos, que serão pagos pela iniciativa privada que vai explorar os estádios; a distinta plateia seguiu em seu discursinho desconectado da realidade.

Fiz um favor a mim mesmo, à minha própria consciência, e fui pesquisar. E descobri a marmelada toda dos do contra. A primeira: o total de investimentos – que chamam de “gastos” – não serão esses R$30 bilhões que dizem; serão R$26 bi. Ah, sim, uma diferencinha irrisória, dirão. Vá lá, mas não deixa de ser uma inverdade.

Enfim, vamos aos detalhes. O quadro que ilustra este texto foi extraído do Portal da Transparência. É mais simples lê-los, como estão expostos, mas eu ainda prefiro as palavras, se o respeitável público me permite.


Em financiamentos, por exemplo, o total de “gastos” da União será de R$10 bilhões. Dinheiro que será emprestado e, portanto, reavido. Desse total, a União destinará R$1,2 bilhão para a construção e ampliação de aeroportos. Que continuarão à disposição de todos os brasileiros depois do evento. Pouco menos de R$5 bilhões serão aplicados em mobilidade urbana – melhorias necessárias para que as pessoas possam circular pelas cidades. Estava na pauta do Movimento Passe Livre, lembra-se? E R$3,7 bilhões o governo federal emprestará para a construção dos amaldiçoados estádios. Salve esse número: 3,7bi.

Outros R$7,2 bilhões o governo federal “jogará fora”, ou seja, aplicará diretamente, sem devolução, em outras obras. R$3,5 bilhões serão jogados em aeroportos; R$191 milhões, em desenvolvimento turístico; R$900 milhões em portos (que servirão para o escoamento da produção, que anda emperrada por falta de infraestrutura; você certamente já leu ou ouviu sobre isso); outros R$2,2 bilhões serão jogados na segurança pública (que, pelo menos aqui, em São Paulo, estado governado pelos tucanos, anda muito mal das pernas); e R$371 milhões em telecomunicações. Ah, sim. Zero em estádios. Isso mesmo: a União não “jogará fora” nada em estádios.

A parte que os estados aplicarão com seus próprios recursos – seja na forma direta ou como financiamento a terceiros -, será de R$3,5 bilhões, assim distribuídos: em desenvolvimento turístico, R$3,5 milhões; em mobilidade urbana, R$2 bilhões; e em estádios, R$1,5 bilhão.

Municípios e distrito federal, na soma, arcarão com pouco menos de R$3 bilhões, sendo R$14 milhões em desenvolvimento turístico, R$1 ,9 bi em mobilidade urbana e, claro, R$1 bi em estádios.

Por fim, ainda haverá outros investimentos, feitos diretamente pela iniciativa privada, da ordem de R$3 bilhões, sendo 2,2 bilhões em aeroportos e R$820 milhões em estádios.

Sobre desvios de recursos? Todos os gastos e investimentos estão sendo acompanhados pela Controladoria Geral da União, pelo Tribunal de Contas da União, pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal, pelos órgãos de controle dos estados e municípios envolvidos, pelo Ministério Público dos estados, pelas polícias estaduais, pelos tribunais de contas estaduais e conselhos municipais, pelas comissões de acompanhamento dos parlamentos de todos os níveis. E por você, que como cidadão tem o direito e o dever cívico de acompanhar e denunciar eventuais desmandos. 

Confesso que me senti com cara de palhaço por quase ter acreditado no fole da sanfona dos que vociferam contra a Copa do Mundo. Como um trapezista, segurei-me firme e não me permiti cair sobre o picadeiro. Lembrei-me de Nara Leão, “corre, corre, minha gente, que é preciso ser esperto; quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto”. http://letras.mus.br/nara-leao/128273/

Fonte: Portal da Transparência 

http://www.portaltransparencia.gov.br/copa2014/empreendimentos/inve...

 

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