A desnacionalização do Brasil deve ser contida!


Faz pouco tempo, mantive contato com uma empresa tradicional fabricante da área de Sistemas de Energia, localizada em Diadema, São Paulo. Era uma empresa estabelecida, conhecida, genuinamente nacional, talvez uma das mais bem sucedidas e conceituadas no mercado, devendo, por isso, manter o nome que dá credibilidade, por certo tempo. Você deve estar usando em casa, ou na empresa, onde trabalha, um estabilizador de tensão ou um sistema ininterrupto de energia (nobreak) dessa empresa, aí, ao lado do seu computador.

Foi chocante, quando fiquei sabendo que foi vendida, ao capital estrangeiro. Elas chegam, aqui, fazem uma proposta irrecusável e compram o que acharem conveniente. Infeliz empresa que não se submeta a tal investida! Poderá estar decretando sua inexorável falência, no futuro, pois a proponente vai adquirir uma concorrente de menor porte que se transformará, em breve, numa concorrente implacável.

Aí, aparece um desses entendidos burocratas, declarando; sem qualquer embasamento técnico, ou total falta de nacionalismo; que essas pequenas e médias indústrias não tiveram competência para enfrentar o mercado. Confundem com o suco de laranja, com a soja ou qualquer outro produto primário. Esse mundo das multinacionais criou e cria normas para seus produtos, tão rígidas, que elimina qualquer concorrente que se atreva ingressar no mundo que eles dominam. Essas normas, muitas vezes, servem, tão somente, para eliminar os concorrentes.

Que país é este? As coisas vão acontecendo e só, casualmente, ficamos sabendo. Tudo ocorre sem a mínima transparência, sob o total controle de meia dúzia de bem informados e interessados.

Já não considero o problema de mais uma ou menos uma desnacionalização. É um crime de lesa pátria! Dizem que o capitalismo moderno não tem fronteiras, não tem nação. Não é bem assim. O controle dessas empresas tem centro determinado. Os projetos são oriundos das matrizes.

Como outras empresas que conheci, transformam-se, em médio prazo, em meras montadoras locais e distribuidoras. Os engenheiros que nelas trabalham deixam de ser projetistas, tornam-se meros copiadores de projetos, quando tudo não chega totalmente pronto. Num futuro que não tarda; como os avanços tecnológicos, na área eletrônica, são extremamente rápidos; os produtos que foram desenvolvidos no Brasil tornam-se obsoletos e, consequentemente tudo será importado, desaparecendo até o nome original.

Não defendo aquela burra reserva de mercado de informática que tivemos no passado. Agora, sucatear tudo, todo conhecimento adquirido, por menos avançado que seja, é uma estupidez sem limite!

A abertura será tal que vamos vender toda a nossa Amazônia, também?

Vamos, eternamente, ser apenas fornecedores de matérias primas? O Brasil é um país de dimensões continentais com cerca de 200 milhões de habitantes!

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